quarta-feira, 15 de outubro de 2014

APRENDIZAGEM SEM FRONTEIRAS

(Texto enviado pelo Representante Beta EQ e estudante da UFV, Daniel Tinôco)

Em meu último texto para o Projeto Beta EQ, enquanto membro da III Equipe Nacional, quero abordar um tema bastante presente na vida de muitas pessoas nos últimos tempos e que já é assunto bastante comentado: o intercâmbio estudantil. Entretanto, apresentarei alguns depoimentos de formandos e estudantes do curso de Engenharia Química, da Universidade Federal de Viçosa, que já foram para o exterior e que ainda estão fora, para que possamos perceber, por meio de suas visões, a verdadeira importância de uma atividade como essa em nossa carreira e profissão.

Não é novidade para ninguém que o intercâmbio possibilita um crescimento não só profissional como também pessoal na vida daqueles que o realiza, uma vez que o desafio de viver em um país diferente, com costumes diversos e uma cultura, muitas vezes, cheia de novidades, é muito maior do que aqueles que enfrentamos quando saímos de casa pela primeira vez, para adentrar ao mundo da Universidade, por exemplo. É certo que é desafiador adaptar-se a uma nova condição de vida e passar tanto tempo longe da nossa “zona de conforto”, mas também é fato que nossa forma de perceber o mundo que nos cerca é modificada radicalmente, sobremaneira, em relação à amplitude de oportunidades e de possibilidades existentes e que, se não fosse pelo intercâmbio, não teríamos a chance de descobrir.

Um de nossos leitores, o formando Élder Rodrigues, que vivenciou dois intercâmbios acadêmicos, assim nos diz: “Acredito que, independente do programa oferecido aos estudantes, como Ciências Sem Fronteiras, AIESEC, ESN e parcerias das Instituições Nacionais com as Internacionais, realizar um intercâmbio significa a possibilidade de ter uma vivência diferenciada, não somente em relação às questões acadêmicas, mas, ainda, de poder conviver com novas culturas e “expandir a mente”, o que corresponde, hoje, a uma vantagem no mercado de trabalho, pois a maioria das empresas buscam pessoas que tenham experiência e uma liberdade maior para poderem viajar e se dedicarem às organizações. Além disso, a parte do idioma é essencial, já que a aprendizagem é bem mais efetiva, do que aquela realizada no Brasil. Como está mais fácil, atualmente, fazer um intercâmbio, eu recomendo aos estudantes, principalmente de Engenharia Química, que o façam e não percam essa chance!”.

É possível inferir, também, que o intercâmbio permite o contato com Centros de Ensino e Pesquisas reconhecidos em todo o mundo, sendo uma maneira de conhecer um pouco mais das novas tecnologias desenvolvidas por esses e, dependendo da situação, realizar um trabalho em conjunto com grandes nomes da Engenharia Química, por exemplo. Isso leva a um desenvolvimento profissional ímpar e a uma formação complementar mais sólida e mais rica.

A assídua leitora Ana Érika Moreira, atual bolsista do Ciências Sem Fronteiras – EUA, nos apresenta sua opinião: “ O contato com o mercado de trabalho é maior, se comparado ao que possuía no Brasil. Além disso, a aplicabilidade do que estudamos em matérias, como Operações Unitárias, Fenômenos de Transporte e Cinética e Reatores, é bem mais expressiva, que a velha e conhecida teoria, muitas vezes, apresentada nas disciplinas como instrumento único para o ensino. Somos, continuamente, desafiados a sanar problemas de engenharia, utilizando, somente, nossos conhecimentos, sem que o professor nos dê um passo-a-passo de como fazer. Isso é bem interessante e nos leva, ao final do processo, a um nível técnico e profissional bem mais elevado. Isso é motivador, pois me sinto mais engenheira química!”.

Muitos acreditam que o intercâmbio, devido ao programa Ciências sem Fronteiras, é, apenas, uma maneira de viajar e “curtir a vida”, antes de se formar. Porém, nossa leitora Melina Saturnino, atual bolsista do programa nos EUA, nos apresenta sua visão sobre o assunto, discorrendo, ainda, sobre as diferenças existentes entre o ensino brasileiro e americano: “Este intercâmbio tem sido muito proveitoso para mim, tanto em aspecto profissional quanto pessoal. Profissionalmente, tenho desenvolvido meu inglês, tornando-o mais competitivo, já que é uma língua essencial para todo engenheiro, de modo especial, o engenheiro químico, no aspecto da comunicação mundial, ou seja, para contato com diferentes culturas. Além disso, minha carga horária é menos extensa, o que contribui para que eu absorva, de forma mais efetiva, o que aprendo nas aulas. Dessa maneira, dizer que se trata de um “Turismo sem Fronteiras” é mentira, já que é necessário estudar muito para se ter boas notas e, assim, conseguir um estágio. Na questão pessoal, tenho aumentado meu networking consideravelmente, pois minha roommate é uma coreana e, por meio dela, pude aprender sobre a cultura coreana e tornar-me amiga de outros coreanos, além de chineses, indianos e americanos. Estou conhecendo pessoas de diferentes partes do mundo e , com isso, expressões de lugares diversos, o que favorece minha comunicação. Em relação à Engenharia Química, sinto mais orgulho ainda de fazer o curso, uma vez que é bastante reconhecido nos EUA e pelas pessoas, que sempre se admiram quando digo que o faço”.  

O intercambio, portanto, tornou-se mais um instrumento de formação complementar, tendo uma importância significativa na vida e carreira de qualquer estudante e profissional, que deseja um lugar no mercado de trabalho ou na academia. Sendo assim, sua realização corresponde a uma oportunidade de crescimento pessoal e técnico, o que cada vez mais será exigido das pessoas. Melina Saturnino, para encerrar, nos deixa uma mensagem: “Recomendo a todos, que estejam na dúvida, a fazer um intercâmbio, pois vale muito a pena. Antes de vir, estava com muito medo, indecisa se viria ou não. Hoje, porém, não me arrependo, apesar da saudade e de não ser fácil, no início. Mas, realmente, passa rápido e vale muito a pena, muito mesmo!”.

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