quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

INICIAÇÃO CIENTÍFICA: DENTRO E FORA DO BRASIL

Para quem não sabe, Iniciação Científica consiste em ajudar um professor (mais comumente um aluno de mestrado ou doutorado) em um projeto de pesquisa na intenção de despertar o interesse do estudante para a área acadêmica. E bastante fácil, mas não muito agradável conseguir lá iniciação voluntaria. E possível encontrar alguns anúncios de vagas com direito a bolsa, estas, normalmente, disputadas a unha.


Tive a sorte de conseguir uma vaga com bolsa e trabalhei nela durante um ano no Brasil e agora trabalho ha um mês voluntariamente em um laboratório australiano. O que eu vejo de diferente? Sinceramente, o australiano tem recursos. Mas vou descrever um dia de rotina em cada um deles e você poderá tirar suas próprias conclusões.

Brasil- Acordo bem cedo, 06h30min para estar no laboratório as 07h00min. Não posso me esquecer do jaleco, mas nem imagino onde estejam meus óculos de segurança. Temos varias luvas de dentista e ate algum antiácido, mas as usamos apenas quando lidamos diretamente com corrosivos. Assim que chego o primeiro passo e ligar a balança e ir ate o laboratório vizinho recolher agua destilada para encher a maquina de agua mil e o galão para lavar a vidraria. As pessoas chegam, se cumprimentam, fazem piadas e reclamam da falta de organização no laboratório, com uma promessa de faxina na próxima semana. Preparo minhas amostras nos bons e (muito) velhos agitadores magnéticos. Todos os líquidos devem ser colocados primeiro no béquer e depois na solução para evitar contaminação. Depois de prontas, coloco as amostras para secar no forno a vácuo, cuja bomba, com sorte, não estará cheio de solvente e funcionando. Depois de secas envio minhas amostras para os laboratórios de analise, no caso, identificação dos metais presentes e infravermelho, que são rápidas e levam por volta de uma semana. Penso em envia-las ao RMN, mas em uma das duas vezes que vi meu supervisor na vida ele me garantiu que não valia a pena fazer isso no inicio da pesquisa porque cada analise leva cerca de dois meses por causa da enorme fila. Como meu laboratório e muito bem equipado, quando volto das analises posso fazer minha própria analise de TG e usar o Zeta Sizer. As vezes preciso trocar o cilindro da TG, então peco ajuda ao mestrando mais próximo, que me atende de boa vontade, mas no geral trabalho por minha própria conta e tenho ate a chave do laboratório. As analises aqui levam cerca de duas horas, então me sento na sala de computadores (Que não funcionam leve seu notebook) dentro do próprio laboratório e adianto meus estudos para a próxima prova. Depois de tudo pronto, limpo minhas vidrarias com agua e detergente. O que não sai fica de molho e em ultimo caso, use acido. A vidraria deve ser aproveitada ao máximo. Não temos muitas variedades de tamanho e apenas as ponteiras de plástico e os conta gotas podem ser jogados fora apos o primeiro uso. Solventes não tóxicos podem ir pela pia, os outros vão para o descarte. Depois de tudo limpo, estou liberada para ir para casa.


Austrália- Acordo não tão cedo, por volta das 08h00min para estar no laboratório as 09h00min, e estou perfeitamente no horário comercial australiano. Ainda assim, quando chego, meu tutor me espera no escritório já lotado do lado de fora do laboratório. Preciso dele porque não tenho acesso ao laboratório e nem sequer tenho permissão para ficar lá dentro sem supervisão porque sou uma reles estudante de graduação. Deixo meu material lá porque nada entra ou sai do laboratório a não ser você e seus óculos de segurança. Sim, os óculos são obrigatórios. Tem jaleco lá dentro, mas não e obrigatório. O laboratório também contem luvas de todos os tipos em abundancia e você deve coloca-las assim que entra. Os óculos já deviam estar a postos antes de entrar. A balança já esta ligada e não preciso me preocupar em buscar água destilada porque tem uma torneira para ela. E também não preciso de ajuda para trocar cilindros de gás porque ha torneiras de nitrogênio, ar comprimido e oxigênio. O laboratório já esta cheio de pessoas silenciosas e ocupado em seus trabalhos, mas alguns bem humorados me dão bom dia. Pego minhas vidrarias e as limpo metodicamente com agua, agua destilada, acetona (Para secar mais rápido), ar comprimido (Para secar ainda mais rápido) e depois as coloco no forno (Porque secar rápido nunca e demais). Em dois minutos tenho béqueres mais limpos que os copos na minha casa. Preparo minhas amostras, mas elas são desgasificadas antes de ir para a analise. Para isso selo a amostra com parafilme, coloco uma tampa emborrachada, mais uma camada de parafilme e prendo tudo com arame, por via das duvidas. Coloco dois tipos diferentes de seringas para a circulação dos gases (Temos uns cinco tipos diferentes) e ligo a linda torneira de nitrogênio por 30 minutos. Durante esse tempo não saio do laboratório porque nada me garante que terei alguém para me abrir a porta na volta. E também não posso estudar porque meu material ficou lá fora evitando contaminação. Então fico na internet. Não preciso colocar as soluções no béquer, posso pegar diretamente da garrafa, mas não posso afundar muito a pipeta. As amostras prontas vão direto para o RMN, que meu próprio tutor faz e pega o resultado em duas horas. Aqui também quase não vejo meu orientador. A maioria das vidrarias e jogada fora, embora eu, como brasileira, insista em lavar algumas. As que são lavadas são passadas na acetona e talvez no acide, como no Brasil. Absolutamente tudo vai para o descarte. Depois de tudo limpo, posso ir para casa.

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