quarta-feira, 25 de março de 2015

PRÓXIMA PARADA: DESSALINIZAÇÃO DAS ÁGUAS BRASILEIRAS

(Texto enviado pelo Representante Beta EQ Wallace Betencurte)

A grande preocupação de boa parte do mundo sobre o problema da escassez da água potável nos trouxe até os processos de dessalinização das águas oceânicas. Mesmo com o alto custo da implementação dessa técnica alguns países acreditaram, investiram e obtiveram bons resultados. Hoje, devido à melhora e o “barateamento” do processo, temos a vez do Brasil.


A questão ambiental da falta de água dos meios fluviais nunca fora tão mencionada como nesse último século. A real explicação desse tipo problema ou ao menos parte dele, provém das ações de alguns fenômenos globais que ocorrem no planeta, cuja razão é originária da forma abusiva de exploração humana dos recursos naturais limitados. Em vista disso, a ciência de engenhar tem buscado novas soluções, tanto para a pouca disponibilidade de água de certas regiões, quanto também para a sua falta local.

A dessalinização desse bem é algumas das vezes um processo alternativo utilizado por países que possuem poucos recursos hídricos potáveis. Em uma matéria publicada pelo site da Water Tecnology (referência mundial em notícias e informações sobre os projetos da indústria da água), em 2015, foi citada como referência nesse tipo de processo a empresa Conversion Corporation Saline Water (SWCC) da Arábia Saudita, a qual antes mesmo de 2013 já fornecia cerca de 50% da água municipal em todo o Reino. Disse ainda, que o investimento é o maior de todo o planeta e consegue atender aproximadamente 70% de todas as necessidades do país. Em um segundo aperfeiçoamento de produção na usina dessalinizadora de Shoaiba, chegou-se a obter cerca de 150 milhões de m³/ ano, com um custo de projeto no total de 1,06 bilhões de dólares. Os investimentos árabe-sauditas nessa área não pararam por aí, com o aumento populacional esperado até 2020, a companhia SWCC juntamente com os representantes governamentais, já planejaram novas metas para aumento da produção.

Nos EUA, a companhia de El Paso, situada no Texas, também é uma referência mundial no processamento da dessalinização de água do mar. Ela é conhecida como a maior usina do mundo e possui a capacidade de produzir cerca de 27,5 milhões de galões de água por dia, o equivalente à quase 104 milhões de litros diários, os quais abastecem não somente uma região, mas também outros lugares onde a quantidade hídrica de rios e lagos estão cada vez mais escassas.

Existem vários outros exemplos no mundo os quais obtiveram sucesso na utilização dessa técnica, fato o qual demonstra que esse caminho é um bom negócio. No Brasil isso também tem sido uma realidade, em junho de 2011 a revista PEGN (Pequenas Empresas & Grandes Negócios), divulgou em uma de suas matérias o excelente resultado apresentado pela empresa Aquamare, da cidade de Bertioga-SP, ao tornar potável a água do mar para consumo. Depois de anos de pesquisa e trabalho, a empresa hoje já colhe seus frutos, além de estar presente no mercado nacional, uma vez aprovada pela ANVISA e testada por laboratórios de pesquisa da USP e UNIP, ela também faz negócios com EUA e com alguns países da Europa.

A dessalinização de águas marinhas brasileiras também tem sido interessante para outros fins, o processo de irrigação de plantações, o qual usufrui da maior quantidade hídrica potável de todo o território nacional, também já buscou esse recurso. Embora a veemente cautela sobre os resíduos gerados no tratamento tenha retardado o uso da técnica, a busca pelo melhoramento não se abalou. Em um artigo científico publicado pela revista Caatinga em 2011, obteve-se a informação de que a produção de mudas de essências florestais foi uma boa opção para a utilização da água de rejeito da dessalinização. Nesse trabalho, não houve riscos de contaminação do solo e de mananciais de água doce.

A ideia tem sido boa e aparentemente responsável, em todas as referenciadas matérias, apontou-se para a conveniência ecológica. Por exemplo, a empresa de Bertioga ressaltou que o sal retirado do processo é devolvido ao oceano em diferentes regiões, para que não hajam alterações (pH e etc...) em nenhum ecossistema marinho e ainda, é dito que metade da água utilizada no processo é devolvida ao oceano verde e amarelo. 

Felizmente há motivações as quais sempre se renovam. Em março desse mesmo ano, o site Inovação Tecnológica, citou uma pesquisa que foi desenvolvida na Escola Politécnica da USP, onde o aluno cabo-verdiano, Juvenal Rocha Dias, desenvolveu/dimensionou um filtro dessalinizador movido por energia renováveis (eólica e gravitacional). Outro fato bem legal mencionado foi que, além dessa tecnologia pode vir a se tornar mais um meio de transformação de águas salinas, ela também possui o potencial para ser uma alternativa no problema da despoluição de rios e riachos, o que torna os seus estudos e experimentos mais interessantes do que se pensava.  

A expansão do processo de dessalinização com certeza gerará mais pesquisas e empregos em diversos ramos da engenharia, em especial a química cujo conhecimento nessa área processual é maior. Os otimistas acreditam que com calma esse recurso possa vir a se tornar parte da solução da falta de água global e nacional. É obvio que devemos continuar a nos conscientizar em relação à preservação desses meios naturais. Entretanto, a dessalinização veio para ficar e quem sabe com muito trabalho e responsabilidade, da um bom descanso aos nossos rios, lagos e as demais fontes hidrosféricas de água doce.
                
Bibliografia:

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