quarta-feira, 25 de março de 2015

AS DIFICULDADES DOS PRIMEIROS PASSOS DOS ENGENHEIROS QUÍMICOS

(Texto enviado pelo Representante Beta EQ Wallace Betencurte)

Mesmo podendo atuar de diversas maneiras e em diferentes áreas, a realidade do engenheiro químico hoje é um pouco preocupante. A maioria dos engenheiros novatos do Rio de Janeiro tem reclamado da dificuldade de se engajar em sua primeira experiência profissional.


Em uma matéria publicada em 2013 pela revista Pense Empregos, “A vez da Engenharia: formação está em alta no mercado de trabalho”, o governo brasileiro relatou a falta de engenheiros no país. Paradoxalmente a isso, os profissionais questionaram e ainda questionam sobre tal afirmativa, uma vez que, o mercado tem mostrado uma grande defasagem perante os acontecimentos passados e atuais. Entre esses, tem-se a falta de investimento do próprio governo no setor industrial e o aumento de seus impostos. Tais ações fazem com que as empresas queiram minimizar seus gastos, o que na maioria dos casos se resume em contratar e pagar menos. 

Em uma pesquisa informal realizada em janeiro de 2015 pelo grupo Beta EQ (mídia, notícias e publicidade em Engenharia Química), para saber como anda a opinião dos ex-alunos de engenharia química do Rio de Janeiro sobre o tema do mercado de trabalho, foi possível reafirmar a situação ruim vívida pelo calouro dessa profissão da megalópole carioca. Dessa enquete, obteve-se o gráfico apresentado abaixo:


De acordo com o gráfico acima, hoje em dia, uma boa quantidade dos engenheiros químicos formados buscam a vivência ou mesmo consolo, em algum tipo de especialização, concurso, dentre outros, já a quantidade de empregados relatada foi a de menor porcentagem apresentada nessa pesquisa. Segundo os ex-graduandos, em uma média de 20 formados, apenas 1/4 dos engenheiros são aproveitados pelo setor industrial privado e o número de desempregados é praticamente a metade.

Um dos participantes dessa enquete, o Engenheiro Químico Leandro Borges, ativo na empresa Serpro Indústria de Produtos Químicos, demonstrou uma forte preocupação sobre a presente situação do mercado de trabalho. Veja o seu comentário:

- A busca por emprego na área tem sido intensa. Com a falta de investimento em nosso setor, as empresas privadas diminuem as vagas para os cargos de engenharia na tentativa de minimizar seus gastos. Isso, junto do crescente número de formandos, faz com que os novos engenheiros aceitem salários abaixo do piso.

Praticamente todos os ex-alunos participantes dessa pesquisa compartilharam da mesma opinião que o engenheiro Leandro e quando foi apontado a eles o valor do contracheque inicial do engenheiro químico de oito salários mínimos, como referenciado pela revista Pense Empregos numa matéria diferente da anteriormente citada, também em 2013, os novos engenheiros tiveram um pouco de dificuldade para julgar tal informação devido à falta de parâmetros sobre o assunto. A engenheira recém formada pela Universidade Rural, Tainá Valente atuante na área de pesquisa, compartilhou sua experiência ao concluir a graduação. Segue abaixo a explicação da mesma:

- É um pouco difícil comentar sobre tal informação salarial, pois até o momento não conheço ninguém que tenha sido, inicialmente, contratado como engenheiro químico. A realidade a qual pude observar, é que os recém formados os quais conseguem um emprego, são contratados na maioria das vezes para atuar em outros cargos com salários inferiores ao citado, ainda que a real atividade desempenhada seja análoga a de um engenheiro químico.

Essa resposta também representou a opinião majoritária dos entrevistados. Muitos ainda chamaram atenção ao ponto de que o quando as empresas pagam o salário correspondente à profissão, elas pedem algum tipo de especialização e/ou experiência, a qual o recém-formado obviamente não possui. Duas ex-alunas da Universidade Rural nos ajudaram a entender esse ponto. A engenheira química Núbia Caroline de Almeida observou:

- A busca por emprego na área tem sido frustrante. Quando há vaga, as empresas pedem algum tipo de especialização ou tempo de experiência, e quando se consegue partir para algum trainee, o engenheiro químico acaba competindo com os mais variados cursos e de quebra recebe como se fosse estagiário.

Para completar essa ideia, a recém-contratada pela empresa Graham Packaging, Silvana Cobé opinou:

- Acredito que formar sem ter um estágio e ser contratado de imediato por uma empresa, é uma situação muito difícil de acontecer. Alguns recém-formados partem para o mestrado por falta de oportunidade, mas eu acho que não seja um problema unicamente da engenharia química, creio que qualquer outra formação na área de engenharia tem vivido do mesmo drama. Quem se forma, demora em média de 06 a 12 meses para conseguir o primeiro trabalho e alguns têm a sorte de ser contratado porque já vieram de algum estágio.

Realmente, a realidade da profissão, vista do início de sua jornada, não tem se mostrado muito atraente. Através da ajuda dos entrevistados, obtivemos uma noção melhor da situação do mercado de trabalho para o engenheiro químico, uma vez que dificilmente é encontrado esse tipo de informação por via de nossas diversas mídias globais. Esperamos que a partir disso, o público de estudantes de engenharia química do Brasil consiga caminhar mais atentamente aos desafios existentes no início da carreira e que num futuro bem próximo, esses depoimentos possam trazer, em grande quantidade, boas novas para essa nobre profissão.

BIBLIOGRAFIA:

Um comentário:

  1. Isso é muito triste, principalmente com o cenário atual. Torçamos para que isso melhore!

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