quarta-feira, 6 de agosto de 2014

ENGENHARIA QUÍMICA E MAIS UMA EXPLOSIVA ÁREA DE ATUAÇÃO

(Texto enviado pelo Representante Beta EQ e estudante da UFV, Daniel Tinôco)

Com o bombardeamento de informações e notícias sobre energia nuclear, isótopos radioativos e guerras e mais guerras na Faixa de Gaza, intermináveis e cada vez mais presentes na vida do ser humano, qual estudante de Engenharia Química, ou aspirante ao curso, nunca desejou misturar substâncias, para promover uma pequena explosão? Ou mesmo, qual estudante nunca quis saber como criar uma bomba? Pois vamos lá, adentrar ao incrível mundo dos explosivos.


Os explosivos são há muito tempo utilizados pelo homem em inúmeras atividades, das quais a aplicação bélica é a mais conhecida. Entretanto, não apenas para promover guerras e destruir vidas os explosivos são utilizados, mas, ainda, na execução de grandes obras de engenharia, como na construção de túneis e estradas, que tendo, apenas a força brutal do homem, não adquiriria a aparência que apresentam, tampouco teriam sido feitas em um prazo relativamente curto.

Do ponto de vista de um engenheiro químico, os explosivos correspondem a substâncias de grande aprendizagem, pois, por meio deles, podem-se obter conhecimentos, ainda que introdutórios, de termodinâmica, físico-química e cinética de reações. Quimicamente, os explosivos são misturas capazes de liberar, de forma rápida, gases de combustão e calor, através do resultado de uma ação externa, que pode ser dada por uma chama, um choque, um atrito ou pelo próprio calor. A energia liberada pela combustão dos gases promove uma atividade em cadeia, produzindo elevadas pressões, pela expansão desses gases, o que constitui o poder de destruição de um explosivo.

Conhecida pelos chineses há séculos, a pólvora é um exemplo clássico dos explosivos, sendo composta por, basicamente, salitre (nitrato de potássio), enxofre e carvão (carbono). Os gases resultantes são o gás carbônico, monóxido de carbono e nitrogênio. Este último é capaz de explicar o poder de alcance de um explosivo, uma vez que, além da liberação de gases, a explosão será tanto mais intensa se os produtos apresentarem maior estabilidade, quando comparados aos reagentes do sistema. Assim, estruturalmente, devido à ligação tripla do nitrogênio gasoso, sua molécula apresenta estabilidade suficiente para produzir uma explosão considerável. 

Associadas às condições acima, a velocidade da reação química é fundamental para fazer com que o explosivo seja eficiente. Uma elevada velocidade é obtida por meio da presença de oxigênio, donde os compostos nitrogenados, novamente, adquirem papel de destaque. Esses compostos são capazes de gerar o nitrogênio estável e, ainda, servir de fonte de oxigênio, fazendo com que os explosivos nitrogenados sejam um dos mais poderosos, já produzidos pelo homem. Um exemplo deles é o TNT ou trinitrotolueno, de grande poder destrutivo, por essa razão usado durante a Primeira Grande Guerra e conferindo vantagens à poderosa Alemanha. 

Outro exemplo muito famoso de explosivos poderosos é a nitroglicerina. Alfred Nobel (idealizador do Prêmio Nobel), por meio de inúmeros estudos, propôs o uso de diatomita, restos de crustáceos, junto à nitroglicerina, o que levou à formação de uma massa estável. Ao ser misturada com a pólvora, essa massa recebeu o nome de dinamite e passou a ser mais destrutiva que qualquer outra substância, sendo, por isso, muito aplicada pelo ser humano. Recentemente teve seu poder superado pela bomba atômica, em potência e intensidade, porém seu uso é, ainda, significativo.

Um último exemplo são as lamas e emulsões explosivas. Tratam-se de soluções aquosas e saturadas de sólidos em suspensão, água e combustíveis, manuseadas em equipamentos simples, de baixo custo e elevada segurança e que podem ser aplicadas em trabalhos da Construção Civil. 

Com tudo o que foi apresentado, tem-se mais um grandioso e bombástico exemplo de área de atuação de um engenheiro químico, que dominando a realidade das poderosas moléculas químicas, poderá utilizá-las tanto para formar um mundo novo, como para destruí-lo. Cabe, agora, escolher: explodir a engenharia química de novas tecnologias e conceitos em benefício da ciência e da vida, ou fazê-la a pior arma que o homem já criou. Essa resposta é de todos nós, aspirantes, atuais ou futuros profissionais de Engenharia Química. 

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