terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

A VIDA COMO ELA É: A DURA REALIDADE DOS RECÉM-FORMADOS EM ENGENHARIA QUÍMICA

Inspirado na crítica ultra construtiva enviada por uma engenheira química formada na nobre PUC/PR, resolvo vir a público expor minha visão sobre o que passa os recém-formados em Engenharia Química. Desemprego e salários abaixo do piso norteiam grande parte desses novos engenheiros químicos. O choque de realidade começa assim que o tão sonhado diploma é enfim conquistado.

Da alegria à decepção. Muito do que fora ensinado dentro de sala de aula pouco se aplica a realidade da indústria. Fluência em idiomas, conhecimentos de Lean, Six Sigma, conhecimentos em softwares de Engenharia (...) são uns dos muitos requisitos impostos pelo Mercado e pouco difundidos ao longo da graduação. Diante dessa dura realidade encarada por muitos, a saída para grande parte dos engenheiros é resumida em uma só palavra: Mestrado.

Esse é um problema gravíssimo. O Mestrado deve ser desejado, algo que você queira de verdade! Não pode ser a única opção de muitos. O futuro da excelência no ensino de Engenharia Química passa pelos futuros professores e ingressar em um programa de Mestrado descrente da sua carreira e desestimulado pela realidade encontrada, pode ser um caminho sem volta para o curso de Engenharia Química como um todo. Todavia, como culpar alguém que não encontrou oportunidades no Mercado e não quer ficar simplesmente parado? Sim, o Mestrado pode e deve ser considerado como uma excelente opção. O grande erro é ela ser a única.

Enxergar o problema é o primeiro passo: a realidade dos recém-formados em Engenharia Química, de maneira geral, é bem distinta do que a retratada nos veículos midiáticos brasileiros. As dificuldades são inúmeras. Contudo, o segundo passo para que isso um dia seja modificado é propor e executar soluções. É dever das máquinas públicas e privadas estimular a economia e, em nosso caso, a indústria de processos, petroquímica, química e afins. Nós devemos cobrar e ajudar nesse processo, como indivíduos organizados.

As entidades que nos representam são essas: ABIQUIM, ABEQ, FENEEQ e os Conselhos. Eu coloco em especial essas pois acredito que elas estejam intrinsecamente ligadas a nossa realidade. Quando criei o Beta EQ, meu objetivo era ocupar uma lacuna informativa que faltava em nosso país, veiculando oportunidades, notícias e afins para todos de maneira geral. Desde o início, textos opinativos são veiculados aqui e, absolutamente, todas as visões são propagadas. E eu, de coração, fiquei muito feliz com as cento e trinta e sete pessoas que se inscreveram em nosso Processo Seletivo e resolveram buscar contribuir para o legado informativo da Engenharia Química nacional. Existem lutas gigantescas que nós podemos e devemos entrar. O primeiro passo, ao meu ver, é se filiar a uma dessas organizações que representam os interesses da indústria e da Engenharia como um todo.

Das entidades citadas, citaria duas que acredito estarem pensando muito em melhorias para estudantes e engenheiros químicos: FENEEQ e ABEQ. No âmbito estudantil, a FENEEQ propôs na plenária final do CONEEQ João Pessoa a criação de um sistema de Delegados por todo o território nacional (clique AQUI e leia a proposta completa). Em resumo, com esse projeto, ela busca uma maior interação entre os corpos discentes das universidades de cada região e seus eventos acadêmicos. Talvez, esse possa ser o primeiro grande passo para que nós consigamos enxergar o que podemos melhorar dentro das universidades.

No âmbito profissional, a ABEQ tem um papel enorme no que diz respeito a dar o suporte necessário aos engenheiros químicos recém-formados. Ela promove cursos de capacitação bem específicos que certamente são de grande ajuda curricular para quem acaba de adentrar nesse novo mundo. Muito mais pode ser feito e eu acredito que a nova gestão da ABEQ pode contribuir e muito para o crescimento da Engenharia Química como um todo.

Muitos afirmam que vagas existem, faltam profissionais devidamente capacitados a ocupá-las. Sendo assim, a culpa é da empresa, da instituição de ensino, da baixa representatividade dos conselhos e afins ou do sistema como um todo?

Eu concordo em partes com a premissa citada. O Brasil é um país continental e existem diversas realidades. Todavia, impressiona-me o grande número de pessoas que passam pela situação retratada aqui nesse texto (de inúmeras regiões do nosso país). Nosso senso crítico assim que ingressamos na graduação é muito restrito. Tudo acontece muito rápido e quando você se dá conta, você já é engenheiro químico. O curso é tão competitivo e com uma grade tão rigorosa que muitas vezes não olhamos para a janela. O mundo fora de sala de aula é hoje totalmente distinto do que encontramos dentro da mesma. Todavia, mais do que reclamar, quero propor soluções.

A Beta EQ é hoje uma empresa com fins lucrativos que se baseia em transmissão de conteúdo (gratuita e sempre será gratuita), divulgação e cobertura de eventos acadêmicos, palestras, workshops, oficinas e eventos acadêmicos presenciais e virtuais. Nosso propósito a longo prazo é prover cursos com a marca Beta EQ de excelência a um BAIXO custo a TODOS os estudantes e engenheiros recém-formados com dificuldade para ingressar nesse exigente Mercado de Trabalho. É o que podemos fazer e faremos.

Na UFRRJ, dia 10 de março, promoveremos a primeira edição do EQGlobal, evento sobre a Engenharia Química mundial e intercâmbio. Esse será nosso primeiro evento presencial. Para saber mais, clique AQUI. Esperamos que ao longo desse ano, possamos contribuir e muito no crescimento profissional de todos nossos leitores e futuros participantes de nossos eventos. No final do ano, realizaremos a III Semana Brasileira de Engenharia Química e nossa equipe já está a mil por hora planejando esse evento virtual.

Agradeço mais uma vez a crítica e a todos os leitores desse portal de conteúdo, bem como a todos que curtem e seguem o Beta EQ pelas redes sociais. Que a realidade retratada nesse texto seja um contraponto importante ao que foi veiculado anteriormente. Opiniões são sempre muito bem-vindas e caso queira produzir um texto a respeito, envie o mesmo para betaeq@outlook.com. Será um prazer saber qual é a SUA opinião sobre o tema.

Atenciosamente,
Kaique Santos Teixeira

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