terça-feira, 18 de novembro de 2014

PROCESSO NACIONAL RECUPERA TERRAS RARAS DE LÂMPADAS FLUORESCENTES

(Texto enviado pelo Representante Beta EQ e estudante da UFRuralRJ Alan Azevedo)

Químicos pesquisadores da USP em Ribeirão Preto (SP) desenvolveram um processo para recuperar e reciclar terras raras a partir de lâmpadas fluorescentes descartadas.


As terras raras formam um grupo de 17 elementos químicos essenciais para a produção de diversos itens de alta tecnologia, o que inclui também LEDs, telas de televisores, tablets, smartphones, turbinas de energia eólica, além de aplicações futurísticas em memórias quânticas.

O novo processo apresenta uma maneira mais segura, menos poluente e mais eficiente de reciclar as terras raras contidas nas lâmpadas.

De acordo com o professor Osvaldo Antônio Serra, coordenador do laboratório que realiza o estudo, entre os tipos de resíduos reciclados, as lâmpadas fluorescentes ganham destaque por conter até 25% em massa de elementos terras raras na constituição do pó fosfórico, dependendo do tipo da lâmpada.

"A viabilidade econômica da recuperação das terras raras é maior nas lâmpadas compactas, encontradas à venda em supermercados, do que as tubulares, que são mais antigas e possuem menos terras raras," ressalta o pesquisador.

A reciclagem começa a partir do pó fosfórico, já livre do mercúrio, submetido a processos físicos e químicos, utilizando resinas de troca iônicas, produtos sintéticos que colocados na água liberam íons sódio ou hidrogênio (resinas catiônicas) ou hidroxila (resinas aniônicas) e captar desta mesma água, respectivamente, cátions e ânions.

"Essas resinas de troca iônica tradicionais, do tipo ácido-forte, são facilmente encontradas e podem realizar inúmeros ciclos de extração das terras raras, garantindo não só a viabilidade técnica, como também econômica do processo. O processo se dá em condições experimentais facilmente escalonáveis a maiores quantidades, adequando-se às necessidades mercadológicas e industriais," explica Osvaldo.

Terras raras

O pesquisador destaca que no Brasil são consumidas cerca de 300 milhões de lâmpadas fluorescentes por ano. A reciclagem é importante para o meio ambiente e para o fornecimento das terras raras, que tem o mercado concentrado na China, o maior produtor mundial de elementos terras raras.

"Atualmente, a China produz aproximadamente 90% da demanda mundial de elementos terras raras e consome quase 70% desta produção, devido ao domínio das tecnologias de manufatura de produtos finais - como turbinas eólicas, luminóforos1, baterias e ímãs, dentre outros. Alegando inúmeras regulamentações e restrições ambientais, a China diminuiu as exportações e chegou a aumentar o preço médio de mais de dez vezes nos últimos anos", informa Osvaldo.


O professor enfatiza que os processos atuais para a extração de elementos terras raras ao redor do mundo são muito perigosos para o meio ambiente, pois se baseiam em rotas ácidas ou alcalinas, sendo muito caros para serem executados com sustentabilidade. Assim as tecnologias para obtenção mais adequadas, via extração ou reciclagem, tornaram-se uma prioridade estratégica, já em utilização em países desenvolvidos.A tecnologia já teve o seu processo de patente realizado pela Agência USP de Inovação.

Luminóforos: Os fósforos, luminóforos ou também denominados materiais luminescentes são amplamente utilizados para gerar luz. Em particular, no caso de dispositivos visuais de informação, são empregados materiais que emitem radiação na região do espectro eletromagnético detectável pelo olho humano.  Apresentam um papel importante como detectores de radiação ionizante, aplicados em diagnósticos médicos por imagem, como radiologia e tomografia. A função dos luminóforos é transformar os fótons de luz, promovendo melhor qualidade de imagem e, consequentemente menor tempo de exposição do paciente à radiação neste âmbito.

Saiba mais sobre as terras raras no Brasil:

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