sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

CONEEQ RIO: QUÍMICA FORENSE

Durante o Coneeq desse ano, em dois dias um mini-curso quase lotou um auditório de UERJ e deu inveja a qualquer CSI: “Química Forense: A Serviço da Investigação Criminal”. Ministrado pela profª Shirlene Kelly Santos Carmo, da Universidade Federal Rural do Semiárido (UFERSA), o curso abordou temas como especialização de químico forense, mercado de trabalho, áreas de atuação, principalmente perito criminal; ingresso e remuneração, estudo de digitais, sangue, balística, DNA e drogas, entre outros.


A Química Forense engloba, segundo o Conselho Regional de Química (CRQ), análises orgânicas e inorgânicas, toxicologia, investigações sobre incêndios criminosos e sorologia para realizar conclusões que embasarão decisões judiciais. Existem apenas dois cursos de graduação nessa área no país (USP e UFPel), contudo existe a possibilidade do engenheiro químico realizar uma pós-graduação, inclusive pelo CRQ.

Para ingressar na carreira profissional, o formando deve concorrer a uma vaga em concurso público. O candidato tem que deter um sólido conhecimento de Química Básica, além de noções de biologia, biologia molecular, microbiologia, toxicologia, ciências sociais e fundamentos de direito. Para o bacharel em EQ, existem cursinhos preparatórios que focam na matéria cobrada no exame. Durante o processo, o candidato faz, além da tradicional prova escrita, análise médica, testes físico e psicotécnico e um curso de formação com 6 a 8 meses de duração.

Ao conquistar a vaga almejada, o recém-ingresso fará um curso de preparação para o órgão (em geral polícia) e poderá atuar em uma das seguintes esferas:

- Perícia Trabalhista à Determina se uma atividade é insalubre ou perigosa em casos de acidente de trabalho.

- Perícia Industrial à Faz perícias em alimentos e medicamentos, detecta adulterações em combustíveis.

- Perícia Ambiental à Busca causas de queimadas e desastres.

- Doping Esportivo à Detecta o uso de drogas ilícitas.

- Perícia Policial à Trabalha em investigações criminais. Elas são divididas em Perícia Criminal, responsável pela análise da cena do crime; e Perícia Química, analisando amostras colhidas por outros investigadores e aplicando testes no laboratório.


Perícia Policial
O Perito Criminal é responsável pelo comando das perícias em geral, pelo fornecimento de elementos esclarecedores de inquéritos, pela execução de procedimentos e exames que auxiliam a investigação, elaboração de estudos estatísticos de crimes e produção de laudos periciais posteriormente analisado pelo juiz do caso. O principal setor de atuação desse profissional é o local do crime, que deve ser demarcado de forma a abranger todos os atos materiais preliminares e posteriores à consumação do crime. Nessa região, são analisados e recolhidos os vestígios com base nas ciências forenses.


Subdivisões da Química Forense
Dentre as possíveis evidências, destacam-se as impressões digitais, manchas de sangue, projéteis de armas de fogo, drogas de abuso e o DNA. Em primeiro lugar, as impressões digitais são formas características dos dedos geradas pelas irregularidades da pele (cristas papilares e sulcos interpapilares), geradas já na gestação. Nenhuma pessoa possui todas as digitais idênticas à outra pessoa, constituindo-se, portanto, boa forma de identificação pessoal pela dermatoglifia. Pós, nitrato de prata e laser são técnicas capazes de discriminá-las.

A parte da Química Forense responsável pela análise de sangue, sêmen e saliva se consiste na Sorologia Forense. O sangue ajuda na determinação da cronologia e o trajeto percorrido pela vítima, além de poder conter digitais, enquanto que a presença de sêmen configura crimes sexuais e a saliva contém DNA. Alguns testes já realçam manchas de sangue invisíveis a olho nu e a análise da tipagem sanguínea (sistemas ABO e Rh) pode ajudar a desconfiar de certas pessoas.


A balística investiga as armas, as balas e as feridas produzidas por ambas no alvo, entre outros exames no corpo. Graças a tais evidências, o perito descobre informações como calibre do projétil, qual arma (branca ou de fogo) foi usada, distância e posição em relação à vítima. Quanto às armas de fogo, vestígios de pólvora indicam o disparo de munição ou a distância da ferida de entrada.


Com a proibição de consumir álcool antes de dirigir e a ilegalidade de inúmeras drogas de abuso as suas identificações são muito importante na hora de indiciar ou não um suspeito. Elas se dividem em:

- Psicoanalépticos, ou estimuladores do Sistema Nervoso Central(SNC), dando energia e disposição ao usuário, como a cocaína e seus derivados.


- Psicodislépticos, ou perturbadores do SNC, levando à alteração da percepção e despersonalização. Ex: LSD e ecstasy.

- Psicolépticos, ou depressores, causando lentidão, sonolência e perda de memória, entre outros sintomas. Heroína e ópio são duas dessas.

Devido à adaptação do organismo às doses regularmente consumidas de certas substâncias, efeito chamado tolerância, muitas vezes consumidores migram de drogas mais leves e comuns, como maconha e cocaína, para mais fortes ou então aumentam a dose, comprometendo sua saúde. A interrupção do consumo pode aflorar a dependência psíquica, ao apresentar comportamentos compulsivos; ou física, ao iniciar a síndrome da abstinência. A cromatografia é o método mais utilizado para determiná-las.


Por fim, aplica-se o DNA forense na identificação de suspeito de crimes, anulação de registro civil, como teste de paternidade. Retira-se o código genético de diversas evidências biológicas e então se separa um trecho para comparação, com eficiência próxima a 100%. Graças à facilidade de acesso, resistência ao calor e boa eficácia, esse método se tornou vastamente utilizado nos últimos anos.

Nesse texto, tento atrair os curiosos, realizando a proeza de sintetizar esses tópicos, para então se aprofundarem mais no assunto. Contudo, vale destacar que, apesar dos bons salários (piso de R$13368,68 na PF), há o grande desafio de trabalhar com falta de infraestrutura e material por todo o país.



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