quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

ESCRITA CIENTÍFICA: UM DESAFIO PARA ESTUDANTES DE GRADUAÇÃO E PÓS-GRADUAÇÃO

(Texto enviado pela Trainee Beta EQ e estudante da UFRRJ, Sumaia Hottes)

Quando ingressamos na área acadêmica, seja como alunos de iniciação científica, alunos de pós-graduação ou simplesmente precisamos escrever um relatório ou trabalho de conclusão de curso (TCC), nos confrontamos com um desafio para o qual muitos não estão suficientemente preparados, que é saber comunicar corretamente projetos e/ou resultados de pesquisa em linguagem científica.

A ciência, assim como outras áreas do conhecimento, também possui uma linguagem específica, que deve atentar a aspectos como objetividade, clareza e o correto uso de expressões reconhecidas no meio científico a que se destina, de modo que a informação possa ser transmitida de forma eficiente e assim cumprir seu papel.

Apesar da grade curricular da maioria dos cursos possuírem disciplinas que envolvam em algum grau o desenvolvimento da habilidade da linguagem escrita, tais como metodologia científica, trabalho de conclusão de curso e disciplinas similares, verificasse que a maioria dos estudantes encontra grande dificuldade na hora de redigir um texto científico por desconhecerem as normas envolvidas na elaboração dos mesmos, tais como: estruturação do trabalho, padrões de redação, como fazer pesquisas bibliográficas e construir citações, além da dificuldade em ler e interpretar textos científico-tecnológicos. 

Os estudantes acabam por ter que aprender na prática, e muitas das vezes terminam carregando esta deficiência ao longo de sua vida acadêmica.

A escrita científica em inglês, que é considerado o idioma da ciência, ainda representa uma grande barreira ao desenvolvimento pleno de estudantes de pós-graduação e até mesmo de pesquisadores já formados no Brasil. Muitos trabalhos de qualidade produzidos no país acabam por não serem publicados em revistas de renome devido a dificuldades dos autores com a escrita em inglês - que não se resumem apenas ao não domínio do idioma estrangeiro. Falta, também, o conhecimento de como utilizá-lo no gênero da linguagem científica e até mesmo a correta compreensão do que vem a ser um artigo científico e o tipo de formato exigido, de modo que teriam problemas até mesmo se tentassem publicar em português.

E como cada vez mais tem se exigido como critério de qualidade não só o número de publicações, mas também a publicação em revistas de grande fator de impacto, este é um gargalo para o crescimento da produção acadêmica no país.

Diante disto, tem crescido a busca por serviços e iniciativas a fim de ajudar alunos e pesquisadores neste desafio, tais como palestras e workshops sobre redação científica, além de material online sobre o assunto. Para alunos de pós-graduação e também pesquisadores, uma alternativa bastante interessante e gratuita é o site Escrita Científica, iniciativa do professor da USP Valtencir Zucolotto. O portal disponibiliza vídeo-aulas e apostilas para quem deseja aprimorar seu conhecimento e prática na produção de artigos científicos, que pode ser encontrado no endereço:


Referências

LUIS, M. A. V. A disseminação do conhecimento científico: desafios e perspectivas. Rev. Eletrônica Saúde Mental Álcool e Drogas, v.7, n.2, 2011;

NAOE, A. Escrita científica ainda é desafio no meio acadêmico brasileiro. Disponí-vel em: http://www5.usp.br/35753/escrita-cientifica-ainda-e-desafio-no-meio-academico-brasileiro/. Acesso em: 28 de dezembro de 2014;

OLIVEIRA, J. R. S. et al. Escrita científica de alunos de graduação em química: análise de relatórios de laboratório. Quím. Nova, v.33, 2010; 

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