quarta-feira, 7 de maio de 2014

DESMITIFICANDO A ENGENHARIA QUÍMICA: "REALIDADES vs. ESTERIÓTIPOS"

A Engenharia Química é vista como incógnita por grande parte da população, que, apesar de saber da sua existência, não compreende o real significado e atuação do profissional graduado nesse curso. Então, acabam sendo levados por estereótipos - os quais, infelizmente, acabam sendo tomados como verdades. Este texto é para você que quer saber sobre o papel da engenharia química além de seus estereótipos e para você, que pretende assinalar “engenharia química” em sua inscrição do vestibular, SISU e afins.

“Eu escolhi Engenharia Química porque eu gosto de Química e de Matemática” - essa é a famosa frase citada por calouros, quando questionados acerca da razão de sua escolha de curso, em sua apresentação no primeiro dia da universidade. Talvez essa frase demonstre o maior estereótipo da engenharia química. Como todos nós descobrimos ainda no primeiro semestre do curso, tal curso está bem afastado de ser uma divisão da engenharia que trabalha exclusivamente com química e matemática. O engenheiro químico deve conhecer a fundo as ciências básicas (matemática, química, física), uma sólida formação em operações unitárias, cálculo com reatores, controle e qualidade de processos e modelagem. Para isso, o engenheiro deve empregar matérias como Fenômenos dos Transportes e Termodinâmica. É importante afirmar, também, que o profissional deve saber linguagens de programação e manusear softwares importantes.

“É o engenheiro que trabalha na indústria química produzindo químicos”; “Produz remédios”; “Elabora novos produtos químicos”.  Essas respostas foram dadas por pessoas abordadas na rua por uma equipe de reportagem da Universidade Federal de Goiás (UFG) (Link do vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=AsiUM5XNhRg). Analisando as tais, verifica-se que não estão totalmente erradas. Contudo, é impossível não perceber o estereótipo que diz respeito ao engenheiro químico trabalhar exclusivamente produzindo e criando novos compostos químicos. Essa é, se não a mais, um das mais absurdas afirmações já feitas sobre a engenharia química.

O engenheiro químico é também conhecido como o engenheiro universal. Sua área de atuação extrapola a produção de compostos químicos, indo ao encontro da exploração e refino de petróleo, Petroquímica (principalmente na produção de polímeros), consultoria, na indústria de faturamento de celulose e de cerâmicas, farmacêutica e de cosméticos, no ramo eletrotécnico, defensivos agrícolas, biotecnologia, alimentos, cimento, explosivos, biocombustíveis, química nuclear, aditivos, tensoativos, biocombustíveis e ecotecnologia.

“É o profissional que trabalha em uma sala fechada atrás da fábrica” - sim, caros leitores e colegas de indignação, existem pessoas que acreditam nisso. No Brasil, existe uma normativa federal de 1974, a qual mais tarde foi ratificada e transformada em lei (85.877 de 7/4/1981), que determina 16 atribuições ao engenheiro químico - das quais 3 delas são exclusivas do engenheiro químico e do engenheiro industrial com pós formação em química.   Algumas funções exigem o trabalho constante dentro de uma sala fechada, mas a maioria das atuações não funcionam desse modo. Por exemplo: a execução, fiscalização de montagem e instalação de equipamentos industriais, e a condução de equipe de instalação, montagem, reparo e manutenção, são atividades extremamente alheias à rotina de estar em uma sala fechada todo o dia.

A engenharia química está constantemente presente no dia a dia de qualquer pessoa. Nós empregamos, vestimos, nos alimentamos - tomamos de forma direta produtos que passaram pelas mãos de um engenheiro químico. Além disso, estamos em contato com tantas vias indiretas ligadas à essa engenharia, que se torna quase impossível contabilizar todas. Dessa forma, quebrar estereótipos relacionados a esse ramo da engenharia, e, de modo geral, a todos os outros ramos da engenharia, é quase uma obrigação do presente e do futuro engenheiro.

EXTRA:
“O que o estudante de engenharia química deve complementar no decorrer de sua graduação?”

Além de toda a grade curricular presente no curso, o engenheiro químico deve, também, possuir habilidades em relações interpessoais, baseadas no profissionalismo e na ética (tanto para equipe, quanto com os clientes). Em grande foco, deve possuir o domínio da língua inglesa, além de conhecimentos estatísticos, econômicos, administrativos e de controle de produção (nesse ponto, a grade curricular é de grande peso). Assim, manter-se sempre interessado na atualização de seus conhecimentos, possuindo uma visão crítica, inovadora e realista.



Fábio Augusto Leite

Representante da III β EQ e acadêmico de engenharia química (UNIOESTE)

3 comentários:

  1. Sugestão de tema para um próximo artigos: a integração da Engenharia Química com as demais Engenharias. Imaginemos o projeto de uma planta industrial, são vários os itens que devem ser avaliados com um aspecto multidisciplinar. Cito o exemplo de um reator. O Engenheiro Químico é o responsável pela determinação do tipo de reator, volume, itens que podem ser utilizados para aumentar a eficiência, etc. Mas também entram os Engenheiros Mecânicos avaliando a estrutura do reator, Engenheiros Civis no projeto da base onde será instalado, Engenheiros Eletricistas para os cálculos de energia elétrica (movimentação de um agitador, aquecimento de uma resistência elétrica), Engenheiros de Tubulação, Engenheiros de Instrumentação e Automação para determinação dos instrumentos de medição (pressão, temperatura, vazão, etc) e organizar a malha de controle. Enfim, ao menos eu quando passei a ter uma visão da engenharia como um todo, fiquei mais apaixonado ainda pela minha profissão. Essa multidisciplinaridade entre as engenharias é fantástica!

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  2. Sugestão de tema para um próximo artigos: a integração da Engenharia Química com as demais Engenharias. Imaginemos o projeto de uma planta industrial, são vários os itens que devem ser avaliados com um aspecto multidisciplinar. Cito o exemplo de um reator. O Engenheiro Químico é o responsável pela determinação do tipo de reator, volume, itens que podem ser utilizados para aumentar a eficiência, etc. Mas também entram os Engenheiros Mecânicos avaliando a estrutura do reator, Engenheiros Civis no projeto da base onde será instalado, Engenheiros Eletricistas para os cálculos de energia elétrica (movimentação de um agitador, aquecimento de uma resistência elétrica), Engenheiros de Tubulação, Engenheiros de Instrumentação e Automação para determinação dos instrumentos de medição (pressão, temperatura, vazão, etc) e organizar a malha de controle. Enfim, ao menos eu quando passei a ter uma visão da engenharia como um todo, fiquei mais apaixonado ainda pela minha profissão. Essa multidisciplinaridade entre as engenharias é fantástica!

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  3. Que tal incluir os tecnólogos na figura acima? Vejo uma competição e um conflito grandes por parte dos novos cursos de tecnologia com nossas atribuições dos engenheiros químicos.

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