segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

DO PETRÓLEO VIESTE, AO PETRÓLEO RETORNARÁ!

(Texto enviado pelo Trainee Beta EQ e estudante da Newton Paiva, Thiago Faria)

A exploração de recursos naturais é uma atividade que se confunde com a própria evolução da humanidade, possibilitando progresso, conforto, melhoria na expectativa de vida, dentre outras inúmeras vantagens. Contudo, não é segredo que as consequências do descarte incorreto, da não reciclagem e também de acidentes ambientais envolvendo esses recursos podem tomar proporções calamitosas se os cuidados necessários não forem tomados ou que medidas eficientes sejam adotadas depois desses desastres já terem ocorrido. Para o bem das futuras gerações, soluções inteligentes e inovadoras se fazem cada vez mais necessárias em um cenário mundial de crescente escassez de recursos.


O petróleo, uma das maiores fontes de energia do mundo é também responsável por grande parte da poluição no planeta, seja pela emissão de CO2 na sua queima, pelo descarte incorreto de seus subprodutos ou mesmo por acidentes envolvendo sua prospecção, transporte ou processamento.  Um desastre ocorreu no Golfo do México em 2010, onde uma plataforma de petróleo explodiu matando 11 pessoas e lançou entre 3 e 4 milhões de barris de petróleo no oceano, causando prejuízos incalculáveis. 

Visando mitigar o impacto da exploração de petróleo no meio ambiente, constantes pesquisas são realizadas, seja na indústria ou em universidades. Pesquisadores da UFMG, no mesmo ano do desastre no Golfo do México, desenvolveram um material com alta capacidade de absorção de compostos orgânicos e repelente à água denominado nanoesponja hidrofóbica, produzidas a partir do mineral vermiculita.   Um estudo iniciado em 1999 na UFRJ, resultou no desenvolvimento de um detergente biodegradável produzido a partir da bactéria Pseudomonas aeruginosa que permite a redução da “tensão superficial da área fronteiriça entre água e óleo, facilitando a mistura desses líquidos e a posterior degradação do petróleo” 1 . Na Universidade Federal do Ceará a utilização de micro-organismos também fez parte de uma pesquisa, na qual a bactéria Bacillus subtilis foi agregada a microesferas de quitosana. O material possui propriedades de absorção do petróleo, já o micro-organismo consegue degradar o petróleo, indicados para aplicação em contaminações de menor escala. Em estudo mais recente, o Departamento de Química da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto (FFCLRP) da USP desenvolveu uma esponja capaz de absorver até 85% do petróleo proveniente de vazamentos no mar. Tal material, composto por polímeros flexíveis como o PVC e o poliuretano, possui estruturas “denominadas cucurbiturilas, que contam com uma cavidade central hidrofóbica capaz de acomodar moléculas de óleos ou produtos químicos que não se misturam à água.”2 Sua reutilização pode ser realizada no mínimo 10 vezes!


Reciclar os já mencionados subprodutos tais como o plástico para a fabricação de bens de consumo ou mesmo para transformá-lo novamente em petróleo, já é uma realidade. Em 2010, o japonês Akinori Ito, empreendedor e professor da Universidade da ONU em Tóquio, desenvolveu uma máquina portátil que consegue converter aproximadamente 1 kg de plástico em 1 litro de petróleo, utilizando somente 1 Kilowatt de energia para tal proporção. Em escala comercial, a indústria americana Agilix, fundada em 2004, desenvolveu há alguns anos um sistema baseado em aquecimento indireto para conversão de plásticos, até então não recicláveis, em petróleo com aproveitamento de até 75% da matéria-prima. Outras indústrias como RES Polyflow e a Cynar Plc desenvolveram sistemas de reciclagem de plásticos baseados na pirólise e na destilação para produção de óleos crus e sintéticos. Tais indústrias continuam a desenvolver e aperfeiçoar seus processos de reciclagem, contribuindo para um mundo mais sustentável. 

As alternativas para conter os impactos causados pelo ciclo produtivo do petróleo e seus derivados são muitas e despertam crescente interesse em cientistas, empreendedores e estudantes, sendo inúmeras as possibilidades de ganhos para humanidade. Contudo, todo esse processo começa na conscientização de cada ser humano, seja na utilização consciente dos automóveis, reciclagem de resíduos plásticos, ou mesmo na educação de uma criança, instruindo-a desde cedo a direcionar o lixo corretamente.

Vídeo: Transformando plástico em petróleo

Referências:
1 - http://revistapesquisa.fapesp.br/2010/10/29/entre-esponjas-e-detergente/
2 - http://revistapesquisa.fapesp.br/2014/08/21/esponja-suga-petroleo-mar/
http://veja.abril.com.br/blog/ricardo-setti/tema-livre/video-a-maravilhosa-maquina-que-    transforma-lixo-plastico-em-petroleo-usando-engenharia-reversa/
 https://www.polymersolutions.com/blog/converting-plastics-to-oil/
 http://cleantechnica.com/2011/02/14/award-winning-inventor-makes-fuel-from-plastic-bags/

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