quinta-feira, 26 de junho de 2014

UMA VISÃO GERAL DA DESSALINIZAÇÃO

(Texto enviado pelo engenheiro químico formado pela USP, Weverton Baldin)

Dessalinização (Desalination,  Desalting, ou Dessalinization em inglês) é o processo de remoção de sais dissolvidos da água, produzindo água doce a partir de águas salobras e água do mar. As tecnologias para dessalinização podem ser utilizadas em diversas aplicações, sendo a mais prevalente a de produção de água potável a partir de água salgada para propósitos domésticos e municipais. Entretanto, o uso dessas tecnologias para aplicações industriais vem crescendo, especialmente na indústria de Óleo & Gás.


97,5% da água mundial são salgadas (Oceanos). Apenas 2,5% é água doce e 70% dessa água estão congeladas em geleiras e calotas polares.

Um Processo Natural

A dessalinização é um processo natural, contínuo e parte essencial do ciclo da água. A chuva cai na terra e eventualmente segue até o mar. Durante essa movimentação, por cima ou através do solo, ela dissolve minerais e outros materiais se tornando cada vez mais salgada. A energia do sol faz com que a água evapore deixando os sais dissolvidos para trás, e o vapor forma as nuvens que produzem a chuva, retornando a seu ponto de partida.

A Busca pela Água

As pessoas vêm dessalinizando água por séculos. Uma das primeiras menções desse processo foi feita por Aristóteles, que escreveu sobre a dessalinização da água do mar em 320 a.C.. Diversas técnicas foram usadas ao longo das eras. Plínio, o Ancião descreveu a dessalinização de água do mar com condensação em lã no ano 70 em Roma; Alexandre de Aphrodisias descreveu com condensação em esponjas 130 anos depois na Grécia. O explorador francês Jean De Lery reportou a destilação bem sucedida de água do mar durante sua viagem ao Brasil em 1565, e James Cook utilizou esse processo durante sua circunavegação do planeta.

Avanços nas Tecnologias de Dessalinização

No início do século XX, as técnicas mais utilizadas eram evaporação e destilação. Os processos tiveram um grande avanço na década de 40, durante a 2ª Guerra Mundial, quando as tropas estabelecidas em regiões áridas precisavam de alguma forma de suprimento de água potável. No fim da década de 60, as unidades comerciais de dessalinização produziram 8000 m³/dia, iniciando as instalações em várias partes do mundo, com o processo principal sendo a destilação.

Nos anos pós-guerra, entretanto, os cientistas começaram a estudar os processos osmóticos para dessalinização. O primeiro registro do termo “Osmose Reversa”, agora uma tecnologia popular, apareceu no relatório anual de 1955 do US Department of Interior’s Office of Saline Water Commission. Os desenvolvimentos continuaram, e nos anos 70, processos por membrana, como Osmose Reversa (RO) e Eletrodiálise (ED, EDI, EDR), começaram a ser utilizados extensivamente. Como os processos de Eletrodiálise eram mais econômicos que a Destilação, o interesse na utilização desses processos para aplicações municipais cresceu, principalmente nos locais com acesso limitado a mananciais de água doce.

Nos anos 80, a tecnologia de dessalinização se tornou comercialmente viável e, nos anos 90, o uso desses processos se tornou uma coisa comum para suprimento municipal. A maior parte desses processos utilizavam tecnologias de membrana e térmicas. Atualmente, a Osmose Reversa responde por 60% da capacidade mundial instalada.

Redução de Consumo de Energia e Respostas a Preocupações Ambientais

Atualmente, os desenvolvimentos nas tecnologias de dessalinização visam, especificamente, a redução de consumo de energia e de custo, bem como de impactos ambientais. Avanços incluem tecnologias novas e emergentes como Forward Osmose, Destilação a baixa temperatura, Destilação em Membranas, Osmose restringida por pressão e Membranas Biomiméticas e de Grafeno.

Também há uma pressão para a utilização de energias renováveis como suprimento para as plantas de dessalinização; por exemplo, a Arábia Saudita fez um grande investimento em captação de energia solar para dessalinização. Além disso, Masdar (a cidade do futuro) organizou um programa piloto para ajudar na comercialização de novas tecnologias mais econômicas para dessalinização.

A indústria também vem dando uma atenção especial a considerações ambientais. Garantias de proteção ambiental têm sido cada vez mais importantes na concessão de licenças para novas plantas de dessalinização e programas de monitoramento têm sido cada vez mais usados. Um menor consumo de energia também reduz o carbon footprint, uma medida de gás carbônico gerado na fabricação da planta, e também as novas tecnologias estão sendo bem sucedidas a evitar distúrbios na vida marinha em processos de captação e despejo.


Apesar de o consumo de energia ter sofrido uma redução significativa nos últimos 20 anos, o desejo é que se consiga uma redução de mais 20% até 2015.

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