sexta-feira, 27 de junho de 2014

BIOTECNOLOGIA E BIOSSURFACTANTES: UMA NOVA MANEIRA DE ENXERGAR O PETRÓLEO PELO ENGENHEIRO QUÍMICO

(Texto enviado pelo Representante Beta EQ e estudante da UFV, Daniel Tinôco)

Dando continuidade à temática da biotecnologia como caminho favorável ao profissional de engenharia química, já apresentada no meu último texto, destaco, agora, um estudo promissor e de grande interesse industrial, no setor biotecnológico: o desenvolvimento e a utilização dos biossurfactantes.


Os biossurfactantes são substâncias produzidas por micro-organismos, como fungos, leveduras e bactérias, que apresentam características emulsificantes, solubilizantes e dispersantes. São, por essa razão, capazes de detoxificar ambientes, ao absorver impurezas. Sua principal aplicação está na biorremediação, donde a biotecnologia passa a ter papel primordial e, por consequência, a engenharia química.

A biorremediação é uma tecnologia de eliminação rápida de poluentes presentes em um ambiente, pelo uso do metabolismo de micro-organismos. Pode ser aplicada, por exemplo, no controle de petróleo derramado no mar, oriundo de vazamentos em alguma das etapas de sua utilização: uso, transporte, estocagem e/ou distribuição. Nessas etapas, riscos de contaminação ambiental e perdas de produção são elevados. 

Por ser ainda o principal combustível do setor energético, o petróleo apresenta aspectos tanto econômicos, quanto sociais, o que o torna alvo de interesses e de preocupação. Sua importância está no fato de gerar consideráveis lucros às grandes companhias petrolíferas e ser a matéria-prima de inúmeros produtos utilizados, direta ou indiretamente, no dia-a-dia do ser humano. Entretanto, derrames acidentais ou mesmo de descargas ilegais e de tanques defeituosos de navios no mar constituem preocupação da indústria e de organismos ambientais e governamentais, em razão das consequências geradas. 

O petróleo contaminante forma manchas negras capazes de causar graves problemas ao ecossistema marinho, ao intoxicar a flora e a fauna e desequilibrar a cadeia alimentar do ambiente onde está derramado. Além disso, gera prejuízos ao turismo local e às atividades de pesca, sem contar a imagem negativa associada à companhia responsável por sua utilização. 

Dessa forma, o combate rápido ao derramamento é ação necessária e essencial, podendo ser alcançado com o método da biorremediação. Nessa perspectiva, o engenheiro químico conhecedor dessa tecnologia ganha vantagens sobre os demais profissionais, pois são capazes de aplicar os conhecimentos da biotecnologia em questão em seu favor. Assim, podem eleger os mais adequados biossurfactantes para o controle do derramamento de petróleo no mar. Isso porque os biossurfactantes são os verdadeiros responsáveis pelo processo de biorremediação, ao promoverem a limpeza e remoção dos contaminantes.

Os biossurfactantes apresentam grande valor dentro do contexto da sustentabilidade industrial, por trabalharem com os princípios da biodegradabilidade e da produção renovável, condições buscadas, hoje, pela indústria. Além disso, apresentam baixa toxicidade e boa estabilidade térmica. Todas essas propriedades os tornam vantajosos frente aos surfactantes químicos, colocando-os em destaque junto às técnicas de remediação ambiental.

Portanto, a biotecnologia de biossurfactantes constitui-se uma ciência de relevante interesse, destinada, principalmente, ao combate e controle de desastres de caráter ambiental, econômico e social, que, cada vez mais, ganha espaço no setor industrial. E, por consequência, acaba representando um caminho promissor e diferencial para o profissional de engenharia química que pretende fazer parte da indústria biotecnológica e, principalmente, petrolífera na atualidade.

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