segunda-feira, 26 de maio de 2014

COMISSIONAMENTO DE PLANTAS INDUSTRIAIS

(Texto enviado pelo Representante Beta EQ Alan Hugo Azevedo)

Na escassa literatura sobre comissionamento de sistemas e subsistemas em projetos industriais, a definição do termo é inebriada pela grande amplitude pelo qual o seu escopo pode ser interpretado e pelas diversas formas de inseri-la no contexto de gerenciamento de projetos. Ou seja, há pouca clareza e, até mesmo divergências, sobre a definição do conceito de Comissionamento: É uma fase do projeto, uma área de conhecimento, um processo de gerenciamento de projetos a la PMBoK, um subprojeto, ou uma atividade?


Definição

Comissionamento pode ser definido como o processo para assegurar que os sistemas e componentes de uma edificação ou unidade industrial estejam projetados, instalados, testados, operados e mantidos de acordo com as necessidades e requisitos operacionais do proprietário. O comissionamento pode ser aplicado tanto a novos empreendimentos quanto a unidades e sistemas exigentes em processo de expansão, modernização ou ajuste. 

Na prática, o processo de comissionamento consiste na aplicação integrada de um conjunto de técnicas e procedimentos de engenharia para verificar, inspecionar e testar cada componente físico do empreendimento, desde os individuais, como peças, instrumentos e equipamentos, até os mais complexos, como módulos, subsistemas e sistemas. Como o comissionamento foi tradicionalmente concebido como um conjunto de atividades executadas nas fases finais de construção e montagem, ele acaba sendo considerado como uma fase do ciclo de vida do projeto (embora atualmente se reconheça que ele não ocorre apenas nas fases finais do projeto). Contudo, a experiência tem mostrado que o sucesso dos projetos tem correlação positiva com a antecipação das atividades preventivas (tal como ocorre com o comissionamento), uma vez que os custos de prevenção são menores que os custos de correção. Desta forma, é natural supor que o comissionamento venha ocorrer desde as fases iniciais do ciclo de vida dos projetos até o final.


Ferramentas do processo de controle de qualidade em projetos industriais

Condicionamento ou Preservação 

É o processo que tem por objetivo assegurar preventivamente que os componentes de uma edificação ou uma unidade industrial (assim como o sistema) sejam rotineiramente inspecionados a fim de ter a integridade mantida. Consiste em aplicação integrada de um conjunto de técnicas e procedimentos de engenharia para preservar cada componente físico do empreendimento, desde os equipamentos individuais (como peças, instrumentos e equipamentos), até módulos, subsistemas integrantes de um projeto. Esta atividade ocorre uma vez que os equipamentos e componentes tenham passada atividade de Inspeção (atentando, assim, a sua conformidade). Geralmente são conhecidos por testes sem carga (“testes a frio”). É necessário um plano e um sistema gerencial de programação da rotina de preservação para cada equipamento (descrevendo, inclusive, os procedimentos recomendados pelo fabricante e os recursos necessários). Exemplos: limpeza, secagem, pintura, lavagem, calibração de válvulas, aplicação de regras de estocagem, energização de equipamentos, flushing de sistemas de lubrificação, inertização de equipamentos (por exemplo: através de injeção de hidrogênio para retirada de oxigênio e, portanto, de umidade a fim de evitar oxidação ou explosão).

Comissionamento ou Pré-Operação 

É o processo que tem por objetivo assegurar preventivamente que os componentes, equipamentos, módulos, e sistemas de uma edificação ou unidade industrial (assim como a integração e completação entre eles) sejam testados para que os requisitos de operação estejam de acordo com o que foi contratado pelo cliente. O Comissionamento consiste na aplicação integrada de um conjunto de técnicas e procedimentos de engenharia para verificar e testar cada componente físico do empreendimento, desde os equipamentos individuais (como peças, instrumentos e equipamentos), até os módulos, subsistemas e sistemas completos. Geralmente são conhecidos por: testes com carga (“testes a quente”). Também faz parte do Comissionamento (ou pode-se subdividi-lo) as subatividades conhecidas por pré-comissionamento, pré-operação e preparação de partida. Exemplos: testes de malhas elétricas (loop test), testes hidrostáticos, testes de instrumentação, e testes de completação mecânica dos sistemas e subsistemas, e identificar deficiências para solicitação de reparos de defeitos.

Partida (Startup)

Não se deve entender “partida” como um marco, pois é uma atividade que pode ser executada em um período de tempo onde serão aplicados diversos procedimentos recomendados pelo fabricante das unidades, além da execução da sequencia de partida, tal como planejado. Além disso, para encerramento desta atividade não é necessário que o projeto esteja operando em sua plena capacidade ou normalidade, pois a estabilização da operação será executada na atividade de Operação Assistida. Segundo (Parodi, 2001) “Startup ends only when the project is in routine operation although not necessarily at full design capacity production”.

Operação Assistida ou Estabilização da Operação

Esta atividade ocorre após a partida, cujo objetivo é a estabilização da operação das unidades ou do sistema, atestando a confiabilidade da eficiência definida previamente acordada entre as partes. Após a Operação Assistida, finaliza-se o Processo de Verificação de Escopo, onde se espera que, de fato, todo o sistema seja aceito pelo cliente. Esta é a fase na qual se dá a transferência dos sistemas à operação.
Na fase de operação assistida é comum que se faça um gerenciamento por pendências e assim qualquer desvio que afete esses requisitos pode ser visto como pendência a ser resolvida. Podendo haver uma classificação das pendências por nível de gravidade, e para cada nível de gravidade pode-se formular emissão de níveis de aceitação dos itens, malhas, subsistemas etc.

» Termos de Transferência e Aceitação do Sistema (TTAS), que pode ser subdividido em:

- TTAS-1: Quando o sistema envolvido apresenta somente itens pendentes do Tipo “B”;
- TTAS-2: Quando o sistema envolvido não apresenta itens pendentes do Tipo “A” e do Tipo “B”.

» Pendências Tipo “A” (relevantes): Representam aquelas que impedem a continuidade das atividades na fase seguinte, principalmente nos itens relacionados à segurança, integridade e desempenho dos equipamentos/sistemas, e que deverão ser completamente eliminados na fase na qual foram identificados.

» Pendências Tipo “B” (não relevantes): Representam aquelas que não impedem a continuidade das atividades na fase seguinte, principalmente nos itens relacionados com segurança, integridade e desempenho dos equipamentos/sistemas, mas deverão ser reparadas o mais rápido possível antes da fase de Partida/Operação.

Sistema de Gestão

Em projetos de grande porte, o grande volume e complexidade dos dados de comissionamento, aliado à necessidade de garantir a eficiente rastreabilidade e disponibilidade de todas as informações envolvidas, demandam a utilização de sistemas de gestão do comissionamento (softwares) cada vez mais poderosos e sofisticados, capazes de otimizar o planejamento e acompanhamento de todas as atividades dessa importante fase do ciclo de vida do ativo industrial, tais como:

CMSapp Database, desenvolvido por CMScompletion (Singapura);
GO-CMMS, desenvolvido por QED International (UK);
Go-Console, desenvolvido por Lucy Software BV (Holanda);
HMSWeb©, Handover Management System, desenvolvido por HMSWeb Ltda / Forship Engenharia (Brasil);
PCMsys, desenvolvido por PCM Engenharia (Brasil);
PIMS CMS, desenvolvido por Omega (Noruega);
PWCom, desenvolvido por Portreef (Austrália);
WinPCS, desenvolvido por Complan (Noruega);
PRECOM, desenvolvido pela Techint (Argentina).

Legenda: (PMBoK) = Project Management Body of Knowledge, também conhecido como PMBoK é um livro que apresenta um conjunto de práticas em gestão de projectos.

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