terça-feira, 10 de dezembro de 2013

PÓS GRADUAÇÃO: UMA BREVE HISTÓRIA E OS PRINCIPAIS DESAFIOS

Desde o documento com que se inicia institucionalização da pós-graduação - o parecer nº 977, da Câmara de Ensino Superior do Conselho Federal de Educação, de 1965, um novo modelo de formação acadêmica se lançara no Brasil. Ele foi resultado de uma política estatal deliberada que visava formar professores competentes para elevar o nível de ensino, desenvolver e apurar a pesquisa científica e assegurar que esses padrões se estendessem a todos demais setores educacionais. O objetivo era que Universidade transcendesse ao caráter formador e desse às mãos às possibilidades da Ciência. Um passo importantíssimo e determinante na educação brasileira que complementaria à graduação e sustentaria ainda novos conhecimentos.


No Brasil, em um sistema de ensino superior dominado por instituições privadas - que detêm 61,5% das matrículas e dois terços dos egressos -, a pós-graduação se concentra maciçamente em universidades públicas. A CAPES é o órgão responsável por credenciar as fontes de pesquisa e, conjuntamente com o CNPq, ela opera o sistema de bolsa de estudo para alunos pós-graduandos. O órgão concede individualmente essas bolsas para os estudantes, em função da quota e da avaliação que cada universidade recebe.

Principais Desafios

Embora a pós-graduação tivesse sido criada para complementar a educação, no país ela tem canalizado boa parte dos incentivos para a pesquisa - o que, em oposição, acaba por desafortunar os demais setores. A CAPES investiu, em 2003, quase R$ 450 milhões (81% do orçamento total) para pagamento de bolsas, contemplando 1.752 programas e 106 mil estudantes. Naquele ano, 25.979 dissertações de mestrado e 8.094 teses de doutorado foram produzidas. Em contrapartida, somente 51% das 64.220 escolas de ensino básico filiadas ao Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica (Saeb) possuem bibliotecas, segundo dados de 2011. Talvez essa seja a hora de usar dos benefícios da pesquisa em prol dos setores menos favorecidos ou encontrar uma forma de utilizar esse conteúdo científico nesses setores também, incentivando a pesquisa desde o ensino básico. A pós graduação se manterá a um nível de excelência se todos os brasileiros puderem aproveitar do mesmo nível de ensino desde o primário.

Outra problemática de destaque é a heterogeneidade do sistema brasileiro de educação superior. A maior parte das titulações da pós-graduação estão localizadas em um número reduzido de instituições da região Sudeste, descompensando as fontes de incentivo pelo país. De alguma forma, seria interessante equivaler as notórias pesquisas em todas as regiões, e é por isso que a CAPES tem instituído um sistema de cotas fixas, sendo 30% da verba destinada  para regiões de menor porte, como Norte e Nordeste.

Um pólo tecnológico:  DEQ/ UFSCar

Exemplificando o trabalho do Programa de Pós-Graduação brasileiro, convém citar o Departamento de Engenharia Química (DEQ) da UFSCar, em São Carlos (SP), que é considerado referência na área Engenharias II, uma das categorias definidas pela CAPES. Ele possui avaliação máxima (conceito 7) no que diz respeito a formação de alunos, patentes licenciadas, submissão de teses, publicações, projetos aprovados e cooperações internacionais, o que significa que os docentes tem autonomia para pedido de verbas e trabalham com uma média alta de alunos - entorno de 7 para cada um. A rotina dos pesquisadores se baseia em avaliar, acompanhar o andamento, publicar os trabalhos dos alunos e os seus próprios, de modo a aperfeiçoar as áreas de pesquisa do departamento e conseguir que revistas científicas renomadas se interessem pelo conteúdo publicado.



O Programa de Pós-Graduação do DEQ abrange as áreas de Controle Ambiental, Engenharia Bioquímica, Reatores Químicos Heterôgeneos e Catálise, Simulação e Controle de Processos Químicos e Sistemas Particulados, contando atualmente com 24 docentes. Para maiores informações, acesse http://www.ppgeq.ufscar.br/.

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