segunda-feira, 12 de maio de 2014

[OPINIÃO] O CONTROLE DE PREÇOS DA GASOLINA E A QUEBRA DO SETOR SUCROALCOOLEIRO

O etanol, também conhecido por Álcool Etílico, é uma substância de grande importância industrial. Neste âmbito, sua principal forma de obtenção é dada pela fermentação de hidratos de carbono. Apesar de todas as dúvidas e incertezas sobre seu real potencial frente aos combustíveis tradicionais, o etanol ainda é tido como uma alternativa no que tange um dos paradigmas do setor energético mundial: eficiência energética versus sustentabilidade.


Todavia, toda essa robustez não condiz com o atual momento do setor sucroalcooleiro no Brasil. Segundo a União da Indústria de Cana-de-açúcar, Esta é a sexta safra consecutiva de crise do setor do etanol, período marcado pelo congelamento de investimentos e corte de gastos. Desde 2009, das 384 usinas do país, 44 delas encerraram suas atividades. A situação se torna ainda mais grave em comparação ao pico de produção de 2008, quando 27,5 bilhões de litros de etanol foram produzidos.

Em meio às especulações, muitas possíveis causas são citadas, como por exemplo, as alterações ambientais.  As alterações afetam muito a produção e o plantio, mas a cerne da questão não está ai. O principal responsável pela quebra do setor do etanol é o controle do preço da gasolina.

Por mais estranho que isso soe aos ouvidos, a Petrobras é uma empresa que extrai e refina petróleo e perde dinheiro quando o valor do barril sobe.  Mas a política do controle do preço da gasolina não prejudica apenas a Petrobras, que segundo a Financial Times, nos últimos cinco anos, caiu de 12ª para 120ª no ranking de valor de mercado e que tem hoje a maior dívida corporativa do mundo. Como resultado deste comportamento anormal, o Brasil compra gasolina mais cara, já que a produção nacional não atende a demanda, além de vender a gasolina brasileira abaixo do seu real valor.

Com tal concorrência, somada as alterações de clima e a inflação galopante, o consumo de etanol se reduz consideravelmente, o que é reflete em toda a economia de um modo geral. O governo federal tentou incentivar o setor pelo crédito subsidiado com juros que chegam a 5,5% ao ano, mas não foi o suficiente para alterar o estado caótico do setor.

Vale lembrar que este incentivo ao consumo de combustíveis fósseis acarreta um aumento das emissões atmosféricas. Com o uso do etanol, essas emissões não ocorreriam ou ocorreriam em menor proporção. Como exemplo destes poluentes atmosféricos, temos o Dióxido de Enxofre, Monóxido de Carbono e Material Particulado.

Apesar da má fase, o setor do etanol aposta na inovação tecnológica como ponto de recuperação. Se essas inovações (como por exemplo, o etanol de 2ª geração) se mostrarem fortes o bastante em termos operacionais e comerciais, pode representar uma nova era no setor energético nacional.

Matheus A. Lopes - Representante Regional Beta EQ

Fontes:

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