terça-feira, 27 de maio de 2014

FUTURO PROFISSIONAL DO ENGENHEIRO QUÍMICO: INDÚSTRIA DE BLINDAGEM BALÍSTICA

(Texto enviado pelo Representante Beta EQ Fábio Leite)

Em algum momento da vida acadêmica de um engenheiro químico, surge a grande questão: “O que fazer após a graduação? Prosseguir com a carreira acadêmica ou ir para a indústria?”. Para os que optarem ir para a indústria, já é sabido que terão um leque enorme de opções para atuarem profissionalmente. Contudo, uma especialização em um setor específico pode ser também uma boa escolha, tanto para aprofundamento no que se almeja trabalhar, quanto para inserir uma nova opção de atuação.


O engenheiro químico com pós-formação no ramo de materiais e biomateriais integra um grupo seleto, cuja uma das áreas de atuação é a indústria de blindagens balísticas. O Brasil é um mercado promissor para o engenheiro que pretende trilhar esse caminho. Conforme a Associação Brasileira de Blindagem, o país conta com a maior frota de carros blindados do mundo, superando países do Oriente Médio! A procura por esse serviço está longe de decair: somente na última década, o crescimento desse serviço atingiu a marca de 445%. O número de construções civis “fortificadas” com concreto balístico e vidros blindados também crescem acima da média global.

Para ocupar tal vaga, o engenheiro químico deve dominar conteúdos da pós-formação, relacionados, principalmente, com a mistura de metais com polímeros, metais e cerâmicas e ainda polímeros com cerâmicas. Essas misturas originaram a matéria-prima da indústria de blindagem balística, conhecida como materiais compósitos - os quais são bases de trabalhos de outros relevantes setores, e também um dos carros chefes quando tratamos de inovação tecnológica.

Os materiais compósitos são materiais compostos por no mínimo dois diferentes componentes (ou fases), cada qual com suas propriedades. Contudo, quando misturados, originam um produto com propriedades físico-químicas únicas, impossíveis de se obter com apenas um dos participantes da mistura. Esses materiais são principalmente empregados no transporte (31%), construção civil (19,7%), marinha (12,4%), eletroeletrônicos (9,9%), produtos de consumo (5,8%) e Aeroespacial (0,8%). ¹

Os materiais de compósitos mais famosos no ramo industrial da blindagem são as fibras de Kevlar e Spectra, que, quando aplicadas com outro material, formam um compósito que suporta grandes torções e impactos. Suas aplicações variam de capacetes, coletes a indumentárias - seu uso ainda está em estudo (Indumentárias? Sério? Espero que seja paranoia, e não necessidade!). Outro grande aliado nessa indústria é a cerâmica, a qual é empregada juntamente com polímeros reforçados com fibra de vidro ou de carbono. 

O uso da cerâmica é principalmente destinado a peças com as quais podem ser facilmente trocadas após sofrer uma avaria, ou seja, a cerâmica danificada é substituída por uma nova, mantendo sua estrutura polimérica reforçadas com fibras. 

O ramo de blindagem balística é divido em três níveis: o primeiro, a Blindagem corporal (pessoal), o segundo, é a blindagem Leve (veicular e aeronáutica), e, por fim, o terceiro é a blindagem Pesada (de carros de combate). O engenheiro que seguir essa indústria deve também escolher um desses ramos para atuar. No Brasil, o piso salarial do engenheiro químico com pós-formação em materiais e biomateriais em 2012 variava entre R$ 10.000,00 e R$50.000,00.

Pensando na inserção de um novo ramo profissional, uma pós-formação em materiais e biomateriais torna-se uma das alternativas com um dos maiores balanços positivos, a qual possibilitará a inserção direta na indústria de blindagem balística - uma indústria multibilionária - promovendo contato direto com inovação tecnológica, profissionais de diversos setores (principalmente nossos “irmãos” engenheiros de materiais). E, por fim, não se pode desmerecer as outras indústrias que essa pós-formação possibilita, como a biotecnologia, próteses médicas e de todas as outras que se servem de compósitos.

EXTRA: 

Apesar de o Brasil ser um grande mercado e oferecer grandes oportunidades, os maiores inovadores tecnológicos do ramo de blindagem balísticas são os Estados Unidos - seguidos pela Rússia e Israel.

Fábio Augusto Leite
Representante da III β EQ e acadêmico de engenharia química (UNIOESTE)

Referência:
¹ A. M. F. M. VENTURA. Os compósitos e sua aplicação na reabilitação de estruturas metálicas. Ciência & Tecnologia dos Materiais, v. 21, n. 3/4, 2009

3 comentários:

  1. Adorei essa matéria.Acho muito interessante esta área de materiais e desenvolvimento de novos materiais. :)

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  2. Boa tarde. Sou estudante de engenharia e estou cogitando mudar de área, pra eng. de materiais, e pensando em fazer iniciação científica dentro dessa parte de aplicações de materiais em blindagem. Gostaria de saber se poderiam passar mais informações sobre o desenvolvimento dessa área dentro do Brasil. Obrigado.

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    1. Hugo, aconselho você a entrar em contato com profissionais do IME, eles são muito gabaritados nessa área e poderão lhe dar grandes dicas. Segue o link: http://www.ime.eb.br/corpo-docente-mest-materiais.html

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