quarta-feira, 7 de maio de 2014

MORDOMOS DE ÁGUA DA INDÚSTRIA

Com o tear da crise mundial de água, químicos e engenheiros químicos encontram espaço em empresas que fornecem produtos e serviços para o tratamento e reuso de água nas indústrias

Focar a carreira no tratamento e reuso de efluentes industriais pode oferecer grandes oportunidades, além de ser importante para resolver o problema da água potável. Dois motivos inspiradores para estudantes universitários que buscam desenvolvimento profissional e compromisso com o planeta.

As fontes mundiais de água estão se esgotando por causa da crescente demanda por parte da indústria, municipalidades e agricultura. A população mundial está aumentando, as chuvas estão cada vez menos previsíveis, e os processos industriais que precisam de uma quantidade considerável de água vêm se expandindo.

Dessa forma, as indústrias se veem forçadas a usar tecnologias mais sofisticadas e eficientes para o reciclo e reuso da água, deixando águas de melhor qualidade para fins potáveis. Consequentemente, o papel de químicos e engenheiros químicos no tratamento de água e efluentes vem se tornando cada vez mais importante, uma vez que os mesmos possuem conhecimento necessário para desenvolver tecnologias e projetar processos multi-estágios para tratar os efluentes quimicamente complexos das indústrias.
Os problemas que estão sendo enfrentados nessa área estão cada vez mais severos e é necessária a injeção de sangue novo, ou seja, pessoas que conseguem pensar de uma forma inovadora para ajudar as indústrias gerenciar de forma criativa e mais sofisticada o ciclo da água dentro das mesmas. Como resultado, companhias que projetam, desenvolvem e vendem químicos e equipamentos para tratamento e reuso de águas industriais estão contratando cada vez mais químicos e engenheiros químicos. Essa é uma boa notícia para quem procura emprego nessa área, que há alguns anos era um mercado difícil.

Esses profissionais possuem conhecimento em separações físicas, químicas complexas e experiência no uso desses conhecimentos para resolver problemas específicos, os quais são importantes no tratamento de efluentes industriais. Companhias que desenvolvem e comercializam químicos e equipamentos para tratamento de água estão investindo no conhecimento necessário para aumentar sua participação em um mercado lucrativo e em crescimento.

O mercado global de equipamentos de tratamento e reuso de água e efluentes movimentou $15,8 bilhões em 2012, comparado com os $14,7 bilhões do ano anterior. A expectativa é que esse mercado cresça em torno de 7% ao ano entre 2011 e 2018 para chegar a $23,9 bilhões, de acordo com a Global Water Intelligence, uma firma de consultoria na área de águas e elfuentes. Acrescentando a isso a GWI estima que o comércio de químicos para tratamento de água e efluentes totalizou $10,9 bilhões em 2012.

Encorajados por esse crescimento, empresas como Dow, GE e BASF continuam a contratar químicos e engenheiros químicos, uma vez que precisam lidar com o crescimento da demanda de tecnologias, além de desenvolver produtos químicos e equipamentos eficientes, a fim de reduzir custos e consumo de energia, além de poder tratar águas cada vez desafiadoras.

Com a entrada desses profissionais nesse mercado, as indústrias de petróleo e gás (Oil & Gas) estão se beneficiando. Essas indústrias utilizam o processo de fracking, que envolve a injeção de grandes quantidades de água e químicos em formações de xisto para fraturar rochas e ter acesso a reservas de petróleo e gás. Cerca de um terço dessa água volta para a superfície nas primeiras semanas (flowback). O restante, conhecido como água produzida (uma mistura de fluido de fracking e água subterrânea) sobe com o gás durante todo o tempo de operação do poço. Esses dois “tipos” de água precisam ser tratados, uma vez que possuem alta salinidade e são tóxicos à vida aquática. Além disso, seu alto teor de sólidos dissolvidos podem sobrecarregar as plantas de tratamento de água e efluentes municipais, afetando a distribuição de água potável.

As empresas que suprem essa indústria com químicos, equipamentos e serviços buscam aumentar a participação nesse mercado florescente. A comercialização totalizou $900 milhões em 2012, de acordo com a GWI. É esperado um aumento de 10% ao ano entre 2010 e 2025 nos investimentos em equipamentos de tratamento convencional e um aumento de 20% em equipamentos de dessalinização. Tais empresas buscam alternativas para fazer com que o tratamento de águas flowback e produzida seja cada vez mais seguro ambientalmente e de forma que elas possam ser reutilizadas no processo do fracking.

O conhecimento em química inorgânica é um fator crítico no desenvolvimento de tecnologias de tratamento projetadas para desafios específicos de um poço ou formação em particular. Em cada solução, existe muito trabalho envolvido no desenvolvimento da solução mais eficiente e que tenha melhor custo-benefício, e os químicos e engenheiros químicos precisam fazer parte desse processo.

A demanda por esses profissionais também está crescendo em indústrias mineradoras. Uma vez que os limites de descarte estão cada vez menores, essas indústrias precisam tratar seus efluentes com processos mais complexos tecnologicamente, que envolvem filtração por membranas e tratamento biológico para remoção de metais pesados, o que é novidade para essas indústrias. Assim, elas precisam de engenheiros químicos que entendam desses processos e possam projetá-los e operá-los para produzir os resultados necessários de acordo com as novas legislações.

Os estudantes de química e engenharia química que desejam trabalhar nessa área precisam obter uma base forte em química inorgânica e também fazer matérias relacionadas à tecnologia de tratamento de água e efluentes, que são tradicionalmente oferecidas em cursos de engenharia civil e ambiental. O conhecimento de tecnologias que utilizam micróbios, membranas ou materiais especializados, como nanomateriais, ajudam os candidatos a se sobressaírem. É recomendável que esses estudantes ganhem experiência com projetos em organizações como Engenheiros sem Fronteiras ou através de estágios e projetos de iniciação científica.

Esforçar-se para desenvolver as habilidades e experiência necessária para conseguir um emprego nesse ramo pode gerar grandes lucros para químicos e engenheiros químicos. Essa indústria oferece problemas interessantes e desafiadores para resolver. É um campo inspirador para estar envolvido, uma vez que a necessidade de água de qualidade na sociedade vem crescendo com o aumento populacional e os problemas ambientais. Ser capaz de gerar um impacto, ajudando a indústria recuperar e reusar a água, é muito satisfatório.


Adaptado de: Ainsworth, Susan J., Chemical and Engineering News, Volume 91, Issue 29, pp. 33-35, july 22, 2013.

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