terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

DO ESTÁGIO OBRIGATÓRIO AO PRIMEIRO EMPREGO - ENTREVISTA: FRANCIANE BERTOTTI

(Texto enviado pela Representante Beta EQ e estudante da UNIOESTE, Fernanda Rengel)

Muitos estudantes saem de sua cidade natal para buscar o seu sonho de fazer uma graduação. Ser Engº Químico é o desejo de muita gente, a graduação em si já é difícil, uma grade curricular extensa recheada de cálculos, reatores, fenômenos de transporte e por aí vai. Mas depois de passar por vários obstáculos, noites mal dormidas e algumas festas, finalmente, o acadêmico chega ao último ano e aí, em minha opinião, começa o maior desafio: o estágio obrigatório e a busca pelo primeiro emprego. Para nos contar um pouco dessas experiências entrevistei a Engª Química Franciane Bertotti que é recém-formada pela UNIOESTE-PR.


Representante Beta EQ: Franciane, acredito que a primeira grande preocupação que temos durante a graduação seja a busca pelo estágio obrigatório. Como foi essa experiência pra você? Foi muito difícil?

Franciane: Realmente, dentre tantas preocupações à que somos submetidos durante a graduação, o momento de buscar uma vaga de estágio obrigatório torna-se um pouco "assustador", porque é nessa hora que nos damos conta da realidade, de que falta pouco para competirmos pelo nosso lugar no mercado de trabalho. A minha maior preocupação foi a seguinte: onde eu vou fazer estágio e será que vou conseguir uma vaga dentro dos prazos estabelecidos pela universidade?

Foi assim que a luta começou por uma vaga... Comecei a mandar e-mail para todas as indústrias que tinham processo seletivo em aberto. No entanto muitas das empresas sequer respondiam o e-mail, e eu ficava numa angustiante espera por uma resposta que não tinha previsão de chegada. Compartilhei também experiências de alguns colegas que muitas vezes participavam de dinâmicas e não recebiam resposta se tinham sido selecionados ou não. Quando eu era selecionada para alguma dinâmica, ficava muito feliz, mas sabia que ser chamado para a dinâmica não garantia a vaga do estágio, mas a busca continuava.

Representante Beta EQ: E o que tu acha que foi seu diferencial na entrevista que conseguiu estágio?

Franciane: Nas dinâmicas que participei percebi a grande importância de fazer estágio extracurricular durante a graduação. No entanto, o curso de Engenharia Química é integral na maioria das universidades, até mesmo pela grande quantidade de carga horária, e isso limita um pouco o nosso tempo para desenvolvermos outras atividades. Eu me arrependo de não ter me esforçado mais, e ter dado prioridade a um estágio de férias, ao invés das férias depois de um longo e cansativo ano de estudo (risos). Mas enfim, acredito que o diferencial na entrevista em que fui selecionada foi ter calma e tranquilidade na hora de me apresentar e de falar sobre as atividades que realizei durante a graduação. Mesmo que eu não tenha feito estágio de férias, eu fiz estágio em um laboratório na minha universidade, como voluntária, participei de Empresa Jr. e também fiz iniciação científica.

Representante Beta EQ: E durante o estágio, tu acredita que exerceu atividades de um engenheiro? Qual foi a maior dificuldade?

Franciane: Sim, com certeza Fernanda. Meu estágio foi no setor de produção de um frigorífico. Eu desenvolvi um projeto de otimização na produção de cozidos (linguiça calabresa) e curados (salame). E foi um grande desafio, porque essa foi a primeira vez que eu pisei em uma indústria para desenvolver alguma atividade. Durante o estágio eu tive a oportunidade de conhecer o fluxo do processo industrial, e a importância de um Layout adequado para que as atividades se desenvolvam da melhor maneira possível.

O primeiro dia do estágio foi um pouco impactante, pois recebi a missão de otimizar um processo que eu não tinha conhecimento. Foi nessa hora que tive que recorrer aos conhecimentos obtidos durante a graduação e associar à proposta que recebi no meu projeto de estágio. Percebi também que atuar como engenheiro na prática é uma realidade muito diferente da que vivemos durante a graduação. Na indústria é preciso aprender a utilizar o que tem no momento, muitas vezes falta um determinado equipamento e é necessário aderir a popular "Gambiarra" (risos) ou como dizem "fazer algumas adequações" é nesse sentido que temos que ter criatividade para pôr em prática a teoria que aprendemos na graduação, é claro com responsabilidade.

E uma das principais lições que eu tive do estágio foi a seguinte: Mais do que paredes e máquinas a indústria é formada por seres humanos, cada um com suas habilidades e suas limitações. Por isso ao atuarmos em nossa profissão de Engenheiros Químicos não devemos nos esquecer do lado humano, não devemos pensar como máquinas e nem "nos deixar cegar pelo brilho da tecnologia", como foi citado no juramento na colação de grau da minha turma.

Representante Beta EQ: Agora, para encerrar Fran, faz pouco mais de um mês que você está formada, e já está trabalhando, muitos colegas ainda não estão, você está satisfeita com essa primeira oportunidade de emprego?

Franciane: Acredita-se que uma grande oportunidade de conseguirmos o primeiro emprego é na empresa em que fizemos nosso estágio obrigatório. Porém não foi isso que aconteceu comigo. Ao final do estágio o meu supervisor veio conversar comigo e falou que no momento não havia vaga na unidade em que eu trabalhei. Fiquei decepcionada. Mas não parei de mandar meu currículo para outras empresas. E comecei a reviver a busca por uma vaga, agora não mais de estágio e sim de emprego. E percebi que a realidade do recém-formado é ainda mais árdua. A maioria das empresas deseja que seu futuro colaborador tenha "experiência profissional". Aí eu me pergunto como ter experiência profissional sem ter antes uma primeira oportunidade?! Por isso que o recém-formado busca pelo "primeiro emprego", nós precisamos de uma primeira chance para poder mostrar como podemos contribuir a partir do conhecimento obtido na graduação. A falta de experiência profissional é o fator que mais contribui na dificuldade de encontrar o primeiro emprego. Por isso reforço a importância de fazer outros estágios além do estágio obrigatório.

Felizmente, alguns dias após a minha colação de grau recebi a notícia, por telefone, que eu havia sido selecionada para trabalhar em uma indústria farmacêutica, no setor de PD&I (Pesquisa desenvolvimento e Inovação). Comecei trabalhar dia 12 de janeiro de 2015 e estou feliz com o meu primeiro emprego. Trabalho no turno C das dez da noite às cinco e meia da manhã. Fiquei um pouco assustada com o horário (risos), mas acredito que será uma grande oportunidade para adquirir experiência no mercado de trabalho.       Pretendo também fazer mestrado quando surgir oportunidade, não podemos parar de estudar. As empresas estão buscando profissionais cada vez mais capacitados e com nível de instrução elevado.

Representante Beta EQ: Franciane, muito obrigada pela entrevista.

Franciane: Fer, posso deixar um recado aos Engenheiros Químicos?

Representante Beta EQ: Fique à vontade!

Franciane: Em uma das aulas da disciplina de projetos, o meu professor falou o seguinte: "Vocês são Engenheiros Químicos, estão se formando não para procurar emprego e sim para GERAR EMPREGO", nunca ninguém havia falado isso para a minha turma. Talvez, eu ainda não tenha maturidade e experiência suficiente para gerar emprego, mas base para isso a gente tem! E por mais que muitos dos recém-formados ainda não conseguiram o primeiro emprego é preciso ter paciência e não se acomodar! Pelas poucas experiências que tive conversando com os colaboradores das indústrias tanto no estágio como nos primeiros dias de emprego, percebi que se manter na iniciativa privada não é fácil, não sabemos quando terá uma crise econômica no país, não sabemos se amanhã teremos emprego. Sendo assim, nada nos impede de sermos donos do nosso próprio negócio, nada nos impede de estudarmos para um concurso e garantir estabilidade financeira. Mas acima de tudo façam o que vocês gostam e sigam os caminhos que vocês têm mais aptidão na profissão que escolheram. Essa é a grande vantagem dos Engenheiros Químicos, o campo de trabalho é muito vasto. Por fim, desejo boa sorte a todos, e para quem pensou que a formatura é o final de tudo, digo que a jornada só está começando e que certamente dificuldades maiores do que as encontradas na graduação virão, mas devemos ser perseverantes e não desistir dos nossos sonhos. Pois temos capacidade para exercer com sucesso a nossa profissão! Um abraço!

Representante Beta EQ: Muito Obrigada, Franciane, pela entrevista e por compartilhar um pouco da sua experiência com nós. Desejo a você muito sucesso!

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