terça-feira, 5 de agosto de 2014

UM DÉFICIT MAIOR DO QUE VOCÊ IMAGINAVA

(Texto enviado pelo Representante Beta EQ e estudante da UNIOESTE, Fábio Augusto Leite)

Hoje, fala-se muito da falta de engenheiros em nosso país, mas você realmente conhece a dimensão dessa carência? Para você ter uma ideia, dentro do BRICS - grupo formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul - o Brasil é o 4º colocado no número de engenheiros formados por ano, ganhando somente da África do Sul. Relacionando em números, o Brasil forma cerca de 40 mil engenheiros por ano, enquanto esse número é de 650 mil para a China, 220 mil para Índia e 190 mil para a Rússia. Quando comparamos números de engenheiros com outros profissionais da área de humanas ou biológicas, dentro do nosso próprio país, a carência é ainda mais visível.


O Brasil possui, sozinho, mais faculdades de direito do que todo o resto do mundo junto: estima-se que sejam cerca de 1240 universidades ofertando o curso no Brasil, contra cerca de 1100 universidades em todo o restante do mundo - segundo o próprio conselho nacional de justiça. São cerca de 3 milhões de brasileiros formados em tal curso. O país também é segundo colocado na escala global em números de universidades que ofertam o curso de medicina - aproximadamente 196 - perdendo somente para Índia. A proporção brasileira para médicos em 2009 é de 1 médico para cada 578 habitantes.

Esses números impressionam e, além disso, demonstram a fragilidade na formação de engenheiros.  No Brasil, são ofertadas cerca de 302 mil cadeiras entre todas as engenharias (contando todos os cinco anos de curso), e somente 120 mil delas estão ocupadas, aproximadamente. O índice de defasagem durante a formação alcança níveis de 5% a 55% dependendo da universidade. Esses fatos fazem com que o Brasil possua, atualmente, um número aproximado de 600 mil engenheiros - uma média de 3,1 profissionais para cada 1000 habitantes, ou ainda 6 profissionais para cada 1000 trabalhadores. Tal número não chega nem perto de nações como o EUA, com 25 profissionais para 1000 trabalhadores, segundo o FINEP (Financiadora de Estudos e Projetos).

As consequências para o mercado de trabalho brasileiro são grandes. Faltam engenheiros, e sobram profissionais de outras áreas. Nesse ponto, surge a questão: não seria mais viável e simples redirecionar o sistema de formação acadêmica brasileira, voltando para a formação de profissionais dos quais o país mais demanda no momento? 

O déficit brasileiro de engenheiros é de 20 mil profissionais por ano, e esse número tende a aumentar. O CNI (Confederação Nacional da Indústria) calculou que, somente em 2012, o déficit já era de 150 mil engenheiros. Assim, qual é o impacto dessa carência em nossa realidade?

A resposta é simples: atraso tecnológico e dificuldades no preenchimento de cargos ocupados por engenheiros. Isso retarda a produção, afeta campos de exportação e aumenta cada vez mais as taxas de importação - principalmente de tecnologias que poderiam ser produzidas no país, mas acabam não sendo, por inviabilidades econômicas. É fato que a produção de produtos com o selo “MADE IN BRAZIL” está diretamente ligada com a demanda e a oferta de engenheiros. Um retrato alarmante desse cenário é descrito em números de patentes que o Brasil requereu em 2012: cerca de 6,6 mil. Esse número é quase cem vezes menor do que o a China (560 mil), 20 vezes menor do que o da Alemanha (132 mil) e dez vezes menor do que o da França (66 mil).

A última questão levantada é como se pode impulsionar a engenharia de forma a combater a evasão durante a graduação, não somente aumentando o número de cadeiras oferecidas, mas também o número de formandos por ano, melhorando a qualidade do ensino? Afinal, se o país não acordar para essa realidade, o déficit vai se acumular por anos, atrasando o mercado e o desenvolvimento. Assim, seremos eternamente o país que exporta produtos primários e importa tecnologia de ponta. Já está na hora de ocorrer um incentivo ao nosso futuro ramo. 

O tempo não para, e a “balança profissional” do mercado brasileiro está cada vez mais desnivelada para o ramo da engenharia.

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