quinta-feira, 18 de setembro de 2014

FALHA NA INDÚSTRIA QUÍMICA: CASO ADES®

(Texto enviado pelo Representante Beta EQ e estudante da UFF, João Werdan)

No mês de março deste ano de 2014 foi amplamente divulgado na mídia e nas redes sociais a contaminação do suco AdeS®. A partir disto o BetaEQ entrou em contato com a Unilever®, responsável pela produção do suco AdeS®, para saber mais sobre o caso, a mesma nos informou apenas que “a falha na produção de AdeS® foi pontual e restrita ao lote AGB25, sabor maçã 1,5L. 


Com exceção do lote acima mencionado, AdeS®, em TODOS os seus sabores e formatos, se encontra liberado para produção, comercialização e consumo. A comercialização de AdeS® em todas as lojas do país estará regularizada. Voltamos a pedir desculpas aos nossos consumidores e clientes pelo episódio e declarar mais uma vez nosso compromisso com a qualidade de AdeS®, uma das marcas mais queridas do Brasil.” Não podendo a assessoria de comunicação fornecer mais informações.

Segundo o portal de notícias da Globo (G1) a solução de limpeza envasada nas embalagens do lote com problema foi soda cáustica a 2,5%, apresentando um elevado pH de aproximadamente treze e que pode representar risco de queimadura ou sensação de forte ardência na boca, caso venha a ser ingerido. E que a proteína do leite de soja, nesse caso, pode neutralizar em parte os efeitos da alcalinidade da soda.

Noventa e seis unidades do suco foram contaminadas, após o recall 50 unidades foram localizadas e recolhidas. No total quatorze clientes entraram em contato com e empresa relataram queimaduras na mucosa, enjoo e náusea. Nenhum deles precisou ser internado.

Mas como ocorreu esta falha? A revista Veja publicou que As falhas na fábrica teriam ocorrido no tanque de alimentação da linha de envase. Como ele estava com estoque baixo, a máquina teria iniciado o processo automático de limpeza. Mas, em seguida, o dispositivo de envase teria sido acionado por um funcionário e as embalagens receberam a substância de limpeza no lugar do suco. A Vigilância Sanitária questionou o fato de a empresa não ter notado o erro e distribuído ao mercado o lote contaminado. 

Com tudo isso a empresa terá ainda de aumentar o número de amostras coletadas durante o envase e alterar o período de retenção dos produtos acabados antes da liberação ao mercado. Outra exigência é a revisão e implementação de um procedimento de liberação da produção após o sistema de higienização. Por fim, a companhia precisará introduzir um dossiê diário de qualidade com a assinatura dos gerentes. A falha mecânica e principalmente técnica renderá a empresa uma multa de R$ 6,2 milhões na Secretaria do Consumidor e na Anvisa, a multa pode atingir o valor de R$ 1,5 milhão.

O BetaEQ também consultou a engenheira de alimentos Professora Doutora Cristiane Hess de Azevedo Meleiro, segundo ela é usual e permitido por lei a utilização de hidróxido de sódio para a lavagem e higienização de equipamentos na indústria. O questionamento da engenheira é como o lote do produto foi liberado pelo responsável pela análise físico-química e microbiológica do produto, pois testes simples como o de pH ou até mesmo a sensorial do profissional teriam reprovado e retido o lote; esse teria sido o principal responsável pela falha. Erros podem ocorrer na indústria e são comuns, mas devem ser pegos nos sistemas de segurança posteriores. 

Hoje empresas sérias têm programas de segurança confiáveis e etapas para que o problema não se propague, existe inclusive a ISSO 22000 que trata exclusivamente desse tema. Toda falha pode ser descoberta ainda na indústria e essa se preocupa com o consumidor, para Cristiane a palavra é “segurança do consumidor”. Entre detectores de metais e contagem microbiológica os testes são diversos e o consumidor não deve se preocupar com possíveis falhas na indústria. E concluiu dizendo que o a falha do suco de maçã Ades® foi pontual.

Referências bibliográficas:
http://glo.bo/YMcTwC
http://veja.abril.com.br/noticia/economia/laudo-aponta-que-ades-tinha-agua-e-soda-caustica
http://jornalbioquimicap.blogspot.com.br/2013/06/aconteceu-lote-de-sucos-ades-e.html

Agradecimentos especiais e consulta técnica:
Professora Doutora Cristiane Hess de Azevedo Meleiro*
*A Professora Doutora Cristiane Hess de Azevedo Meleiro, possui graduação em Engenharia de Alimentos pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro(1997), mestrado em Tecnologia de Alimentos pela Universidade Estadual de Campinas(1999), doutorado em Ciência de Alimentos pela Universidade Estadual de Campinas(2003) e curso-tecnico-profissionalizante pela Escola Técnica Federal de Química(1991). Atualmente é Associado I da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, Revisor de periódico da Química Nova (Impresso), Revisor de periódico da Brazilian journal of food technology (Impresso), Revisor de periódico da Acta Amazonica (Impresso) e Revisor de projeto de fomento do Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do RJ. Tem experiência na área de Ciência e Tecnologia de Alimentos, com ênfase em Tecnologia de Alimentos. Atuando principalmente em carotenóides CLAE EM. 

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