segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

VISITA TÉCNICA: ELETRONUCLEAR

Durante o Coneeq-Rio, tive a oportunidade de conhecer a Eletronuclear por um dia junto com outros 39 congressistas após uma longa viagem de 3 horas até Angra. Tal empresa é o ramo da Eletrobrás responsável pelo controle de Angra 1 e 2, as únicas usinas nucleares brasileiras em funcionamento.


Introdução: A energia nuclear no contexto mundial e brasileiro

As usinas nucleares geram sua energia por meio da fissão de átomos de elementos radioativos (urânio enriquecido) com o bombardeamento de nêutrons. O calor produzido ebuli a água, formando vapor que irá movimentar turbinas responsáveis pela transformação da energia cinética do vapor em elétrica.
Esse processo permite que pequenas massas de matéria forneçam grandes quantidades de energias, comparando-se com o rendimento das todas as fontes de energia tradicionais e renováveis. Esse amplo aproveitamento credencia essa forma de geração de energia como limpa e independente das condições climáticas e, assim, atrai a atenção de inúmeros países para alterar suas matrizes. A maioria dos BRICS(Índia, Rússia e China) está construindo diversas como forma de tornar o país menos poluído e nocivo à saúde de seus habitantes e turistas; e sua participação na geração de energia mundialmente está em crescimento.

Dentre os seus perigos, destacam-se o lixo e vazamento radiativos e aquecimento da água marítima, afetando o ecossistema da região. Contudo, rotineiramente as usinas se atualizam, aprendendo com seus últimos erros, para se tornar cada vez mais seguras.

No Brasil, infelizmente somente temos em construção a usina de Angra 3, prevista para 2018. Apesar de consistir em mais de 50% da energia fornecida para o Rio de Janeiro, no cenário nacional sua participação é ínfima, e cada vez mais as termoelétricas são edificadas e utilizadas para momentos como o atual, de seca no sul-sudeste e redução no aproveitamento das hidroelétricas.

A Visita

Quando chegamos à área da empresa, fomos recebidos por uma guia que nos direcionou até uma sala. Nesse local, o “relações públicas” da empresa, José Chahim, deu-nos uma palestra sobre a energia, sua produção e colocação no globo; e a Eletronuclear, seu funcionamento e projetos de preservação ambiental (resumidos no tópico anterior). Então, fomos direcionados para uma pequena exposição com uma maquete de Angra 2 e representações dos reatores, turbinas, retomando a explicação anterior; e para um ambiente com linda vista panorâmica para as 3 Angras, e a baía da Ilha Grande.



A partir desse instante, começou de fato a visita. Fomos para a área de Angra 2 após passar por identificação(obrigatório o uso de crachá), detecção de metais e colocação de vestimenta adequada( capacete, óculos e protetor auricular). A entrada de equipamentos eletrônicos foi vetada desde então. Entramos dentro da usina e conhecemos a sala de controle da indústria, as turbinas, a sala de administração da parte fria ( sem contato com radiação) e o local de rejeito.

Primeiramente, a sala de controle cuida da vigilância de toda usina, desde reator até turbinas, passando pelas tubulações. Existem diversos técnicos responsáveis por cada setor e um engenheiro coordenando tudo. A cada pequeno problema, um alarme dispara e todos se mobilizam para sua resolução. Cada grupo fica em um turno de 8 horas e a cada troca, cada técnico explica a sua situação no momento para seu respectivo e o engenheiro a generaliza para todos. Consiste no local mais importante da indústria.

Ademais, a sala de administração da parte fria se responsabiliza pelo abastecimento, trajeto, controle da temperatura e rejeição da água utilizada no processo. Por fim, libera-se a água em uma cisterna na área externa, para liberação de calor, antes de voltar ao oceano.

Prosseguindo o trajeto, levaram-nos para a vila residencial da Eletronuclear. Ela possui diversos apartamentos e casas para os funcionários, além de área de lazer, restaurante estilo self-service- onde almoçamos- e uma praia interna tranquila. Um ambiente digno e agradável para os recém-chegados sem residência fixa ficar o quanto necessitarem.

Antes da despedida, ainda conhecemos o edifício de preparação dos trabalhadores de Angra 2, e o simulador da sala de controle da mesma, que reproduz com bastante precisão o seu funcionamento. Todo novo concursado deve passar de 4 a 5 anos em treinamento assalariado nesse prédio, mantendo média 8 nas avaliações periódicas, até os exames finais de admissão, teórico e práticos nas duas salas de controle, para sua efetivação.

Em suma, o que vi foi uma empresa dos sonhos para quem gosta de tudo extremamente organizado e não compartilha da mentalidade do “jeitinho brasileiro”. Nos próximos anos, abrir-se-á um grande número de vagas, devido a um processo de renovação em vigor na empresa e ao aumento no número de empregados graças a Angra 3.

Para maiores informações, acesse o site http://www.eletronuclear.gov.br/

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