quinta-feira, 27 de novembro de 2014

[II SBEQ] PERCURSO PROFISSIONAL - ANA CARMEM DA COSTA REIS (UNIVERSITEIT GENT/BÉLGICA)

Prezados  participantes,

Quando fui convidada a vir dar meu depoimentos sobre meu percurso profissional para vocês durante a II Semana Brasileira da Engenharia Química, tive na realidade duas reações: a primeira de me sentir honrada com  o convite e em poder dividir com vocês minha experiencia profissional e a segunda, não se assustem, foi: o que vou dizer para eles, Meu Deus!


Bom,  como  tudo  nesta  vida,  acho  melhor  começar  pelo começo e minha vida profissional acabou sendo mais ou menos definida na 7ª série ( a antiga 7ª série como já ouvi falar) quando tive minhas aulas de química e com isto, decidi fazer o curso técnico de química do Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais -­ CEFET/MG. Não sei se vocês sabem, mas para ter o diploma de técnico, ao menos na minha época, tínhamos que fazer um estágio de 8 meses após completar o curso. Assim, fui fazer estágio na extinta Acesita Energética onde trabalhei com  química orgânica (pela qual me apaixonei) e através de um convênio com a UFMG, trabalhei muito próximo a alunos de mestrado e doutorado do curso de química. Descobri assim, que o curso técnico havia me ensinado muito e que queria  acrescentar mais ao meu conhecimento técnico. Desta forma, decidi fazer o curso de Engenharia Química. (Para se ter uma ideia dos +/-­  30    alunos  do curso  técnico  da  minha  sala,  somente  eu  e um outro colega continuamos na área).

Sempre fiz estágio ou fui bolsista do CNPq,  CAPES, Fundação João Pinheiro ou o que quer que pudesse me dar uma experiência profissional e se possível uma ajuda financeira. Trabalhei de graça também e com o mesmo afinco. Assim, após meus primeiros 2 anos do curso de Engenharia Química, minha vida tomou outro curso. Trabalhar  no campus universitário,  fazer  o  curso  no  centro  da cidade  e ainda fazer a pós-­‐graduação em inglês e tudo de ônibus, posso garantir que não era compatível. Com isto, abri mão do estágio e me dediquei por 1 semestre inteiro (ou quase) aos meus estudos quando fui convidada a ser bolsista no laboratório de corrosão que ficava no mesmo prédio onde eram ministradas as aulas do curso de enga química. E assim, entrei na área que iria em parte, definir minha vida profissional. Comecei a trabalhar com metais. Nesta área, trabalhei com fios cobreados, diversos tipos de aços  e diversos tipos de testes, testes destrutivos e não destrutivos, curvas potenciodinâmicas e potenciostáticas e um mundo novo se abriu para mim. Depois fiz meu mestrado em Estudo do Comportamento Anódico dos Aços inoxidáveis Duplex, numa comparação entre  o  aço  produzido experimentalmente pela antiga Acesita, hoje Aperam, e a cia Sueca que dominava este tipo de material na época.

Com a conclusão do mestrado, fui ser bolsista no Centro Tecnológico de Minas Gerais, CETEC, onde fui trabalhar com Técnicas de Análises, mais especificamente preparação de amostras, Microscópio de Força Atômica (AFM), Microscópio de Varredura Eletrônica (SEM) e Microscopia Ótica, é claro. Neste setor do departamento de metalurgia, trabalhei com vários tipos de materiais, aços, polímeros, ilhas quânticas, pintura, prestação de serviço para variadas indústrias, preparação de propostas de projetos a nível nacional e internacional dentre outras atividades. Participação em congressos nacionais e internacionais (sediado no Brasil) além de cursos de aperfeiçoamento e workshops também enriqueceram meu currículo durante este período.

Devido a este aperfeiçoamento profissional la adquirido, após 2 anos, fui trabalhar na Acesita como pesquisadora no Centro de Pesquisa, mais especificamente com  o Microscópio Eletrônico de Varredura que na época  havia sido recentemente adquirido. Esta função me deu oportunidade de vir à Europa e aos Estados Unidos para participar de cursos de aperfeiçoamento além de participar de workshops no Brasil e de um congresso internacional no Canadá. Em uma das minhas visitas de férias à Europa, tive a oportunidade de visitar o Depto de Metalurgia e Materiais da Universidade de Gent, Bélgica, onde acabei sendo convidada a vir fazer um doutorado devido à minha especialização em técnicas de análise anteriormente adquirida. Assim, após pedir demissão no meu trabalho (que eu adorava) mudei-me para Gent onde fiquei como responsável por toda a seção de técnicas de análise- microscopia ótica, microscopia de força atômica e microscopia de varredura eletrônica - e onde defendi meu doutorado em “Improved Microstructure and Texture Control of Steel Sheet by Innovative Thermo- Mechanical Processes”. Aqui tive a oportunidade aumentar minha experiência profissional internacional e de sentir meu trabalho valorizado. Os nomes dos artigos são realmente das pessoas que participaram do projeto e elaboração do artigo, participar de um congresso somente se você for o primeiro autor ou se o mesmo não puder comparecer e indicar um dos co-autores para substituí-lo.

Enfim, oportunidades estão abertas a todos que queiram e saibam aproveitá-las. No entanto, nada disto seria possível se eu não falasse fluentemente inglês e razoavelmente espanhol, francês e ao chegar aqui, a língua local, no caso o neerlandês e principalmente, se eu não tivesse sempre dado o melhor de mim em todas as fases recebendo salário ou não e trabalhado fora de horário, quando necessário. Outro fator que vocês nunca devem esquecer é que um dos pontos mais importantes na vida profissional, é a rede de contatos que você constrói. Ela é quase tão importante quanto o conhecimento técnico adquirido. Assim, nunca fechem a porta atrás de vocês quando saírem de um local de trabalho para outro e tentem sempre trabalhar em equipe, sozinho ninguém vai para frente em nada desta vida. Mas nunca deixem de ter horário livre, ter um hobby, dividir seu tempo com amigos e familiares.

Desejo a todos vocês um caminho aberto, cheio de oportunidades e sucesso e que consigam ver a oportunidade quando ela passar por vocês.

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