segunda-feira, 21 de abril de 2014

ENTREVISTA COM VERÔNICA CALADO - NÚCLEO DE PETRÓLEO, BIOCOMBUSTÍVEIS E SEUS DERIVADOS

No dia 6 de julho do ano passado, a Escola de Química da UFRJ inaugurou, com patrocínio da PETROBRAS e da ANP, o Núcleo de Petróleo, Biocombustíveis e seus derivados (NPBD). Este consiste em um complexo de 16 laboratórios localizado no bloco K do Centro de Tecnologia, na Cidade Universitária. Esses laboratórios realizam pesquisas relacionadas a biotecnologia e a petróleo e seus derivados no contexto da Engenharia Química. Ele é o primeiro complexo nesses moldes na América Latina relacionado à produção de biocombustíveis, biomateriais e energia, nos moldes da biorrefinaria.

               Desde então, o NPBD agrega uma série de pesquisas relacionadas à produção de energia e produtos de forma sustentável em uma estrutura bastante moderna. Graças a isso, atrai muitos alunos da universidade para iniciação científica e bolsistas do programa Jovens Talentos, assim como estudantes de escolas técnicas interessados em concluir seu curso.

               Sou bolsista JTC do Laboratório de Termoanálises e Reologia (LABTeR), um dos 16 supracitados e coordenado pela professora da UFRJ, Verônica Calado. Trabalho num projeto de Adição de Microesferas ocas em lamas de perfuração orientado por ela.

               Aproveitando esse contato, convidei a professora para dar uma entrevista e contribuir com seu conhecimento do NPBD, LABTeR e de IC para o artigo. As siglas e conceitos ainda não explicitados estarão na legenda, ao final da entrevista.

Pergunta: Como foi a criação do NBPD?

Verônica: Ele surgiu da necessidade de mais laboratórios para professores do DEQ e para o Prof. Nei, que precisava instalar uma planta piloto. Para levantar a verba, fomos a Petrobras que gostou da ideia. Na época, existiam varias redes dentro da Petrobras e o projeto se encaixou na Rede de Bioprodutos.


P: Com qual objetivo fizeram o seu projeto?


V: O NBPD foi criado com o objetivo de agregar professores que trabalhassem com pesquisas na área de biocombustíveis, de petróleo e de seus derivados.


P: O Núcleo, em muitos casos, trabalha em associação com o LADEQ. Como funciona essa parceria e qual o foco de cada um?


V: Não chamaria de parceria e sim continuação. O LADEQ e um prédio que congrega um conjunto de laboratórios de pesquisa não necessariamente relacionados entre si. O Núcleo congrega professores que realizam pesquisas relacionadas a biocombustíveis, petróleo e seus derivados.


P: Dentro do NPBD, qual a área de atuação do LABTeR?


V: Caracterização e fabricação de materiais compósitos, desenvolvimento de novos materiais e caracterização de materiais em geral.


P: Quais equipamentos o laboratório dispõe e quais os projetos atualmente em vigor?



V: DSC, TGA, DMA, Nanoflash, AFM.


Projetos em vigor: a) Obtenção de fibras de carbono a partir de materiais lignocelulósicos, b) Estudo de blindagens balísticas, c) Adição de Nanopartículas em Fluidos de Perfuração, d) Estudo de envelhecimento de tubos de materiais compósitos, e) Estudo da influencia de aditivos de xampu em cabelos do tipo afro.


P: Que benefícios traz o Programa Jovens Talentos para o LABTeR e que vantagens pode trazer ao bolsista?


V: Este programa traz benefícios ao LABTeR, pois temos uma mão-de-obra de ótima qualidade, com uma vontade grande de aprender. O bolsista se depara com equipamentos de ultima geração, aprendendo técnicas de caracterização de materiais. Ele também participa de discussões cientificas, que certamente o ajudarão no curso no futuro.


P: Mencione alguns parâmetros a serem analisados pelo estudante em dúvida entre a carreira acadêmica e a indústria.


V: Acadêmica: 1) Gostar de ensinar o colega um determinado assunto; 2) Queira aprender sempre mais; 3) Ter uma curiosidade grande para saber o porquê de tudo; 4) Gostar de desenvolver pesquisas que não levem a uma rotina diária (característica de industria)

Indústria: 1) Ser bastante pratico e objetivo; 2) Gostar de rotina; 3) etc.

Legenda:

DEQ- Departamento de Engenharia Química

LADEQ- Laboratório do Departamento de Engenharia Química
Material Compósito- Um material composto é formado pela união de dois materiais de naturezas diferentes, resultando em um material de desempenho superior àquela de seus componentes tomados separadamente. 

O material resultante é um arranjo de fibras, contínuas ou não, de um material resistente (reforço) que são impregnados em uma matriz de resistência mecânica inferior às fibras.

DSC-Calorímetro Exploratório Diferencial

TGA- Equipamento para Análise Termogravimétrica

DMA- Análise Dinâmico-Mecânica

AFM- Microscópio de Força Atômica

Material lignocelulósico- São materiais fibrosos, que formam matrizes complexas constituídas de celulose, um rígido polímero de glicose, hemiceluloses, pectinas e outras gomas. Adicionalmente, essa matriz é impregnada com lignina, a qual pode ser considerada como uma cobertura de resina plástica. Os materiais lignocelulósicos são encontrados na biomassa vegetal, termo usualmente empregado para designar matéria orgânica produzida, tanto pelas espécies vegetais, como por seus resíduos.

2 comentários:

  1. Muito interessante, a rural precisa de alguns investimentos desse porte em tecnologia!!!

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  2. Erros de português: "Para levantar a verba, fomos a Petrobras que gostou da ideia. "
    Desculpe, mas não entendi.

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