terça-feira, 3 de junho de 2014

MOTIVAÇÃO PARA CURSAR ENGENHARIA

(Texto enviado pelo Representante Beta EQ Romilson Mendes Barbosa)

Apesar dos números de vagas de engenharia nas instituições de ensino superior terem mais que triplicado entre 2001 e 2011, o Brasil não conseguiu, nestes anos, garantir que pelo menos a metade dos estudantes que ocupam essas vagas efetivamente conclua o curso e receba seu diploma de engenheiro. De acordo com estudo divulgado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), a média de evasão nesses cursos na década analisada foi de 55,59%.

Lendo esta reportagem durante a semana que resolvi mudar o tema da minha contribuição textual, pois me remeteu ao inicio de minha graduação em Engenharia Química, que irei compartilhar com vocês.

Cursei um ensino médio bem defasado pela rede pública, durante o 2º ano e o primeiro semestre do 3º ano não tive professor de química e física, eu tinha intercalações entre aulas vagas e professores substitutos, como cada vez era um professor diferente que substituía, o ensino que acabei recebendo nestas matérias foi um tanto quanto fragmentado. Mesmo assim tinha fixo em minha mente que queria fazer Engenharia Química, após realizar várias pesquisas na internet e ter conversado com pessoas que estavam cursando e que haviam cursado EQ.

Concluído o ensino médio me lancei nos vestibulares, e fiquei maravilhado por ver meu nome entre os selecionados para a Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), em Cubatão, mas como havia passado em minha segunda opção e ela não era EQ, optei por não me matricular, foi então que decidi fazer um cursinho pré-vestibular e me preparar para prestar os vestibulares novamente no ano seguinte.

Prestei todos os vestibulares novamente e consegui me classificar na Universidade Federal do Rio Grande (FURG), em Santo Antônio da Patrulha e na Universidade de Sorocaba (UNISO) com bolsa integral, preferi por questões de acessibilidade me matricular na UNISO, no dia que antecedia ao inicio do ano letivo, estava eu “navegando pela internet” por não conseguir dormir por estar demasiadamente ansioso quando, de repente, me deparo com um texto chamado: “Motivação para Engenharia Química” –  Stephan, Richard M.  (EE/COPPE/UFRJ), mais que depressa, após lê-lo, eu dei o famoso Ctrl+C / Ctrl+V, imprimi o arquivo e coloquei dentro de minha pasta. Estou cursando o 5º semestre de EQ, ainda tenho a pasta, e sim, ainda tenho o texto, e ele é minha leitura de refúgio quando entre em conflito com este “amor bandido” entre mim e a EQ.

Voltando a reportagem, quando eu a li me assustei ao deparar com o índice elevado de evasão dos cursos de engenharia no país, porém, ao trazer a tona à lembrança da quantidade de alunos que dispunha em minha sala no 1º semestre para a atual quantidade, vi que o número também se aplica perfeitamente a ela e compreendi com clareza quão complicada é esta situação.

Com os vestibulares a caminho decidi redigir este texto na esperança de alcançar os leitores que pretendem cursar engenharia, pois em minha visão, aqueles que detêm maior conhecimento a cerca do que os espera, são os que têm maior chance de persistir.

O QUE É ENGENHARIA?

Conforme diz o texto de Stephan, Richard M. - “Como tenho dificuldade para responder a esta pergunta, vou tentar contornar esta dificuldade falando das obras da engenharia, creio que por aí será possível chegar a uma concepção do que é a engenharia. Definição: Obras da engenharia são o conjunto das coisas visíveis menos o conjunto das coisas da natureza. Usando notação de Teoria dos Conjuntos:
{OBRAS DA ENGENHARIA} = {COISAS VISÍVEIS} – {COISAS DA NATUREZA}”.

Podemos ilustrar melhor este conceito, por exemplo, se pensarmos em um homem pré-histórico cercado por uma vegetação rasteira e algumas árvores à margem de um rio, ele está faminto, no outro lado da margem se encontra sua caça, mas como avançar para a outra margem? De repente: a razão! Ele pode usar as árvores para a construção de uma ponte rústica, mas o suficiente para suportar seu peso. Com o passar das gerações podemos notar que a ponte rústica do homem pré-histórico virou belos arcos sustentados por aços formidáveis de uma ponte pênsil, ou seja, a modificação de algo que já existia, esta é a essência da engenharia, a capacidade de criar e modificar as coisas.

EXISTE VOCAÇÃO PARA SE CURSAR ENGENHARIA?

Tive muitas dúvidas antes de me decidir em cursar engenharia, além da diversidade de cursos dentre as engenharias em que ficava na dúvida, também tinha uma parte de mim que clamava por algumas áreas humanas, todavia me fechei em considerações e conceituações com o meu próprio eu até que me decidi enfim pela Engenharia Química.

Conclui, portanto, que sim, existe a vocação para se cursar engenharia, na verdade as vocações que aqui declaro são na verdade afinidades, e ainda bem que elas existem, senão este mundo seria uma monotonia.

No ensino médio eu tinha muitas matérias que me entediava, mas também tinha aquelas que me entusiasmava, foi então que percebi um dia que tanto o tédio quanto o entusiasmo que sentia em relação às matérias estudadas eram baseadas em minhas afinidades, sempre tive muita afinidade para as exatas, logo ia bem nestas matérias, já as partes de humanas, com exceção do português, sempre achei entediante, então meu cérebro ligava o modo bloqueio de aprendizado de imediato.

Em suma, para as engenharias em geral, acredito que o estudante deva ter habilidades para o método científico e ter uma boa afinidade em matemática, física, química, inglês, e, principalmente ser aberto a diálogos com colegas de outras especialidades, tais como: físicos, economistas, sociólogos e etc.

O CURSO DE ENGENHARIA

Muitos adentram em um curso de engenharia pelas perspectivas errôneas de que todos os engenheiros ganham salários exorbitantes e são ricos, está certo que, segundo a Forbes, dentre quinze profissões melhores remuneradas cinco são de engenharias, mas temos que levar em consideração nosso bem estar, pois de nada adianta eu fazer um curso visando ganhar bem se irá estar insatisfeito em meu emprego.

Temos que visar nosso bem estar, por isso digo com propriedade, faça o curso que lhe apraze, pois assim você o executará com amor e terá maiores chances de ser um bom profissional naquilo que se comprometerá a fazer, e um bom profissional em qualquer esfera de curso, é um profissional, bem remunerado.

Há dois anos e meio escolhi a EQ e digo que ela também escolheu a mim, vivemos neste meio tempo, um “amor bandido” eu apanho, apanho, mas eu amo o curso que faço e não me vejo em nenhum outro curso e oxalá se todos descobrissem assim como eu, o curso que satisfaça o desejo de sua alma.

Bibliografia:

< http://www.pp.ufu.br/trabalhos/26.PDF > Acesso em 22 de maio de 2014 às 19h35m

CREMASCO, Marco A. Vale a pena estudar engenharia química. In: Engenharia, p.1-6. 2ªed.-São Paulo: Blucher, 2010.

Um comentário:

  1. Belo texto Romilson.. Fico feliz em ter um representante da Uniso aqui no Beta EQ.
    Só para constar, também tive problemas com professores de física e química no ensino médio, e durante o 2ano com uma professora de matemática que era formada em biologia. Enfim, rede estadual publica e sua complicações com professores. Mas esses caminhos contrários não tiraram o desejo de um dia torna-me engenheira química. Bom, eis me aqui (conclui o 7 período) e estou firme e forte e satisfeita com a minha escolha.
    Att, Nicole Cassis, estudante de EQ na Uniso.

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