segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

MINHA ESPOSA: ENGENHARIA

(Texto enviado pelo Trainee Beta EQ e estudante da UEM, Felipe Morelli)

Pode-se afirmar que a doença do século 21 no meio universitário é a tal “crise de curso”: basicamente, os estudantes não sabem se escolheram o curso mais adequado, que os fará mais realizados profissionalmente. Muitos alunos já passaram, passam ou com certeza passarão pela “crise de curso”, inclusive, nós, engenheiros químicos. A principal razão é um tanto quanto óbvia e já bem conhecida: 18 anos é muito cedo para uma escolha tão importante.


Diante disso, a razão para que eu propague este texto é ajudar as pessoas a tomarem uma decisão: ficar no curso com convicção ou deixa-lo para ir em busca de outro curso que mais lhe estime. 

Conheci pessoas que largaram a Engenharia Química, contra o senso comum, e tornaram-se realmente muito felizes, e por isso acredito piamente nessa possibilidade.

Uma verdade pessoal que gostaria de salientar é o fato de não achar que exista somente um “curso certo”. Obviamente, entre dois cursos, há sempre um que mais lhe agrada e, por lógica, entre todos possíveis também haverá um que lhe agradará mais, podendo classificá-lo como o “curso certo”, lembrando que todos os outros não devem ser classificados como errados. 

O fato é que muitos dos que sofrem com a “crise de curso” não o abandonam, mas também não o continuam com convicção, ou seja, seguem “empurrando com a barriga”, estudando com má vontade, em vez de cursá-lo da melhor maneira possível.

Como razões para a “crise de curso” dos estudantes de Engenharia Química, elencarei três, sendo essas, provavelmente, as mais recorrentes e também as únicas com que tive contato.

1. “Não gosto de exatas”. Minha primeira pergunta é: Por que veio fazer engenharia então? Entendo que alguns gostam somente de química, justamente onde não há cálculos, e odeiam física e matemática. Se você achou que ia ficar livre delas, eu sinto muito, mas errou feio ou foi enganado, porque engenharia QUÍMICA é MUITA matemática e física. Portanto, não tenho nada a lhe aconselhar e desconheço qualquer argumento que justifique sua permanência no curso.

2. “Eu gosto, estudo muito, mas não consigo tirar nota”. Serei breve para esse tipo de pensamento: estude mais e mais porque vale muito a pena. O arrependimento por ter desistido de algo que gosta será muito frustrante. 

3. “Gostava de exatas no colégio, mas estudar só isso está me cansando.” Eu me enquadro nesse grupo e é no qual possuo a teoria que acredito ser a mais robusta. Estudar unicamente exatas passa a ser entediante e a crise se intensifica quando você descobre outra coisa que é mais apaixonante (e, talvez, realmente seja), como, por exemplo, o empreendedorismo, tema que tem ocupado os holofotes e gerado muitas crises de curso, como a que passei. 

No meu caso, quando passo por uma inquietação, sinto-me obrigado a fazer uma escolha, e se a tomo, é porque me convenci de alguma maneira, que esse era o melhor caminho. A razão que encontrei foi que eu, Felipe, sou mais que só a Engenharia Química. Ou seja, só um curso não consegue satisfazer toda minha sede por conhecimento. Se alguém está completamente satisfeito estudando somente o seu curso, com o perdão dos que sentem isso, me parecem limitados e com pouco alcance. Nosso cérebro é bem mais completo que só exatas, só humanas ou só biológicas. Somos multidisciplinares, com, é claro, tendência para uma frente. Portanto, para a área que possuir tendência, sugiro que trace nela a sua carreira, mas jamais deixe de estudar as outras frentes. 

O principal obstáculo dessa mudança de visão é supor que estudando outros temas externos ao curso durante a faculdade você diminuirá seu rendimento acadêmico. É fato que o tempo que passei a dedicar a Engenharia Química diminuiu desde minha decisão por estudar temas extracurriculares, entretanto, minhas notas, surpreendentemente, aumentaram pois o tempo, agora reduzido, que eu dedicava ao meu curso rendia muito mais por eu estar com a “cabeça fria”; e quem faz Engenharia conhece a importância do rendimento nos estudos. 

Por fim, a frase que mais me encanta é: “Não deixe a universidade atrapalhar seus estudos.” Ela quebra paradigmas, pois rebaixa a faculdade a mais uma forma de estudo e eleva o ato do estudo por conta própria; fortalecendo minha opinião de que ser autodidata não é excepcionalidade, é escolha.  
Procurei expressar toda essa minha teoria também de maneira poética, metaforizando a relação dos meus estudos com um casamento no poema abaixo.

Esposo infiel, sou eu

Que tem na esposa a segurança,
Que as amantes não podem me dar.

Esposo inseguro, sou eu:

Possuo amantes que pela esposa não troco,
Mas há uma delas que uma loucura eu faria.
Minha esposa: Engenharia.

Sua carência toma todo meu tempo,
São jogos de interesse,
É dela que tiro meu sustento.

Das pobres amantes cito-lhes:
A filosofia e a religião.

Mas meu flerte fatal:
O empreendedorismo,
Minha grande paixão.

Até breve e lembre-se: decida-se!

Nenhum comentário:

Postar um comentário