terça-feira, 9 de setembro de 2014

PREVENÇÃO DE DISTÚRBIOS ADAPTATIVOS EM ESTUDANTES UNIVERSITÁRIOS

(Texto enviado pelo Representante Beta EQ Gabriel Almeida)

Não precisa pesquisar muito para chegar à conclusão de que há um enorme e profundo abismo entre a educação básica e superior brasileiras. Numa economia extremamente competitiva dominada pela tecnologia, por habilidades e competências avançadas, a conclusão de um curso superior representa cada vez mais, o mínimo necessário para obter-se uma chance de competir no mercado de trabalho, conseguir emprego inicial e garantir um padrão básico de vida. Hoje é necessário um nível muito mais elevado de escolaridade para se conseguir um emprego bem remunerado, criando assim, novas oportunidades de vida.


Um dos principais fatos observados no atual cenário da acirrada concorrência que atingiu o setor do ensino superior tem sido a convivência com a perda de alunos. Nos últimos anos, as Instituições de Ensino Superior (IES) vêm-se deparando com o fenômeno da evasão, considerado um dos problemas mais graves do ensino superior brasileiro. Para as famílias e os acadêmicos, a evasão representa um sonho não realizado, um ciclo que não se fechou “desperdício de tempo e/ou de dinheiro”. Por outro lado, em uma sociedade cada vez mais dependente dos recursos intelectuais, essa questão passa a ser uma grande preocupação.

Evasão é um fenômeno complexo com sérias repercussões sociais e econômicas, pois implica perda de receita. Recursos e capacidade instalada das IES ficam ociosos, frustram-se as esperanças das famílias, da sociedade e muitas vezes a escolha precoce do curso, pois, os alunos saem cada vez mais cedo do ensino médio e tendem a escolher não o que querem, mas o que acham por causa de influência. Chegando lá e após alguns anos com quedas e aprendizados, o aluno percebe que não é aquilo que quer e perde novamente alguns meses, até anos, de sua vida descobrindo e se preparando para mudar totalmente o rumo de sua profissão.

Nos estudos realizados por Schargel e Smink (2002), foi possível identificar cinco categorias de causas da evasão: as psicológicas, as sociológicas, as organizacionais, as interacionais e as econômicas. Em síntese, falta de orientação vocacional e desconhecimento da metodologia do curso, deficiência da educação básica, busca de herança profissional, mudança de endereço, problemas familiares e financeiros, influenciam diretamente esse fenômeno que envolve diretamente a saúde psicológica do acadêmico.
Os estudantes universitários, sempre foram considerados colaboradores da ciência, participando de várias pesquisas, nas mais diferentes áreas, tanto como uma pesquisa realizada pela Andifes (Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior), por meio do Fórum Nacional de Pró-Reitores de Assuntos Comunitários e Estudantis (Fonaprace), revelou que 39% dos estudantes das instituições federais de ensino superior passam por alguma dificuldade emocional. Segundo o diagnóstico, realizado pelo psicólogo Marcelo Tavares, professor da Universidade de Brasília (UnB), dos 39% de alunos com crises psicológicas, pelo menos 5,5% faz uso de medicação psiquiátrica e 24% já procuraram ajuda psicológica. Além disso, estima-se que 20% dos estudantes das universidades federais estejam em processo agudo de crise, que requer apoio psicológico imediato.

O estudante, ao ingressar na universidade, passa por situações de crise acidentais, uma vez que sai do seu ambiente familiar e se depara com um mundo desconhecido, podendo viver vários conflitos. Isto gera um desequilíbrio emocional, decorrente da insegurança surgida nessa nova relação. A não superação dessa crise, decorrente da “não adaptação” às novas vivências ou ao novo ambiente, poderá se constituir para o aluno em um fator causador de estresse, gerando problemas orgânicos, dificuldades de relacionamento, baixa produtividade escolar, angústias, estados de depressão e, em situações mais acentuadas, ocorrer perda do interesse pela vida.

Segundo, Péterson Fedulo Pereira, jornalista e graduando e psicologia, esse assunto é algo que merece sim atenção, também acha que todas as instituições de ensino, sobretudo as públicas deveriam contar com um psicopedagogo (cuja formação deve ser em psicologia, e não em pedagogia). Acredita também que o tema deve ser delimitado com muito cuidado. É normal que em todos os espaços e grupos haja um percentil significativo de indivíduos que tenham problemas psicológicos carentes de atenção e cuidado. Será muito interessante um estudo que trate os impactos disso no ambiente acadêmico, buscando: identificar causas intensificadoras dos conflitos (que os estudantes já trazem de casa ao ingressar na instituição) e daqueles problemas que podem vir a ser desenvolvidos na instituição, conclui.

Estudantes universitários são considerados um grupo especial de investimento social do país, particularmente em razão de funções de liderança que deverão exercer na sociedade em um futuro próximo. Portanto, estudo e apoio focados nesse grupo devem ser empreendidos, dando-se ênfase às dimensões mais vulneráveis nessa fase de vida. 


Referências

Alchieri, J. C. & Bandeira, D. R. (2002). Ensino da avaliação psicológica no Brasil. Em R. Primi (Org.), Temas em Avaliação Psicológica (pp. 35-39). Campinas: Impressão Digital do Brasil.
Calais, S. L. & Pacheco, E. M. C. (2001). Formação de psicólogos: analise curricular. Psicologia Escolar e Educacional, 5(1), 11-18.
Santos, M. A. (1994). O empório da intimidade: a psicologia que o aluno deseja encontrar no curso de formação. 
CARRAHER, T. N. O Método Clínico: usando os exames de Piaget. São Paulo: Cortez, 
1989. 161 p.
MACHADO, M. T. M. C. S. FACULDADE DE PSICOLOGIA E DE CIÊNCIAS DA EDUCAÇÃO DA UNIVERSIDADE DE COIMBRA. Raciocínio Operatório formal:análise do seu estatuto no desenvolvimento, 1999, 379 p, Tese (Doutorado)

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