sexta-feira, 30 de maio de 2014

SYDNEY DESALINATION PLANT

(Texto enviado pela Representante Beta EQ Ana Martins)

Uma das melhores partes de se fazer intercâmbio é poder conhecer coisas que simplesmente não existem no seu país. E quando você faz o seu intercâmbio em uma Universidade você tem oportunidades ainda mais interessantes. Na semana passada minha turma de Processos de Membranas foi à planta de dessalinização de Sydney. Confesso que ela está desativada, mas todos os equipamentos estão lá e ela ainda processa uma solução conservante para que possa voltar à ativa assim que necessário. Como o Brasil não tem nenhuma planta desse tipo (Embora existam empresas que produzam os equipamentos), dividirei com vocês o pouquinho que aprendi.


O projeto foi inaugurado em 2010, com capacidade de produzir 250000 m3 por dia, após uma seca que assustou a Austrália e motivou a criação de plantas de dessalinização em quase todas as grandes cidades do país, que são costeiras, em geral. Porém a seca foi um caso isolado e em dois anos as plantas já não eram mais necessárias e agora a maioria delas está fechada ou com data marcada para o fechamento. Mas como o aquecimento global não está para brincadeira, elas estão em estado de alerta e podem voltar a funcionar a qualquer momento.


O processo começa, é claro, coletando a água em tanques enormes, 30m abaixo do nível do mar para que a água chegue com pressão suficiente para girar uma roda-filtro. Isso é necessário porque a água do mar contém muitas impurezas (algas, peixes, pedras, areia e lixo, por exemplo) que são grandes demais para os próximos tratamentos e ainda podem danificar os canos. Por isso a entrada para o próximo tanque é bloqueada pela roda, cujas paredes são filtros bem grossos, para remover apenas os maiores objetos. Apenas 48% da água coletada passa pelo filtro, o restante é resfriada e passa por um controle ambiental antes de ser devolvida ao mar.


A água que passa do filtro ainda está longe de poder passar pela osmose reversa, que é um dos poucos processos existentes que realmente removem o sal, porque as membranas envolvidas são frágeis e não podem receber grandes partículas. A água então recebe um pré-tratamento químico, com flúor, cloreto de ferro e agentes polímeros para facilitar a floculação e segue para um grande galpão com 12 filtros de areia e carvão. Nessa etapa são removidas partículas dispersas na água, como poeira, por exemplo. Mas ainda não é o bastante.


Dos tanques de floculação a água segue para grandes filtros tubulares (Parecem mesmo filtros de papel) e muito finos que removem todas as partículas que não flocularam e nem estão dissolvidas na água. Isso significa que restam praticamente apenas o sal e os químicos adicionados no pré-tratamento. Certamente essas partículas têm o tamanho ideal para passar pelas membranas, porém o pH ainda precisa ser controlado para garantir a maior vida útil possível aos equipamentos. Por isso ainda há uma etapa de neutralização antes que a emoção de verdade comece.


A água devidamente neutralizada segue para bombas de alta pressão. Você já deve ter ouvido falar que o problema da dessalinização é o alto custo, certo? É aqui que ele entra. As bombas precisam circular água a uma pressão de 60 bar para que a filtração ocorra o mais rápido e eficientemente possível. Isso significa 11kV de energia para atingir essa pressão! É tanta energia que a planta tem sua própria estação de energia. Mas também é nesse ponto que está uma das coisas mais interessantes do processo.


A queda de pressão entre o fluxo de alimentação das bombas e o permeado é de menos de um bar. Então o que os engenheiros australianos fizeram foi usar as bombas para aumentar a pressão para apenas metade das membranas. A outra metade é bombeada por um mecanismo de recuperação de energia, que usa a água filtrada para empurrar um pistão que transfere a energia para a alimentação das outras membranas. Dessa forma eles economizam energia tanto para bombear a alimentão quanto para reduzir a pressão do permeado. O retido, por sua vez, passa por uma segunda bateria de membranas. Porém, como a pressão ainda é bastante alta uma bomba bem menos potente, de 2 a 3 bar, é o suficiente para garantir a eficiência do processo.


A água obtida tem cerca de 99.9% de pureza, o que não é bom para consumo humano. Ela então passa por uma remineralização, que é basicamente o mesmo tratamento dado a qualquer água antes de ser distribuída à população. Isso envolve a adição de cloro, sódio e amônia. Assim que o pH é novamente controlado a água está pronta para ser misturada à água tratada das chuvas, bombeada até a cidade e consumida.

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