segunda-feira, 24 de novembro de 2014

[II SBEQ] INTRODUÇÃO À QUÍMICA FORENSE - Prof Msc. SHIRLENE KELLY SANTOS CARMO (UFERSA)

Shirlene Kelly Santos Carmo. Graduação (2008) e Mestrado (2010) em Engenharia Química pela Universidade Federal de Campina Grande (UFCG). Atualmente cursando o Doutorado em Engenharia Química pela UFCG, desenvolvendo Projetos de pesquisa na área de Controle, Modelagem e simulação de processos. Professora efetiva na Universidade Federal Rural do Semi-Árido (UFERSA) - RN. Membro da Sociedade Brasileira de Ciências Forenses. Ministrante do Curso Química Forense a serviço da Investigação Criminal.

A nobre engenheira química Shirlene Kelly preparou um texto primoroso nessa área tão requisitada por todos. Confira!

A Química Forense é uma das áreas de maior alcance dentro da perícia. Com o avanço da tecnologia e o desenvolvimento das técnicas analíticas, cada vez mais, a química tem sido utilizada para elucidar controvérsias legais. Conceituando a Química Forense de modo geral, ela é a área de Criminalística que se encarrega da análise, classificação e identificação dos elementos ou substâncias encontradas nos locais de ocorrência de um delito ou que podem estar relacionadas a este. A utilização de técnicas de análises instrumentais aplicadas à identificação ou constatação da presença de substâncias tem contribuído de forma valiosa para a promoção da justiça.

O Brasil comparado com outros países está apenas dando os primeiros passos na área da Química Forense. Possuindo  um curso de graduação na USP de Ribeirão Preto  - SP e recentemente um novo curso criado na Universidade Federal de Pelotas - RS. O Graduado em Química  Forense  torna-se  um  profissional  da  área  da  Química  que  analisa amostras encontradas na cena do crime e chega a conclusões baseando-se em testes realizados com estas evidências.

O seu trabalho consiste em identificar e caracterizar a evidência como parte de um grande processo para desvendar o crime. No Brasil, não só um químico forense, mas outros profissionais que possuem graduação em diversas áreas também podem se tornar um perito, estadual ou federal, através de um concurso público. Após a seleção, o candidato passa por um curso de formação, ministrado pela própria policial.


No Brasil, a perícia forense é pública, mas alguns laboratórios privados podem prestar serviços, geralmente para contestar exames realizados pelos laboratórios oficiais, a pedido da parte interessada. O perito forense, munido de seu conhecimento técnico e os resultados das análises, pode fornecer segurança e eficiência à produção de prova pericial, visto que a tecnologia tem facilitado o acesso  às evidências que podem inocentar ou não uma pessoa.

Existem  ainda,  cursos  de  pós-graduação  espalhados  pelo  País,  para  aqueles  que desejam obter conhecimentos específicos que auxiliem seguir a carreira de Perito. Esses cursos geralmente compreendem um período de 24 meses, e um custo médio completo que varia entre R$ 7.000,00 e 15.000,00.

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A solução de um crime, com a punição dos culpados, é a meta primordial da justiça. Ao desvendar as circunstâncias de um crime, os investigadores fazem um trabalho de grande importância: de um lado, protegem a população da ação de criminosos e de outro, impedem que inocentes sejam punidos injustamente.

Técnicas sofisticadas como cromatografia, espectroscopia, espectometria de massa, calorimetria, papiloscopia e termogravimetria são capazes de identificar a substância utilizada em um envenenamento, as impressões digitais de envolvidos em crimes, manchas orgânicas, como sangue, esperma, fezes e vômito, manchas inorgânicas, como lama, tinta, ferrugem e pólvora, e analisar evidências como fios de cabelo, peças de vestuário, poeiras e cinzas em locais de crime.

A química forense engloba análises orgânicas e inorgânicas, toxicologia, investigações sobre incêndios criminosos e serologia, e suas conclusões servem para embasar decisões judiciais.

Apesar de as investigações criminais serem o aspecto mais conhecido da química forense, ela não se limita a ocorrências policiais. O químico forense também pode dar seu parecer em decisões de natureza judicial, atuar em questões trabalhistas, como determinar se uma atividade é perigosa ou insalubre, detectar adulterações em combustíveis e bebidas, uso de drogas ilícitas, fazer perícias em alimentos e medicamentos e investigar o doping esportivo.

O que fazem os químicos forenses?

O químico forense trabalha dentro do laboratório, analisando amostras colhidas por outros investigadores, e também nos locais de crimes e ocorrências. Uma de suas tarefas principais é fazer análises especializadas para identificar materiais e conhecer a natureza de cada prova relacionada a um crime. 

Por lidar com grande variedade de provas e amostras, o químico forense deve ter conhecimentos sólidos de todas as áreas da química, principalmente de química orgânica e bioquímica, já que terá, com frequência, de analisar fluidos de origem biológica. Ele também precisa ter conhecimentos suficientes para decidir que tipo de análise será feita com o material disponível e quando é necessário buscar provas ou amostras adicionais. Por tudo isso, precisa manter-se permanentemente atualizado.

O químico forense trabalha como perito para as polícias civis de todos os estados brasileiros e para a Polícia Federal. Sua formação nestes casos se dá em cursos de curta duração – entre 6 e 8 meses – oferecidos pelas academias de polícia, que incluem conteúdos de química forense e biologia forense.

Fonte: CRQ IV Região

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SEQ UFRN

Para aqueles que desejam conhecer mais sobre a área e não pretendem cursar a Graduação em Química  Forense,  ou  uma  Pós-Graduação,  o  minicurso  Química Forense  a Serviço da Investigação Criminal proporciona um amplo conhecimento sobre as diversas áreas que a Química Forense aborda dentro da perícia, além de realizar análises práticas de casos fictícios dentro da sala de aula durante o curso (foto acima). Maiores informações sobre o curso, ou como fazer para levá-lo a sua cidade, contactar através do email:

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