quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

ENGENHARIA SOCIAL

(Texto enviado pelo Trainee Beta EQ e estudante da UEM, Felipe Morelli)

Tenho acompanhado e apostado em uma das grandes promessas do século XXl: a garantia de direitos humanos básicos para toda a população mundial. Alinhando essa perspectiva mundial que diz respeito à todo conhecimento do homem à Engenharia Química, penso em uma grande e promissora área a fim de sanar os grandes problemas mundiais: Empreendedorismo na Engenharia Química, especialmente um tipo específico dele.
 

Ouve-se sobre empreendedorismo em todos os lugares no meio universitário e, de fato, o nome está na moda no Brasil, principalmente quando se fala em Startup: embora não haja consenso quanto a sua definição, trata-se basicamente de uma empresa com crescimento rápido. Entretanto, há um conceito novo nascendo chamado de Empreendedorismo Social, tema a ser aprofundado com conceitos e exemplos, que é por vezes confundido como uma simples instituição do terceiro setor, como ONGs e Instituições Filantrópicas.

O Empreendedorismo Social gera lucro, como todas as outras empresas, mas tem como prioridade resolver um problema social e, portanto, quanto mais ela cresce, mais o problema é resolvido, ou seja, melhor o mundo fica. São empresas que tem como público alvo as populações de renda baixa, ou seja, atendem a base da pirâmide, como se tem dito. Penso que mesmo antes de eclodir o conceito, muitas das organizações podiam também ser enquadradas dessa forma por seu alto impacto social.  

Um bom exemplo de negócio social na Engenharia, que foi divulgado em vários dos portais de rede nacional, é a “Little Sun”, que leva luz para países Africanos onde não tem acesso a esse recurso básico. A lâmpada é recarregada com energia solar. São comerciantes dessas regiões que vendem o produto a baixo custo e os dados são animadores. Até agosto de 2014, 85 mil lâmpadas tinham sido vendidas nos países sem acesso a energia com 200 comerciantes vendendo o produto, beneficiando mais de 280 mil pessoas. Acredito que a Engenharia Química possa igualmente contribuir com seu conhecimento para negócios de impacto social, principalmente porque há inúmeros projetos de impacto se espalhando e pouquíssimos deles são da nossa área, havendo, portanto, um gap nesse setor.

Como instituição que incentiva e acelera o Empreendedorismo Social, acredito que mereça destaque a Artemisia1. Sua fama aumentou por conta do “Movimento Choice”: maior rede de universitários engajados em negócios de impacto social no Brasil. A instituição promove cursos sobre negócios sociais e acelera empresas que tem como primícias o impacto social. 

Os principais setores atendidos pela Artemisia são: Educação, como o Kiduka2, plataforma educacional que, baseada em games e fundamentada nas diretrizes curriculares nacionais, motiva professores e alunos do ensino fundamental a estudar muito mais; habitação, como a Vivenda3, projeto fantástico que faz pequenas e simples reformas em casas na favela, com preço acessível e parcelamento de até 12 vezes; e saúde a Saútil4, consolidada no mercado, que disponibiliza gratuitamente informações sobre medicamentos e recursos gratuitos, fornecidos pelo governo, além de fornecer informações por especialista sobre saúde e bem estar. Por fim, há projetos relacionados a Serviços Financeiros, como o Banco Pérola5, instituição sem fins lucrativos voltada a concessão de créditos para quem necessita, especialmente a jovens empreendedores que não conseguiram crédito nos bancos tradicionais pelas suas inúmeras exigências. Tanto que o projeto Vivenda tem uma imensa parceria com esse banco, pois a maioria dos clientes da Vivenda precisam financiar as reformas e o banco pérola sede crédito com juros baixos, bem abaixo do mercado. 

A pergunta que nos resta é: mas como a nossa Engenharia pode contribuir para esse movimento? O que nós de fato podemos fazer, com nosso conhecimento técnico, para resolver os grandes problemas do mundo? Tenho como premissa não dar respostas, e sim mais perguntas. Entretanto, a fim de ceder um direcionamento, conheci um projeto no ano passado que visava, por meio de um processo de secagem, obter iogurte em pó com a manutenção de suas propriedades benéficas a saúde, e sendo necessária apenas a adição de água para consumi-lo, a fim de tornar viável seu transporte a lugares de baixa renda, como África, que enfrentam quadros de desnutrição. Ou seja, o projeto é basicamente o desenvolvimento de um novo processo, como qualquer outro, mas seu intuito é o impacto social. Portanto, uma das poucas respostas que quero responder é como que eu posso ajudar o mundo com aquilo que sei; sou um amante das perguntas, mas reconheço a importância de algumas respostas. 

Por fim, mas não menos importe, convido você a conhecer o case da Solidarium, uma empresa que tem ajudado artesões por todo o Brasil. Aproveita e conheça também o programa “Vai que dá”, responsável pela reportagem, da Endeavor, empresa que incentiva o empreendedorismo no Brasil e no mundo. Segue o link do vídeo.

https://www.youtube.com/watch?v=DhfJ3UZon_A&list=PLNqvSDwXnyNzHXyZp-3O_EftWe2wtq_HS&index=3

Referências
[1] http://artemisia.org.br/
[2] http://www.kiduca.com.br/kiduca/
[3] http://programavivenda.com.br/
[4] http://www.sautil.com.br/
[5] http://www.bancoperola.org.br/site/

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