quarta-feira, 14 de maio de 2014

CINCO LIÇÕES PROFISSIONAIS DE UMA NOBRE ENGENHEIRA QUÍMICA

"Esse é um texto especial. Aqui você encontrará cinco lições profissionais em uma história. Incentivei a Representante Ana Marques Martins, estudante da UFMG, a escrever um pouco sobre seu Trabalho Voluntário na Austrália, motivo de orgulho e inspiração para todos nós, engenheiros químicos de todo o país. Inspire-se." (Kaique Santos Teixeira)

Cinco lições profissionais em uma história:

1-Envolva-se

Sempre fui muito interessada em trabalho voluntário porque acredito sinceramente que todas as pessoas podem, e devem, contribuir por um mundo melhor, ainda que aos poucos. Quando vim para a Austrália imediatamente comecei a procurar por uma oportunidade de ajudar. Porém a maioria das ações que encontrei envolviam arrecadação de dinheiro para países estrangeiros. Não que isso não seja válido, mas eu gosto de conhecer quem vou ajudar e, principalmente, eu queria causar um impacto para a comunidade em que estou inserida e não para fora. Foi então que uma amiga me apresentou uma iniciativa interessante...

2-Trabalhe com o que você gosta

Essa amiga foi voluntária durante a Copa das Confederações no Fórum Football for Hope, que é o braço social dos eventos da FIFA (Sim, a FIFA tem um coração), e lá conheceu a fundadora do Football United, também conhecido como FUn. O FUn ensina futebol gratuitamente para as crianças refugiadas em Sydney, que são muitas. Elas não aparecem tanto na imagem de “melhor país do mundo para se viver” que a Austrália passa porque estão geralmente nos subúrbios mais afastados. Elas vêm de vários países da Ásia (Principalmente Oriente Médio) e África e embora a cidade seja multicultural, devido ao fato de terem nascido em outra cultura, as crianças têm muita dificuldade de adaptação. E é aqui que entram as já conhecidas vantagens do esporte: Redução da agressividade, espírito de equipe, oportunidade de fazer amigos, disciplina... E por aí vai. Por fim, como eu adoro futebol, foi com muito prazer que me ofereci para ajuda-los.

3-Esteja aberto a novas oportunidades

Eu e minha amiga estávamos ajudando na organização do Harmony Day, que é quando a Austrália celebra sua multicultura. O time local, Sydney FC, ia jogar e o Football United trouxe dezenas de suas crianças para assistir ao jogo gratuitamente. Entre essas crianças estavam as seis que irão ao Football for Hope. Para quem não sabe, durante cada Copa do Mundo acontece paralelamente um torneio entre as ONG’s apoiadas pela FIFA, chamado Football for Hope, e o FUn é a ONG que representa a Austrália. Esse evento ocorre sempre no país sede da Copa, o que significa que os meninos estavam de viagem marcada para o Brasil e, claro, encontrar duas brasileiras os deixou muito animados. Uma das meninas tentava aprender com a gente as palavras básicas de português e algumas dicas de comportamento, mas não conseguia memorizar nada. Prometemos a ela que faríamos uma aula especial para que ela melhorasse quando tivemos a ideia: Por que não reunir os seis representantes para uma aula básica de cultura brasileira? Claro que a proposta foi mais que bem recebida e assim nós começamos um planejamento sobre os aspectos mais importantes a serem abordados e como tornar tudo mais divertido.

4- Tenha orgulho das suas origens, sejam elas quais forem, porque elas o fizeram quem você é

O plano era simples: O pessoal do FUn conseguiu mais dois brasileiros para fazer um treino técnico e depois eu e minha amiga faríamos um quiz para testar o conhecimento dos meninos sobre o Brasil. Eles foram divididos em dois times, Cruzeiro e Atlético, claro, não apenas porque as professoras eram mineiras, mas porque os dois jogariam no mesmo dia e ainda são, respectivamente, o melhor time do Brasil e da América Latina. Só a ideia de representar os times foi o bastante para empolgar as crianças, imagine quando elas descobriram que os vencedores receberiam uma caixa de chocolates brasileiros. O jogo foi divertidíssimo e eu me senti muito bem no final porque percebi que não apenas contribuí em alguma coisa para as crianças e para o país que me acolheu, mas ainda cumpri uma parte da missão pela qual o governo investiu tanto em mim: Representei e divulguei o Brasil de forma positiva.

5-Aprenda

Nesse mesmo dia, conversando com o Kaique, fundador deste blog, comentei sobre a experiência e ele me pediu que falasse sobre ela. A princípio achei que ele estava ficando louco porque a história nada tem a ver com a Engenharia Química, mas ainda assim ele me pôs para pensar e consegui retirar dela cinco lições para minha vida profissional que acredito que vale a pena compartilhar. Isso que você acaba de ler foi o resultado de toda a minha reflexão e espero que com ela, você, leitor do Beta EQ, também possa encontrar algo de bom na história. Na minha também, mas principalmente na sua própria.

P.S.: Para ideias interessantes sobre como contribuir para o mundo, acesse mais vezes: http://betaeq.blogspot.com.br/

E para mais informações sobre as organizações aqui citadas:

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