quarta-feira, 27 de agosto de 2014

A CRISE NO SETOR DO ETANOL

(Texto enviado pelo Representante Beta EQ e estudante da FURG, Matheus Alves Lopes)

No meu primeiro texto ao BETA EQ, em Maio deste ano, optei por escrever sobre a crise que assolava o setor do etanol no Brasil, visto a importância deste setor para a nossa economia. Algum tempo se passou e o setor sucroalcooleiro, outrora tão fomentado pela implementação do Programa Nacional do Álcool (Proálcool) e defendido com unhas e dentes pelos chamados “nacionalistas”, agora parece esquecido, sem importância e ainda em crise. E o pior: sem nenhuma perspectiva de melhora.

Nos últimos dias, vários acontecimentos impactaram negativamente o mercado do etanol, dando pouca ou nenhuma esperança de recuperação. Vamos a eles.

Segundo a UNICA (União da indústria de cana-de-açúcar), a moagem de cana-de-açúcar pelas unidades fabricantes da região Centro-Sul atingiu 35,98 milhões de toneladas na segunda quinzena de julho de 2014 - o menor valor observado desde a safra 2007/2008, quando 25,27 milhões de toneladas foram processadas na mesma quinzena. Com isso, a moagem no mês alcançou 77,39 milhões de toneladas, retração de 11,49% em relação a julho de 2013.

De acordo com dados da Companhia Nacional de Abastecimento, a estimativa de produção de etanol na região centro-sul em 2014/2015 será de 25,56 bilhões de litros. Na safra anterior, foram produzidos 26 bilhões de litros. Essas estimativas de produção referentes a região centro-sul são de grande importância, já que esta representa cerca de 90% da produção nacional. Os números da CONAB estão bem elevados em comparação as projeções da ÚNICA.

Em uma entrevista após sabatina na Confederação de Agricultura e Pecuária do Brasil, a presidente Dilma Rousseff afirmou que o etanol do país compete com o combustível feito a partir do milho nos EUA. Em resposta, a presidente da ÚNICA, Elizabeth Farina, justificou o mal momento do setor: "Mais de 90% do hidratado produzido no Brasil é destinado ao mercado interno. É a desoneração da gasolina, e não o etanol de milho, que afeta a competitividade do hidratado". “Desinformada” foi o termo utilizado por Farina sobre a declaração da presidente. 

Apesar de sua robustez, o setor sucroalcooleiro sofre, mergulhado em uma crise que parece não ter fim. E as razões desta má fase ultrapassam as fronteiras das indústrias e das lavouras canavieiras. Espero que o setor se recupere e que volte a ocupar lugar de destaque na economia nacional.

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