quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

A ORIGEM DA ENGENHARIA QUÍMICA

Course X - MIT
(Texto enviado pela Trainee Beta EQ e estudante da PUC Minas Gerais, Raisa Helena Sant'Ana Cesar)

Todos nós sabemos a origem e o porquê de nossos nomes, mas você sabe o motivo do surgimento do seu curso? Além de estudar todos os cálculos e reações, saber a razão da implantação da Engenharia Química é entender o nosso papel social. Vamos voltar um pouco ao tempo?


Com o advento da revolução industrial iniciada na Inglaterra no século XVIII, certos produtos químicos como ácido sulfúrico, carbonato de sódio e potássio passaram a ser constantemente requisitados em escala industrial para a produção de têxteis, vidros, sabão, entre outros. No período não haviam profissionais especializados nem técnicas eficazes para elaboração dos mesmos, concomitantemente existiam pressões econômicas que exigiam cada vez mais o desenvolvimento e modernização da indústria química a fim de evitar a sua falência. Dessa maneira, nas primeiras décadas do século XIX iniciou-se a efetiva implantação da indústria química com a invenção do Processo Le Blank para a transformação do sal marinho em soda (Nicholas Le Blank, 1810); do Processo Solvay, processo mais direto que substituiu o Processo Le Blank porém sendo utilizado em escala industrial apenas 60 anos mais tarde (A. J. Fresnel,1811) e do processo da Torre de Glover - criado para reutilizar o nitrato perdido para a atmosfera durante a produção de ácido sulfúrico.

Nesse período, entretanto, a indústria química era operada por engenheiros mecânicos com experiência ou conhecimentos de processos químicos, mas sem formação técnica na área. Por outro lado, os desenvolvimentos laboratoriais eram de responsabilidades dos químicos. Além desses, os inspetores de segurança tiveram um papel essencial na prevenção de acidentes, que na época eram frequentes. 

Um desses inspetores, George Davis (Britânico,1880), foi o primeiro a identificar a necessidade do surgimento de uma nova profissão ligada a indústria química. Assim, aos estudantes que finalizaram um conjunto de doze aulas ministradas por ele na “Manchester Technical School” foram denominados Engenheiros Químicos. Esta definição não foi bem aceita pela comunidade acadêmica e demais engenheiros, sendo apenas em 1888 que nasceu efetivamente o curso de engenharia química, na época denominado “Course X”, na universidade americana “Massachussets Institute of Technology – MIT”. Em 1891, nessa mesma universidade, sete pessoas receberam o diploma de engenheiros químicos, sendo que o primeiro a receber o título foi William Page Bryant (MIT, Course X).

Já na Europa, o curso de engenharia química iniciou-se apenas em meados de 1920 na "Imperial College of London" e na "University College of London". Na Alemanha apenas em 1950 o curso se desvinculou da engenharia mecânica. Em alguns países o surgimento da graduação foi decorrente da pressão da própria indústria, como ocorreu com a criação de um Departamento de Engenharia Química na Universidade de Cambridge, em 1945, patrocinado pela Shell.

No Brasil, o primeiro curso de engenharia química surgiu em 1925 na Escola Politécnica da Universidade de São Paulo. Atualmente, de acordo com dados recentes do MEC, há no país entre as universidades públicas e privadas, 175  instituições de ensino credenciadas que oferecem o curso de engenharia química.

Ao longo de todos estes anos o ensino da engenharia química sofreu e ainda sofre mudanças: desenvolvimento dos reatores operados em modo contínuo (em oposição aos reatores em batelada); recuperação e reciclagem dos reagentes em excesso assim como tratamento dos efluentes; surgimento do conceito de operações unitárias evidenciando que cada processo pode ser considerado formado por unidades menores, baseados em processos físico-químicos comuns. Ademais, com o avanço da informática os projetos e operações são cada vez mais automatizados exigindo maiores conhecimentos na área. A modelagem de processos passou a ser peça chave na indústria pois a simulação com auxílio de recursos computacionais permite prever o comportamento interno e externo de uma indústria, dentre outras mais.

Dessa maneira, vemos o quão importante é a nossa profissão para a sociedade, sendo que há aproximadamente três séculos esta necessidade foi fundamentada com pressões da própria indústria e consequente criação do curso. A área ainda sofre contínuas transformações e nós, futuros ou já engenheiros químicos, temos como papel acompanhar tais mudanças e buscar alternativas a fim de aprimorar e diminuir os impactos gerados pelas indústrias e seus resíduos e efluentes. 
Engenheiros químicos, orgulhemo-nos de sermos reconhecidos e requisitados a anos. 
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REFERENCIAS

Portal Laboratórios Virtuais de Processos Químicos. História da Engenharia Química. http://labvirtual.eq.uc.pt/siteJoomla/index.php?Itemid=2&id=124&option=com_content&task=view#2. Acessado em: 19 de dezembro de 2014.

Universidade Federal de Santa Maria. Histórico da Engenharia Química no Mundo. http://coral.ufsm.br/ceq/eqmundo.html. Acessado em : 19 de dezembro de 2014

Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Rio Grande do Sul. SISTEMA CONFEA/CREAs CRIA GT DE ENGENHARIA QUÍMICA, http://www.crea-rs.org.br/site/index.php?p=estudogt.

Ministério da Educação. Instituições de Educação Superior e Cursos Cadastrados. http://emec.mec.gov.br/. Acessado em: 02 de janeiro de 2015

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