quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

ESTÁGIO: LOADING... [ENTREVISTA: MARCOS OLIVEIRA FILHO]

(Texto enviado pelo Trainee Beta EQ e estudante da UFRN, Murilo Maioli)

No final da graduação em engenharia química, os estudantes podem optar pelo estagio ou pelo TCC (Trabalho de conclusão de curso). Independente da escolha, o desafio é enorme. No caso do estágio, os estudantes precisam se preocupar com o currículo, entrevista, provas, dinâmicas em grupos e outras especificidades de cada empresa.


A fim de entender melhor esse momento da carreira da maioria dos estudantes, entrevistei o quase-formado Marcos Antônio Oliveira Filho, 21, Caíco-RN. Ele ingressou na UFRN em 2011.1 e se forma esse ano, 2015.1. Durante a graduação. Marquinhos desempenhou várias funções dento do CA (Centro acadêmico), como, diretor esportivo e diretor financeiro. Coincidentemente, ele também foi diretor financeiro na Nuteq, a empresa júnior. Além disso, ele desenvolveu pesquisas no laboratório de engenharia bioquímica e no laboratório de tratamento de águas a partir do IC, Iniciação cientifica.

Apesar de participar de vários projetos dentro da UFRN, Marquinhos ainda conseguiu participar do BRAFITEC, ou seja, passou um ano na França, onde, conseguiu aprender uma nova língua e estudar matérias fora da grade curricular de engenharia química oferecidas pela UFRN.
Graduação

1.Antes de tudo, por que você escolheu engenharia química?
Bem, naquela época de “Pré” eu não tinha noção do que era engenharia química. Então, olhei a grade curricular e notei algumas matérias que gostava e outras que não tinha nem ideia do que era. Mas, oque mais me atraiu foi a quantidade de física e as operações unitárias apesar de saber apenas o básico do teórico, como, a destilação.

Além disso, o mercado é bem abrangente e, naquela época, 2011, tínhamos a ilusão que sairíamos da faculdade empregado, ou seja, o mercado estava muito aquecido.

2. O curso foi aquilo que você esperava? Quais foram as maiores decepções e surpresas?

O curso foi aquilo que eu esperava tanto em termos de aprendizado como em termos de dificuldade, mesmo eu achando menos difícil do que eu esperava. Além disso, a abrangência do curso, ou seja, a possibilidade de trabalhar em várias áreas também não me surpreendeu.

Dentro das decepções está o nível dos professores em lecionar as matérias dentro da UFRN. Em geral, eles não têm metodologia e são mais voltados para pesquisa. Mas isso é um problema do Brasil, pois confundimos professor com pesquisador.

Uma surpresa que me agradou muito foi a possibilidade de misturar biológica com engenharia química, por exemplo, na bioengenharia ou na biotecnologia. Eu tive tanta afinidade com essa área que pretendo segui-la.
3. No momento de procurar estagio, você se sentiu preparado pelos seus professores, mentores e pela própria faculdade?

Eu não me senti preparado porque no momento em que procuramos estagio uma das principais etapas é a entrevista e/ou a dinâmica de grupos, além da preparação do currículo. E, na faculdade, não aprendemos esses detalhes. Na maioria das vezes, precisamos procurar por fora, como, conselhos de alguns amigos experientes. Além disso, não conseguimos empregos por causa dos nossos conhecimentos técnico, mas, sim, pelo nosso desempenho na entrevista e nas dinâmicas.

Outro aspecto problemático na faculdade é a falta de divulgação das oportunidades existentes no estado. Entretanto, alguns professores fazem esse papel e nos ajudam a procurar estagio. 

Estágio

4. Quais as mídias (Redes sociais, sites, jornais e revistas) foram utilizar para procurar o estágio?

O principal meio usado foi a indicação de amigos mais experientes que sabiam quais empresas contratam estagiário, até porque nem todas contratam. Acho que algumas empresas não contratam, pois acham que isso seria um custo a mais. Eu não concordo, mas eles devem ter suas razoes.

Um meio muito bom de procurar estagio é através dos sites especializados nisso, como, Cia de talentos ou vagas.com. Ou ainda, se conhecemos a empresa, podemos entrar no site da empresa e procurar por “carreiras” ou “trabalhe conosco”, a fim de saber como se candidatar à uma vaga. Além disso, um dos meios mais eficientes é através de cartas de indicações. 

5. O network criado por você durante a graduação ajudou a achar estagio? 

Eu não fiz um network bacana porque não fui à nenhum congresso, então não cheguei a conhecer o pessoal dos outros estados. Mas eu fiz um bom network com meus próprios veteranos e, até hoje, eles me ajudam muito.

6. A procura por estagio foi a nível nacional, regional ou estadual? Por que?

Inicialmente, eu procurei estagio a nível estadual, em especial, em Natal, pois ainda estou cursando algumas matérias na faculdade é não posso me ausentar. Depois de estagiar seis messes em Natal, eu quero estagiar fora do Brasil na área de fármacos.

7. Durante a procura, você se focou em alguma área especifica, como, petrolífera, metalúrgica, farmacêutica etc? Por que?

Como eu estou restrito à minha cidade, não tive o luxo de procurar estagio na área que eu quero. Mas, eu procurei empresas que oferecem estágios para engenheiros, até porque não adianta trabalha em uma indústria como assistente de laboratório. 

8. As ações sociais e ambientais das empresas influenciaram suas escolhas durante a busca por estagio? Qual sua opinião sobre esse tipo de iniciativa empresarial?

Sempre que estou procurando algum estágio, eu entro no site da empresa ou procuro me informar sobre suas ações sociais e iniciativas ambientais, pois acho isso um diferencial entre elas, principalmente, a parte ambiental.

Muita gente procura o estágio independente da empresa, mas se você pesquisou e mostra interesse pela empresa, você possui um diferencial. E é isso que o pessoal do RH procura, eles querem saber se você tem sangue nos olhos para colocar a empresa pra frente.

9. No final, qual panorama você pode nos dar sobre o mercado para os recém-formados em engenharia química?

Eu posso dizer que paras os recém formados em engenharia química aqui em Natal, o panorama está complicado se você quiser estagio, principalmente, em indústria. Mas, com certeza, você encontra, basta ter os meios certos e se preparar principalmente para as entrevistas.

Especificamente pro engenheiro químico, o Rio Grande do Norte tem um mercado limitado porque temos poucos industrias, como, a Ambev que abre um ou duas vagas por semestre; A Petroenge consultoria que geralmente abre algumas vagas, além da Starlux que sempre abre também. Se não, você vai ter que partir pros campos mais especializados como engenharia de alimentos ou engenharia têxtil e procurar industrias como a Sterbom (Alimentos) e a Guararapes (Têxtil). Se você não se limitar a Natal, existe cachaçarias e indústria de cana de açúcar no interior. 

Carreira

10. Qual carreira você pretende seguir: acadêmica (Mestrado e doutorado) ou profissional (Especialização e MBA)?

Inicialmente, quero passar uns 15 â 20 anos trabalhando na indústria, mas, se aparecer a oportunidade de ocupar um cargo na gerencia e fazer um MBA, com certeza, vou fazer. Depois de adquirir bastante experiência na indústria, eu quero passar esse conhecimento adiante, até porque acho que isso é um déficit muito grande nas universidades do Brasil. Em resumo, eu quero adquirir experiência na indústria, viver da indústria e depois passar o conhecimento para os futuros engenheiros.

Além disso, eu já pensei em montar minha própria empresa, mas esse projeto está em “stand by”, pois acredito que eu faria um trabalho melhor com alguma experiência previa na área da indústria. 
11. Os concursos públicos são amados por causa da estabilidade financeira. Qual sua opinião sobre eles? Você acredita que a carreira pública é uma boa opção para os engenheiros químicos?

Eu concordo que o emprego público é bastante estável e, se é isso que você quer, estude muito. Muitas pessoas costumam entrar em um mestrado e, nas horas vagas, estudam pros concursos. Em geral, eles demoram de uma a dois anos para conseguir passar em algum concurso.

O problema é a dinâmica do trabalho, você vai passar bastante tempo executando a mesma tarefa, além de, em muitos casos, precisar se aliar à algum partido, a fim de melhorar de cargo, pois existem muitos cargos comissionado.  

12. Defina engenharia química pra você.

Eu não ainda não pensei em uma frase bonita para dizer, mas, pra mim, engenharia química é aumentar a eficiência do processo e o lucro, sem esquecer da parte ambiental.

3 comentários:

  1. A entrevista me agradou bastante, pois percebemos uma linguagem simples e que mostra todo o contexto profissional atual de maneira realista. Parabéns!

    Wallas Souza.

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  2. Parabéns a Murilo e Marcos Filho, bela entrevista, retrata muito bem a realidade de Mercado, mostrando as dificuldades que enventualmente um estudante de Engenharia Química poderá enfrentar em um futuro próximo.

    Yan Medeiros.

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