A indústria de cal (CaO) no
Brasil representa um importante segmento da economia, gerando milhares de
empregos diretos e indiretos, com inúmeras oportunidades para Engenheiros
Químicos nas áreas de processo, pesquisa e desenvolvimento, projetos, dentre
várias outras. O Brasil ocupa atualmente a 5ª posição no ranking mundial de
produtores, respondendo por 2,4% do total, segundo dados do Sumário Mineral de
20141.
Neste contexto o grupo ICAL se apresenta como um dos maiores e mais
importantes do segmento no Brasil, com mais de 60 anos de atuação no mercado. A
indústria que deu origem ao grupo foi fundada em 1949 pelo empresário mineiro Lúcio
Pentagna Guimarães, membro da família que também fundou a empresa Magnesita S/A
e o Banco BMG, com a construção do primeiro forno vertical de produção contínua
da América do Sul na cidade de São José da Lapa, localizada na região
metropolitana de Belo Horizonte. Desde então, a expansão dos negócios resultou
na construção de novas plantas produtivas, não só de cal virgem, mas também de
cal hidratada (CaOH2) e na aquisição de jazidas de calcário, matéria-prima
para a produção da cal, sendo tais unidades: Pains, Matozinhos, Montreal,
Prudente de Morais, Baraúnas, citando ainda a fábrica Usibrita Ltda. A
capacidade produtiva atual do grupo ultrapassa 1,8 milhões de ton/ano, com
jazidas estimadas de 1,5 bilhões de toneladas. Cabe comentar, que as empresas
do grupo comercializam subprodutos do calcário, como brita e areia artificial,
sendo estas alternativas para dar vazão à fração da matéria-prima que não atende
aos pré-requisitos para a produção da cal.
O processo produtivo na ICAL,
assim como em outras indústrias do segmento, começa no mapeamento geológico da
mina a ser utilizada, com a caracterização físico-química do calcário e
posterior estudo de viabilidade econômica. Após a realização dos estudos
pertinentes e aquisição da mina, a indústria instalada realiza a lavra do
calcário utilizado, que pode ser dolomítico (com teores de magnésio na forma de
MgCO3 entre 10 e 15%) e também calcítico (teores de 0 a 1% de MgCO3).
Explosivos são inseridos em áreas pré-determinadas, ocorrendo o desmonte do
local e retirada posterior do calcário com auxílio de máquinas e meios de
transporte especiais. O calcário é então britado e reduzido a faixas granulométricas
específicas para a produção de determinado tipo de tipo cal. As faixas
inferiores são direcionadas aos subprodutos mencionados acima. A matéria-prima
é então direcionada à pré-aquecedores no intuito de evitar choques térmicos com
a superfície interna dos fornos (temperaturas que variam entre 600 e 1000 ºC),
evitando assim características indesejadas no produto acabado. Por sua vez, a
cal produzida é direcionada a silos de armazenamento e esfriamento (a cal
virgem resfriada tende a ficar quebradiça e absorver umidade indesejada, o que
compromete seu desempenho). Nessa etapa a cal já está pronta para ser
comercializada ou pode ser direcionada para o processo de hidratação, que
consiste na adição controlada de água e insumos específicos à cal virgem para
obtenção da cal hidratada. Tal processo pode ser observado em uma animação
disponibilizada no próprio site da ICAL, através de um link inserido no final
deste texto2. Em todas as etapas citadas, as matérias-primas, os
produtos em processo, bem como os produtos acabados são submetidos a
ensaios-padrão e também à outros testes de acordo com o segmento e
especificações técnicas firmadas entre a indústria e o cliente. Em relação aos
segmentos de mercado atendidos podem ser citados a indústria açucareira, a siderurgia,
produção de ouro, indústria de papel e celulose, produção de couro, no
tratamento de água e efluentes, na indústria química, construção civil, dentre
outros.
A ICAL, como um grupo, promove
também o intercâmbio de conhecimento entre seus colaboradores, buscando o
aperfeiçoamento e maior capacitação dos mesmos. As unidades fabris trabalham em
conjunto, suprindo necessidades pontuais e emergenciais no que diz respeito a
produtos, treinamentos e demais recursos comuns entre as mesmas.
O Engenheiro Químico, dentro da ICAL, pode desempenhar
funções como controle e planejamento de processos, tendo em vista que o
portfólio engloba produtos que demandam constante aumento na produtividade,
dado o crescimento do consumo no mercado. As atividades de pesquisa e
desenvolvimento tanto para produtos quanto para processos são também
possibilidades de atuação deste profissional, pois a eficiência maior dos
produtos e também o desenvolvimento de outros que possam substituir
matérias-primas mais onerosas são necessidades reais dos clientes. Atividades
de consultoria e assessoria, na forma de testes nas instalações dos clientes
durante o processo de validação do produto para o fornecimento, bem como
funções de supervisão e responsabilidade técnica podem também ser desempenhadas
pelo Engenheiro Químico dentro da empresa.
Enfim, a ICAL se mostra como
um grupo consolidado em seu mercado de atuação, como boas oportunidades e
grande potencial de crescimento. Outras informações e detalhes podem ser
consultados no site oficial do grupo e também no vídeo institucional
disponibilizado abaixo.
REFERÊNCIAS
1
DEPARTAMENTO NACIONAL DE PRODUÇÃO MINERAL. Sumário
Mineral de 2014. Disponível em: < http://www.dnpm.gov.br/dnpm/
sumarios/sumario-mineral-2014 > Acessado em: 28 de abril
de 2015.
2 ICAL. Planta Virtual. Disponível em: < http://www.ical.com.br/planta.html >
Acessado em: 28 de abril de 2015.
ICAL. Histórico. Disponível em: < http://www.ical.com.br/historico2.html >
Acessado em: 28 de abril de 2015.
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