segunda-feira, 7 de julho de 2014

OS DESAFIOS DO PROFISSIONAL EM ENGENHARIA QUÍMICA

(Texto enviado pelo Representante Beta EQ e estudante da UFRuralRJ, João Paulo Werdan)

Muito além de “o que faz um engenheiro químico” ou “quem somos” devemos estar preparados para as exigências teóricas e técnicas da profissão, além de o que devemos saber e fazer como engenheiros químicos.


A sociedade moderna herdou mais de um século de importantes contribuições dadas pela engenharia química, desde que ela foi reconhecida como profissão para George Davis, em 1887, o primeiro engenheiro químico da história, um ex-inspetor de fábrica de álcalis, que em 1887 proferiu um importante conjunto de palestras, posteriormente publicadas, sobre a operação das instalações químicas modernas da época. Até então existiam os químicos, “engenheiros industriais” e engenheiros mecânicos, essas funções se uniram nos principais laboratórios de química alemães. As universidades de Göttingen, Giessen, e Heidelberg educaram uma geração de químicos que aplicaram ciência básica fundamental à produção em grande escala de processos de interesse da química industrial

Nestes pouco mais de cem anos, a engenharia química evoluiu de uma disciplina estritamente aplicada para dar sua contribuição nas mais avançadas fronteiras da ciência dos últimos anos. Mas afinal, o que é um engenheiro químico? Os estudantes da Universidade de Minnesotta oferecem-nos as seguintes opções:
(a) Um engenheiro que fabrica produtos químicos;
(b) Um químico que trabalha em uma fábrica; ou
(c) Um glorioso encanador? 

O termo “engenheiro químico” pode realmente não ser muito apropriado e deixar em dúvida os menos esclarecidos e novatos na área. Basicamente poderíamos dizer que somos os “engenheiros universais”! Por possuir uma sólida formação em matemática, física, mecânica dos fluidos, transferência de calor e de massa, termodinâmica e cinética química e, sobretudo, devido à sua forte interação com os processos oriundos da aplicação da química, está apto a abordar um número mais diversificado de problemas do que os engenheiros mecânicos, civis e eletricistas. Estes problemas certamente vão muito além do que a palavra “químico” sugere no termo “engenheiro químico”. Em suma, o engenheiro químico é um profissional capaz de abordar e resolver problemas de engenharia onde aspectos físicos, químicos, e físico-químicos são relevantes tanto em termos de processo quanto de produto. Muito amplo? Bem, é por isso que somos “universais”. E a resposta do questionamento anterior seria provavelmente “d”, ou seja, a famosa “nda” (nenhuma das alternativas anteriores).

A profissão do engenheiro químico consiste no mínimo a fazer previsões de risco a curto e a longo prazo (em alguns casos certamente nenhum de nós será testemunha do sucesso ou fracasso de nossas previsões de tão longo prazo), como engenheiros, no entanto, somos apaixonados por previsões. Nossas simulações são tentativas analíticas ou numéricas de prever o comportamento de produtos ou o futuro (quem sabe também o passado) do processo no qual estamos interessados. Além de sermos capazes de encontrar novas soluções para o manuseio e fabricação de moléculas mais complexas, com ênfase nas propriedades dos materiais e melhor aproveitamento dos recursos naturais. São inúmeros os desafios da profissão de engenheiro químico. Os novos profissionais deverão ter capacidade de trabalho colaborativo, e empreendedorismo, além de contínua motivação, conhecimentos gerais e especializados, interdisciplinaridade, grandes habilidades de comunicação, e capacidade de contínuo aprendizado e realização de seus anseios pessoais.

Os estudantes de engenharia química em geral adquirem uma formação muito variada, e são expostos a elementos básicos de engenharia elétrica, civil, mecânica, física, matemática e economia. Muitos concordam que eles estão prontos para quase todo tipo de trabalho técnico, e preparados para o sucesso em muitas carreiras diferentes. São comuns os casos de cargos executivos de grandes empresas serem ocupados por engenheiros químicos. Nestes tempos em que a palavra de ordem é empregabilidade, nada melhor do que apostar em uma profissão que amplie a chance de se atuar em diferentes áreas e funções

O perfil:
O engenheiro moderno tem que ser empreendedor, o que significa que espera-se que tenha iniciativa, capacidade de liderança e, sobretudo, motivação e entusiasmo. O perfil do engenheiro moderno ideal inclui uma ampla gama de aptidões sociais e profissionais que demonstrem capacidade de negociação, trabalho em grupos interdisciplinares, habilidades para se comunicar bem em qualquer lugar e através de qualquer meio, sobretudo oral e eletrônico. A maior disponibilidade de computadores e sistemas automatizados tornará as instalações mais fáceis de serem operadas e gerenciadas; por outro lado, será requerida uma compreensão técnica mais avançada dos processos, especialmente para problemas novos.

Em suma, os desafios para o engenheiro químico do Século XXI são muitos: deveremos obter uma formação clássica de engenharia química, que inclui uma fundamentação importante em áreas da física, química e matemática, ao mesmo tempo em que expande suas fronteiras para campos interdisciplinares, para o qual deverá também obter formação básica de biologia e bioquímica em alguns casos.

-Referência textual: Luismar Marques Porto, Departamento de Engenharia Química e Engenharia de Alimentos - Universidade Federal de Santa Catarina  -Fonte Imagem

Nenhum comentário:

Postar um comentário