quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

LÍQUIDO IÔNICO: A VARIÁVEL QUE FALTAVA PARA NOSSAS PESQUISAS

(Texto enviado pelo Trainee Beta EQ e estudante da UFRN, Gustavo Molina)

Você consegue imaginar um composto que pode ser utilizado na separação de misturas, como solvente, como catalisador, produtor de fármaco, capaz de um bom reaproveitamento? Pois é, sejam apresentados ao líquido iônico.


O líquido iônico é um sal líquido composto por um corpo ânion e um radical iônico e tem sido utilizado muito em pesquisas na Engenharia Química na separação de Metanol, Etanol, Etanol-Água e sistemas ternários.

Cada radical presente no sal possui afinidade com determinado componente, sendo utilizado para uma aplicação específica que já foi previamente averiguada. Essas análises e líquidos vêm geralmente da Europa, como aponta a Mestranda Cristiane Leal, da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, orientada pela Professora Dra. Marisa Fernandes Mendes.

Em seu estudo no laboratório de Termodinâmica Aplicada e Biocombustíveis - LTAB, a mestranda utiliza, por exemplo, para a separação do sistema ternário Etanol-água-Líquido iônico o radical Imidazólio como o estabilizador presente na água. O líquido iônico, cita Leal, interage mais fortemente com a água, fazendo com que a solução líquido iônico-água decante para o fundo e a solução mais volátil, no caso o etanol, seja suspensa para o topo da coluna.

Em vários lugares do país já existem estudos nesse ramo de separação utilizando o líquido iônico, e em diversas aplicações. Inclusive, no Instituto de Química da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, o Professor Dr. Jones de Andrade realiza estudos com modelagem computacional sobre o comportamento de tais líquidos.

Porém, o grande desafio do Brasil atualmente é, para tornar mais viável economicamente esse e outros processos que envolvem o líquido iônico, como fala a mestranda, a síntese desses líquidos. Vale ainda salientar que a recuperação do líquido quando comparado a muitos solventes é mais efetiva, girando em torno dos 100%, e possui um baixo custo, visto que ele possui uma pressão de vapor negligenciada.

Esperamos então que os nossos leitores que pesquisam na área se sintam instigados a desenvolverem essas tecnologias de síntese ou até mesmo estudos correlatos, afinal as aplicações e os infinitos nichos atingidos por esse componente mostram que, de fato, o líquido iônico é a variável que faltava para as nossas pesquisas.

Cristiane Leal - Mestranda EQ/UFRRJ


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