terça-feira, 6 de janeiro de 2015

COPROCESSAMENTO - UMA ALTERNATIVA SUSTENTÁVEL

(Texto enviado pelo Trainee Beta EQ e estudante da UFERSA, Allisson Ruan)

É de conhecimento comum à necessidade de se ter consciência e responsabilidade ambiental, e da importância do engenheiro químico para que haja a promoção do desenvolvimento sustentável que tanto é badalado pela mídia e nas salas de aula.


Porém, muita consciência e pouca ação em nada resultam. Conhecer as tecnologias que estão sendo aplicadas e as promessas para o futuro devem fazer parte da vivência acadêmica e também profissional do engenheiro químico. 

O coprocessamento é uma tecnologia que sugere um modo de gestão aos resíduos gerados descontroladamente graças ao aumento populacional e suas necessidades de consumo. Funciona como alternativa adequada e sustentável aplicada às indústrias cimenteiras.  

O cimento é produzido em complexos industriais e a produção é realizada nas seguintes etapas:

1. Extração de matérias-primas;
2. Moagem, mistura e homogeneização;
3. Clinquerização em fornos rotativos;
4. Resfriamento de clínquer e
5. Moagem e ensacamento do cimento.

Fonte: votorantimcimentos.com.br

Permitindo que sejam utilizados resíduos e pneus inservíveis nas etapas em que é necessária a utilização de matéria-prima e/ou combustível. O resíduo encontra no coprocessamento o seu destino final, sendo utilizado para fornecer calor aos fornos de cimento, não gerando novos resíduos e contribuindo para a preservação dos recursos naturais. 

Fonte: coprocessamento.org.br

A combustão é fundamental durante o processo de fabricação de cimento, ela é a responsável por transformar as matérias-primas em clínquer. Alguns parâmetros da combustão na produção de cimento como a alta temperatura da chama, o tempo de residência dos gases, a turbulência no interior do forno, dentre outros, são ideais e até superiores aos padrões exigidos para a destruição ambientalmente segura de resíduos perigosos. Desta forma, os fornos de cimento possuem capacidade de destruição segura de grandes volumes de resíduos. A prática é realizada de forma a garantir a segurança dos trabalhadores envolvidos e dos moradores que residem em torno das fábricas, além da segurança ambiental. O coprocessamento não altera a qualidade do cimento. 

A queima se realiza em condições estritamente controladas, dentro do marco regulador existente, de acordo com a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) sancionada em 02/08/2010, pelo até então presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva. 

De acordo com o panorama realizado em 2012, no Brasil a indústria de cimento é composta por 14 grupos industriais reunindo 80 unidades de produção espalhadas pelo país. Destas 80 unidades, 29 não adotam fornos que transformam diretamente o clínquer em cimento, sendo apenas de moagem. E 51 unidades integradas que abrangem desde a extração das matérias-primas até a obtenção do produto final. Dentre as unidades integradas, 36 estão licenciadas para o coprocessamento de resíduos. A região Sudeste lidera com o maior número de plantas licenciadas para o coprocessamento – 17 no total – e representa 33% das fábricas consideradas adequadas para a prática dessa atividade.  

Em 2012, os resíduos coprocessados representaram um passivo ambiental de 1,32 milhão de toneladas. A substituição térmica decorrente do uso de combustíveis alternativos no ano de 2012 foi de 9%. 

Os pneus inservíveis são um dos principais resíduos aproveitados no coprocessamento. Graves problemas ambientais, sociais e de saúde pública são gerados pelo descarte inadequado de pneus. O seu processo de degradação pode durar até 150 anos, além de estarem sujeitos a riscos de incêndio.

Fonte: coprocessamento.org.br

Através do aproveitamento energético ou como matéria-prima, a destinação final dos resíduos no processo de fabricação de cimento impacta positivamente na conservação e na racionalização de recursos minerais e energéticos.

Nenhum comentário:

Postar um comentário