quinta-feira, 27 de novembro de 2014

[II SBEQ] ENTREVISTA: RUI DE GÓES CASQUEIRA (DEQ/UFRRJ)

"Olá, meu nome é Alan, sou estudante de Eng. Química pela UFRuralRJ e gostaria de dizer que foi um prazer fazer esta entrevista com o professor Rui, que se mostrou muito solicito a participar e contribuir com seu conhecimento. A motivação para esta entrevista foi: não apenas profissionais das indústrias tem informações relevantes para nossa profissão. Um coordenador de curso possui uma visão bastante ampla da graduação, deficiências dos formandos e pontos de vista que podem ajudar muito a nortear e corrigir posturas problemáticas que, por vezes, nós graduandos não percebemos. Portanto, creio que foi de imensa valia esta abordagem de questionamentos e dúvidas relacionadas à engenharia química. Espero que gostem." Alan Hugo Azevedo, Representante Beta EQ.

O Professor Rui de Góes Casqueira é engenheiro químico formado pela UFRRJ, Mestre em Ciências da Engenharia Química pela Universidade Federal de São Carlos, concluiu o Doutorado em Engenharia de Materiais e Metalúrgica pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro em 2004. Atualmente é Professor Adjunto e exerce a função de Vice-Diretor do Instituto de Tecnologia e dentre outras funções, foi Coordenador do Curso de Graduação em Engenharia Química (2009-2014) e de Engenharia de Materiais (2010-2012) da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro. Atua na área de Engenharia Química, com ênfase em Processos Inorgânicos e tratamento de efluentes industriais.

1- Por ter sido coordenador de um curso de graduação em engenharia química, certamente o Sr. é referência para muitos estudantes. O Sr. também se espelhou ou tomou algum profissional como referência? Por que optou por esta carreira?

R: Optei por essa carreira por ter afinidade com as ciências exatas e sempre achar que um engenheiro é uma referência de conhecimento. Não tenho como referência nenhum profissional especificamente, mas um pouco de muitos colegas de trabalho que possuem características marcantes.

2- A engenharia química em sua opinião ainda é uma área promissora?

R: Sem dúvida. É claro que a empregabilidade é uma função do desenvolvimento econômico do país mas mesmo em situações de retração ou recessão econômica, as engenharias (junto com outras poucas áreas) são as que sofrem o menor impacto. Dentre as engenharias, a química ainda apresenta pro mercado um profissional bastante versátil que pode atuar em diferentes funções.

3- Em sua opinião existe uma área mais promissora entre pesquisa e indústria?

R: A indústria é mais promissora uma vez que oferece a maior parte das vagas de engenheiro químico. Contudo é importante lembrar que dentro da indústria também há pesquisa.

4- Como você analisa a questão das reprovações no decorrer da graduação? Isto influencia na formação do profissional?

R: As reprovações fazem parte do processo. Não vejo influência na formação do profissional, uma vez que para integralizar os créditos, o estudante precisa ser aprovado em todas as disciplinas do curso. Porém, reprovações por conta de excesso de faltas podem sinalizar um desinteresse do aluno pela disciplina.

5- Qual a sua visão de um prognóstico da engenharia química para os próximos anos?

R: Há estudos que indicam a necessidade de mais de 600 mil engenheiros formados no Brasil até 2020. Entre 2000 e 2012, o número de estudantes que ingressaram na carreira de engenharia subiu 351%, ante 120% da média dos cursos de graduação. Em 2011, pela primeira vez, houve mais calouros de engenharia do que de direito. A Engenharia Química está dentro desse contexto como uma das que mais apresentam demanda.

6- Qual o diferencial do curso de engenharia química de sua universidade?

R: A forte interação curricular entre a química e as disciplinas do ciclo profissional. É extremamente importante que um engenheiro químico saiba química em conjunto com as demais disciplinas do curso. 

7- O que precisamos e podemos mudar no curso de engenharia química da UFRRJ?

R:  Os discente precisam interagir mais com o curso. De forma geral, há uma apatia por parte de grande fatia do corpo discente. Os alunos que se mostram mais aplicados se destacam frente à coletividade. Por outro lado, há uma necessidade de maior interação do corpo docente frente às mudanças do perfil do aluno que ingressa atualmente na UFRRJ. Há de se buscar motivar os alunos para o estudo e para outras atividades acadêmicas, porém quem não se sente motivado possui uma imensa dificuldade em motivar.

8- Com uma visão mais holística de todo o processo, o que o Sr. mais observa em termos de mudança no curso de engenharia química?

R: Minha visão particular para mudanças no curso indica uma maior participação do aluno em atividades fora da sala de aula. O aluno tem que ter maior autonomia para gerir seu tempo, é preciso que o aluno tenha maior responsabilidade sobre suas ações sem a tutela integral de um professor repassador de informações.  

9- Qual a dificuldade em formar engenheiros químicos empreendedores?

R: O empreendedorismo pode ser aprendido na escola, mas não deve ser visto como uma cadeira obrigatória do curso. O aluno empreendedor deverá buscar esse perfil através de atividades complementares ou de extensão.

10- Como o Sr. analisa a disparidade entre as diferentes grades curriculares existentes no país? Uma unificação seria interessante?

R: Normal. Não enxergo como uma disparidade, sim como opções diferentes para uma formação equivalente. Um curso que, dentro de uma carga horária definida, privilegiar uma certa área do conhecimento, com certeza está enfraquecendo o conhecimento em uma outra área. Uma unificação dos currículos dificultaria as modificações constantes que uma grade curricular necessita, além do mais: qual seria a unanimidade dessa grade curricular unificada? Difícil...

11- Em sua opinião qual a maior carência do engenheiro químico formado nos dias de hoje?

R: Saber ler e escrever. É comum a falha grave na redação de um texto coerente e a incompreensão de ideias transcritas para o papel. Por vezes o conhecimento técnico fica diminuído frente a um aluno que não sabe expressar seu raciocínio. Nem falo do conhecimento de outro idioma, considero isso uma demanda de todos os profissionais.

12- Ouço de alguns estudantes, questionamentos sobre a didática de alguns professores de diversas universidades, em sua opinião o modelo cientista/pesquisador é uma boa opção de docente?

R: Essa é uma questão debatida entre os professores engenheiros. A questão didática é importante quando se admite um professor (universidades públicas) tanto que o professor é aprovado em um concurso público que sempre tem uma prova didática. O problema não está aí, o problema está na falta de interação entre professores e alunos questionando essa situação cotidiana. Por receio, os alunos não reclamam da qualidade das aulas de um determinado professor, se não há reclamações, o professor não sabe que a aula não está adequada. As entidades estudantis organizadas (DAs e CAs) devem exercer suas funções junto às Coordenações de Curso para minimizar essas ocorrências.

13- A presença de coordenadores e demais profissionais do ramo acadêmico em congressos de atualização e inovação no ensino da engenharia química são importantes para o futuro do curso?

R: Muito importantes, como exemplo, enquanto estive à frente da Coordenação da Engenharia Química, participamos de congressos na área de ensino de engenharia, sempre com publicações de trabalhos. A Coordenação do curso convidou outros professores para participar dos eventos e essa participação vem trazendo frutos para a nossa universidade.

14- Existe algum plano de atualização periódica do fluxograma de engenharia química? Em caso de negativo, por quê?

R: Não. Essa não é uma ação periódica, é uma ação que deve ser contínua, porém de iniciativa do Coordenador ou do Colegiado do Curso, que possui alunos em sua composição.

15- Fale um pouco sobre os projetos em que o Sr. Participa.

R:Participo de projetos na área de tratamento de resíduos, remoção de poluentes inorgânicos via processos adsortivos, e recuperação de metais provenientes de placas de circuito impresso.

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