quinta-feira, 19 de setembro de 2013

PANORAMA DA PÓS-GRADUAÇÃO NO BRASIL

(Texto enviado pelo Representante Beta EQ em São Paulo, Rafael Nantes)


Uma das grandes motivações em cursar uma universidade é a “garantia” de uma boa carreira profissional e de um bom emprego após o período do ensino superior. Assim, quando estamos nos últimos anos da faculdade sempre nos é questionado se estamos empregados ou procurando emprego. Mas a real pergunta na nossa cabeça é: “O que eu vou fazer a partir de agora?”.

De fato, escolhemos nossa profissão muito cedo, às vezes nem temos certeza que é isso mesmo que queremos seguir de carreira e às vezes aguentamos 4, 5 ou 6 anos de curso muitas vezes no terror do “E se” (“e se eu sair daqui e me arrepender?” E por aí vai ...). Para somar, sabemos que o mercado de trabalho buscam profissionais relativamente novos (menos de 25 anos), o que aumenta a pressão em logo procurar um emprego.

No entanto, se você ainda sente que precisa aprender mais, descobrir novos caminhos ou até mesmo outras profissões, uma opção que podemos seguir é a Pós-Graduação. É um caminho de enriquecimento do currículo, que garante um maior destaque no mercado de trabalho e que também é a porta de entrada para a carreira acadêmica.

Esse texto busca orientar a pessoa interessada em seguir seus estudos além da graduação para saber melhor qual o peso da pós-graduação no Brasil, como ela surgiu, como ela foi fundamentada e quem são as organizações que atuam para o crescimento e a evolução da pesquisa no Brasil.

Mas qual é o impacto da pós-graduação no Brasil?

Grande parte do que é produzido no país em pesquisa (mais de 80%) vem de dentro das universidades e é resultado do trabalho de alunos de pós-graduação e professores. Até mesmo vários setores de Pesquisa e Desenvolvimento de grandes empresas, como Braskem, Petrobras e vários Grupos do setor Sucroalcooleiros, estão associados com universidades. Isso gera pesquisa de qualidade, aplicável e atrai muito investimentos para o ensino superior.

Recentemente vemos nossas universidades muito bem colocadas nos rankings mundiais de universidades e institutos de ensinos. Parte dessa conquista é devido a evolução do quadro de docentes das universidades brasileiras, compostos principalmente por professores com pós-graduação.

O panorama da Pós-Graduação no Brasil:

Os primeiros passos da pós-graduação no Brasil forma dados no início da década de 1930, no curso de Direito da Universidade do Rio de Janeiro e no curso de Filosofia da USP. Na década de 1950 começaram a ser firmados acordos entre EUA e Brasil, que implicavam em uma série de convênios entre escolas e universidades norte-americanas e brasileiras por meio do intercâmbio de estudantes, pesquisadores e professores.

O contexto em que foi instalado a pós-graduação no Brasil foi criticado por vários acadêmicos, um vez que o Brasil vinculou-se a outras nações para dar início as pesquisas nacionais, gerando certa dependência do “mercado científico” externo. Ou seja: muitas publicações estão relacionadas à interesses internacionais de países “centrais” e poucas estão relacionadas a estudos de interesse puramente nacionais (você já percebeu como, por exemplo, o estudo de comunidades indígenas está muito mais relacionada com o cinema do que com o meio acadêmico? Pois é ... damos muito mais valor a estudos relacionados a Petroquímica ou Alcoolquímica, justamente pois é o que nos dá “destaque” internacional).

A implantação formal da Pós-Graduação no Brasil se deu em 1965 com o Parecer 977 do Conselho Federal de Educação. Entre os anos de 1987 a 1922 tivemos quase que um crescimento exponencial na população de doutores e mestres no Brasil. Nesse período teve a origem do RHAE (Programa de formação de Recursos Humanos em Áreas Estratégicas), cujo objetivo foi de formar pesquisadores para atuação em empresas, com gestão do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT) e execução feita pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

Atualmente, o sistema de Ciências, Tecnologia e Inovação (CT&I) brasileiro está entrando em um novo ciclo de desenvolvimento, voltado à formação de redes cooperativas de pesquisa e pós-graduação, às inovações e outras formas de apropriação do conhecimento  científico e tecnológico. Essas redes compreendem em arranjos de pessoas e grupos de pesquisas de diferentes regiões que mantêm conexão através de projetos de pesquisas. O modelo é apoiado pela Capes.

Um desafio importante é intensificar ações orientadas a inovações tecnológicas em linhas de pesquisa emergentes como energias renováveis, recursos do mar e saúde, que podem dar certa vantagem competitiva ao Brasil em função dos nossos recursos naturais e competências específicas. Outros problemas, como problemas urbanos, questões sociais e políticas, IDH e Educação, compõem também o quadro de pesquisas emergentes.

Segundo o INEP (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira), o Brasil possui mais de 8.866 cursos deste tipo de pós-graduação, sendo a maior parte (89,5%) ministrada em Instituições de Ensino Superior (IES).  A região Sudeste concentra o maior número de cursos ofertados (4.955) seguida por Centro-Oeste e Nordeste (1.232 e 1.224 cursos, respectivamente).

A Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior):

A Capes, fundação do Ministério da Educação (MEC), atua na expansão e consolidação da pós-graduação stricto sensu (mestrado e doutorado) em todo o Brasil desde 1951. Em 2007, passou também a atuar na formação de professores da educação básica ampliando o alcance de suas ações na formação de pessoal qualificado no Brasil e no exterior.

As atividades da Capes atuam diretamente na qualidade da pós-graduação nacional, seja na avaliação da pós-graduação stricto sensu, acesso e divulgação do trabalho científico, investimentos na formação de profissionais de alto nível (no país e no exterior), promoção da cooperação científica internacional.

Assim, através da contínua avaliação da qualidade da Pós-Graduação brasileira, da determinação das diretrizes da pesquisa nacional, da cooperação internacional e do investimento em pós-graduandos, a Capes tornou-se um órgão de extrema importância na pesquisa Brasileira.

Alguns programas e atividades da Capes são mostrados abaixo:

Plano Nacional de Pós Graduação: o PNPG tem como objetivo definir novas diretrizes, estratégias e metas para dar continuidade e avançar nas propostas para política de pós-graduação e pesquisa no Brasil. A publicação aborda as metas que foram atingidas e as que não foram do PNPG anterior. O documento também propõe a criação de uma agenda nacional de pesquisa. As assimetrias regionais da pós-graduação, a internacionalização, a cooperação internacional e a integração com a educação básica também estão entre os eixos do PNPG 2011-2020.

Nota Capes: o Sistema de Avaliação da Pós-graduação foi implantado pela CAPES em 1976 e tem como principal objetivo: estabelecer o padrão de qualidade exigido dos cursos de mestrado e de doutorado e identificar os cursos que atendem a tal padrão. A avaliação compreende a realização do acompanhamento anual e da avaliação trienal do desempenho de todos os programas e cursos que integram o Sistema Nacional de Pós-graduação. Os resultados desse processo são expressos pela atribuição de uma nota na escala de "1" a "7".

Programa Ciência sem Fronteiras: Ciência sem Fronteiras é um programa que busca promover a consolidação, expansão e internacionalização da ciência e tecnologia, da inovação e da competitividade brasileira por meio do intercâmbio e da mobilidade internacional. A iniciativa é fruto de esforço conjunto dos Ministérios da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e do Ministério da Educação (MEC), por meio de suas respectivas instituições de fomento – CNPq e Capes –, e Secretarias de Ensino Superior e de Ensino Tecnológico do MEC.

O CNPq (O Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico):

É uma agência do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), tem como principais atribuições fomentar a pesquisa científica e tecnológica e incentivar a formação de pesquisadores brasileiros. Criado em 1951, sua atuação contribui para o desenvolvimento nacional e o reconhecimento das instituições de pesquisa e pesquisadores brasileiros pela comunidade científica internacional.

O CNPq concede bolsas para a formação de profissionais em áreas estratégicas para o desenvolvimento nacional (leia-se no campo da pesquisa científica e tecnológica), em universidades, institutos de pesquisa, centros tecnológicos e de formação profissional, tanto no Brasil como no exterior (atua junto com a Capes no programa CsF, por exemplo).

Também concede recursos financeiros para a implementação de projetos, programas e redes de P&D e para ações de divulgação científica e tecnológica, como apoio financeiro à editoração e publicação de periódicos, à promoção de eventos científicos e à participação de estudantes e pesquisadores nos principais congressos e eventos nacionais e internacionais na área de ciência e tecnologia.

Em 2012, o CNPq investiu em 2012 cerca de 1,5 bilhões de reais em bolsas de auxílio e fomento a pesquisa, sendo que 1,1 bilhões forma em bolsas nacionais e 0,4 bilhões em bolsas no exterior. As bolsas são concedidas através da inserção do pesquisador (ou do centro de pesquisa, ou universidade) em um dos 13 programas implementados pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Cientifico e Tecnológico - CNPq. Dentre esses programas, podemos destacar o Programa Ciência sem Fronteiras, Mulher e Ciência e o RHAE acima citado e o Programa Jovem Cientista.

A FAPESP (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo):

A FAPESP é uma agência de fomento à pesquisa científica e tecnológica. Possui autonomia garantida por lei e está ligada à Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia do Governo do Estado de São Paulo, com um orçamento anual correspondente a 1% do total da receita tributária do Estado. A FAPESP apoia a pesquisa e financia a investigação, o intercâmbio e a divulgação da ciência e da tecnologia produzida em São Paulo.

A FAPESP apoia a pesquisa científica e tecnológica por meio de Bolsas e Auxílios a Pesquisa, que contemplam todas as áreas do conhecimento, desde Ciências Biológicas, Saúde, Exatas e da Terra, Engenharias, Ciências Agrárias, Ciências Sociais Aplicadas, Ciência Humanas, Linguística, Letras e Artes. As Bolsas se destinam a estudantes de graduação e pós-graduação; vinculados a instituições de ensino superior e de pesquisa paulistas. As Bolsas e Auxílios são concedidos por meio de três linhas de financiamento: Linha Regular, Programas Especiais e Programas de Pesquisa para Inovação Tecnológica.

A FAPESP tornou-se uma das principais agências de fomento a pesquisa, investindo anualmente cerca de 1 bilhão de reais (em 2012 foram R$ 1.014.517.599).

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Buscou-se nesse texto apresentar os aspectos gerais sobre a pós-graduação e as principais organizações fomentadoras de pesquisa. Segue abaixo algumas outras agências e institutos que financiam a pesquisa e a pós-graduação no Brasil:

Órgãos e agências de fomento nacionais: FINEP, INEP, Fulbrigth Brasil, Ministério de Ciência e Tecnologia, Ministério do Esporte, Ministério da Saúde, INCT, FNDCT. É importante lembrar que cada estado possui agência de fomento a pesquisa científica, ou seja, assim como São Paulo possui a Fapesp, Santa Catarina tem a FAPESC. Procure a do seu estado.

 Órgãos e agências de fomento internacionais: DAAD (Deutscher Akademischer Austauschdienst, Alemanha), NRC (National Research Council of Canada, Canadá), NSERC ( Natural Science and Engineering Research Council of Canada, Canadá) e NSF (National Science Foundation, EUA), dentre outros. Veja mais em: http://www.ifsc.edu.br/agencias-de-fomento-internacionais.

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