terça-feira, 19 de agosto de 2014

ALGAS E BIODIESEL: UMA COMBINAÇÃO QUASE PERFEITA

(Texto enviado pelo Representante Beta EQ e estudante do IFSul, Natali Tajes Cardozo)

Vivemos em uma era onde a pesquisa está voltada para áreas de biodiversidade e energia para substituição de fontes clássicas. Essas pesquisas são dirigidas, em sua maior parte, para o “verde”, o natural, o reaproveitável. A grande questão era o biodiesel ser obtido por meio de óleos vegetais (soja, mamona, milho, amendoim, algodão) ou de gordura animal, isso se tornava uma ameaça por precisar de mais terras para se plantar os vegetais para que fosse possível a produção do biodiesel. Mas o alimento é que estava ameaçado. Aproveitando-se dessa onda, pesquisadores descobriram uma fonte alternativa de biocombustíveis: as algas.

As algas são plantas microscópicas, unicelulares, que crescem devido à fotossíntese, portanto não precisam de muitos cuidados, água, luz e gás carbônico são suficientes para sua existência. São ricas em lipídeos (chegam a 80% do peso seco), produzem 200 vezes mais óleo do que o açúcar e não necessitam da utilização de terras férteis. Elas crescem rápido e duplicam sua biomassa várias vezes por dia, podem ser colhidas rapidamente não exigindo uma grande estrutura para seu armazenamento, nem de grandes extensões de espaço para cultivo.  Segundo dados do MIT (Japão), um hectare de soja, gera 400 litros de óleo, enquanto que o equivalente a mesma superfície, com algas, gera 100.000 litros. 

Sendo possível a criação de algas em águas tanto doces como salgadas, em ambiente rico em luz e calor, sabemos que o Brasil possui as condições ideais para a produção das microalgas, principalmente a região Nordeste do país. A primeira instalação para a produção desta tecnologia aqui no país custou US$9,8 milhões, está localizada em Pernambuco e tinha data de conclusão no final do ano passado. 

Além de ser matéria prima para a produção de um combustível limpo, as algas absorvem uma quantidade significativa de CO2 para poder crescer, tornando-se duplamente sustentável. O biodiesel de algas libera menos gás carbônico do que os derivados do petróleo, combatendo o efeito estufa. As algas também podem se desenvolver em regiões desérticas e na água salgada, o que minimiza o uso de terras produtivas e da água doce. O resíduo das algas pode ser utilizado como fertilizantes e outras matérias primas na indústria.

Para a criação das algas, algumas técnicas são aplicadas, uma das mais utilizadas são as raceway ponds (grandes tanques abertos) onde o cultivo em deve ser monitorado, pois a água tem que estar na temperatura exata, o CO2 tem que ser injetado e há um grande risco de contaminação, e de fotobiorreatores tubulares fechados.

O biodiesel é feito a partir da extração dos lipídeos das células das algas que pode ser feito de três modos: pela prensagem (método mais simples, extrai 75% do óleo), pelo hexano (primeiro a alga é prensada e depois o que sobra dela é misturada com hexano, filtrada e limpa, extrai 95% do óleo) e por fluidos supercríticos (enquanto é prensada e aquecida, a alga é misturada com CO2, sendo transformada completamente em óleo). Depois de extraído, o óleo é refinado através de uma reação de transesterificação (éster + álcool). Misturando-se um catalisador básico, como o NaOH, a um álcool, como o metanol, resulta em um combustível agregado a um glicerol. Este combustível é refinado para a retirada do glicerol e o seu produto final é o biodiesel de algas.

Porém, assim como possui muitos benefícios, ainda se encontram empecilhos nesta tecnologia: é necessário controlar a temperatura e a acidez; fornecer nutrientes que gera um alto custo; encontram-se dificuldades na aplicação em grande escala; nos tanques podem surgir espécies invasivas; o óleo extraído é rico em ácidos graxos livres e iodo, tornando necessária a sua purificação, encarecendo a produção; dificuldades na desidratação da alga para retirada do óleo; custo 20 vezes maior quando comparado com a produção do biodiesel pelo óleo de soja.

A busca pelo combustível perfeito ainda continua, mas não podemos deixar de pesquisar e buscar meios que valorizem tecnologias já existentes. Talvez encontremos uma nova espécie de alga que seja rentável para a produção de biodiesel, ou um novo método de extração do óleo, ou novas técnicas de criação de algas, algo que nos permita ter um futuro sustentável e rentável.

http://www.brasilescola.com/quimica/biodiesel-algas.htm - Acesso em 14/08/2014
http://carros.hsw.uol.com.br/biodiesel-de-algas.htm - Acesso em 14/08/2014
http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S010350532011001100001&script=sci_arttext&tlng=pt - Acesso em 14/08/2014
http://www.em.com.br/app/noticia/especiais/rio-mais-20/noticias/2012/07/19/noticias_internas_rio_mais_20,307024/primeira-usina-de-biodiesel-de-algas-marinhas-sera-instalada-no-brasil.shtml - Acesso em 15/08/2014
http://www.biomassabioenergia.com.br/noticia/o-biodiesel-de-algas-marinhas-por-thiago-correa/20120228135212_H_332 - Acesso em 16/08/2014
http://www.portaldoagronegocio.com.br/artigo/brasil-algas-e-biodiesel-uma-aposta-que-pode-gerar-riqueza - Acesso em 17/08/2014

Nenhum comentário:

Postar um comentário