sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

VISÃO DO MERCADO PELO MERCADO

José Carlos Medeiros Vieira - Engenheiro de Processos Alcoa
(Texto enviado pelo Trainee Beta EQ e estudante da UFRN, Gustavo Molina)

“Granada sem pino”, “ano complicado para todos os setores”, “baixa procura”, “demissão coletiva”, isso com certeza assusta o nosso leitor ao ver comentários sobre 2015, principalmente se ele se formou ou se está para se formar nesse ano que está por vir. De fato, pode parecer desanimador, mas “desde que o mundo é mundo” várias crises existem e elas existem pare encontrarmos formas de serem enfrentadas e, mais, de criarmos caminhos inovadores de passarmos por ela de forma a reduzir cada vez nossos gastos, impactos, isto é, mostrar a utilidade do nosso trabalho enquanto Engenheiro Químico.

Diante de um cenário como este, como garantir a empregabilidade ou o sucesso profissional? Para José Carlos Medeiros Vieira, Engenheiro de Processos da Alcoa, a alta do preço da energia, escassez de água e alta tributação implicam em poucos investimentos, mas nem tudo está acabado; alguns setores da economia se mostram mais robustos diante destas mudanças e estão preparados para investimentos no país e com isto novas oportunidades para os Engenheiros Químicos. 

Luis Gustavo - Field Engeneer Schlumberger
Em concordância com essa afirmativa, Luiz Gustavo Guimarães, Field Engineer da Schlumberger no México, aponta setores de mais resiliência, tais como as indústrias de alimentos, tecnologia, farmacêutica, sucroalcooleira (com a volta da Cide tende a impulsionar o setor em curto/médio prazo) e, também complementa o Engº Vieira, com alguns produtos com pouco valor agregado se mostram promissores, devido à alta disponibilidade de matéria prima, e grande volume de produção, tais como: minérios metalúrgicos (bauxita, ferro, zinco,...); químicos básicos: tintas, gases de processo; adubos, cimento e celulose são mercados com mais estabilidade; indústrias que geram ou são autossuficientes em energia elétrica em seus processos também chamam a atenção.

Pedro Kool - Engenheiro Químico
Diretor Globaltek
Ainda complementando essa lista, Pedro Kool, Engenheiro Químico Diretor da Globaltek, aponta outras tendências como energias renováveis, remediação de meio ambiente, tratamento de efluente, de água, sistema de recuperação, urbe sustentável e processos microbiológicos os quais estão crescendo muito e vindo como um novo caminho para usarmos energias de microorganismos ao nosso favor.

Mas vem cá, e não tão dizendo por aí que tem muita vaga pra Engenheiro Químico, porque tem tanta gente desempregada? O que eu faço para Entrar nesse mercado então? Talvez essa seja a pergunta mais batida por qualquer um que queira entrar no mercado. Nivelando por baixo, quase todos hoje possuem inglês, fizeram um bom curso de Excel, tiveram experiência no exterior com o advento dos programas de mobilidade internacional em massa e  melhoraram seu relacionamento interpessoal e o desenvolvimento do seu networking, alguns possuem pós-graduação ou fizeram um bom estágio, outros foram ativos durante a universidade participaram do seu desenvolvimento, e como aponta o Eng. Vieira, para competir em alguns nichos muitos se mostram disponíveis para residir em regiões mais longínquas e possuem vontade de trabalhar em áreas mais operacionais.

Como então ser diferente, ter um diferencial?

O Eng. Kool aponta que a maior motivação mediante a todas esses enfrentamentos é a mudança de pensamento. Parafraseando-o “Não é o dinheiro que vai valer a pena. O jovem engenheiro que colocar o dinheiro como sua força motriz será um grande alienado, como a grande maioria dos seres humanos hoje. Precisamos ser resilientes para tornar o planeta terra viável porque ele está se tornando inviável com esse modelo de consumo.” O Diretor da Globaltek ainda ressalta a importância de deixarmos de ter aquele espírito enraizado no brasileiro de “Gerson do futebol” e arregaçarmos as mangas.

André Ballalai - Consultor IMS Health
Seguindo a mesma linha de pensamento, André Ballalai, Consultor do IMS health, comenta que com o grande crescimento do mercado da Engenharia Química fez com que esse inflasse e, por consequência, ficasse escasso de profissionais aumentando assim os salários, de forma até não sustentável. A conhecida geração Y criou um mito de que mesmo recém-formados deveriam ter salários altíssimos a galgar posições de liderança e tomada de decisão nas empresas, o reflexo disso é o altíssimo turnover nas posições mais juniores das empesas, especialmente no programas de trainee. Por isso, para entender o mercado e saber aonde quer chegar, André deixa uma dica que ouviu de um VP de um banco certa vez: “estudo, planejamento e execução”. Após entender o que você quer e aonde você quer chegar, você precisa por seu plano de carreira em prática, executar, correr atrás e trabalhar, trabalhar muito.

Tá bom. Eu já sei as áreas que tão legais, já sei a postura que o mercado espera de mim, dá pra me recordar algumas formas de como eu posso entrar no mercado? 

Janói Santos
Engenheiro de Automação Vichem
No sentido do acesso ao mercado, Janói Santos, Engenheiro de Automação da Vichem (Suíça), aponta que com a grande competitividade do mercado criada pelos fatores citados pelos demais entrevistados, o mercado não proporciona grandes variações salariais. Então, na visão dele, a saída é se envolver em várias atividades durante a graduação e fazer um bom estágio, se possível agarrar um primeiro emprego, independente do salário, que depois desse emprego as coisas fluem. “Depois que está no mercado, você compreende melhor como as coisas funcionam, dê seu jeito de entrar”.

Existe também a opção dos trainees que foi apontada por Vieira, Luiz e por Janói. O engenheiro da Schlumberger apontou ainda, diante da versatilidade do Engenheiro Químico, a tentativa de infinidade de concursos públicos, tanto dentro da própria área de atuação quanto fora dela. Janói defende ainda a importância de desenvolver certos skills caso você almeje um programa trainee. “Trainee é um programa caça-líder, e como todos sabemos, nem 10% das pessoas do mercado chegaram a um cargo de liderança” cita o Engenheiro da Vichem.

Agora leitor do Beta EQ, cabe a você saber as skills que precisa e o mercado que quer entrar. Saiba, crise existe e sempre vai existir, o diferencial é você. Cresça a medida do seu tempo e não coloque a “carroça na frente dos bois”. De fato, nunca acredite em historias de carreiras meteóricas contadas por pessoas que dizem é fruto da sua genialidade. Muito menos acredite que momentos de crise os empregos “somem” e a culpa é do mercado. Como fala o Consultor do IMS health “Eu me formei exatamente um mês antes da crise de 2008, e isso não me impediu de continuar buscando meus objetivos.”.

Ah, e lógico, como não desejar, BOA SORTE! Afinal, encerrando com o André:

“Assumir um cargo gerencial é apenas o resultado de dedicação e planejamento, mais ainda, ensinará que existem também uma parcela de sorte de ‘estar no lugar certo na hora certa’ e neste ponto nunca tive vergonha de assumir que nos dois momentos mais importantes da minha carreira, eu estava de fato preparado para assumir o novo desafio, mas com toda certeza eu estive no ‘lugar certo na hora certa’ por uma boa parcela de sorte.”

Nenhum comentário:

Postar um comentário