domingo, 13 de abril de 2014

ENTREVISTA: ELAINE FERREIRA - ENGENHARIA QUÍMICA E MEIO AMBIENTE

(Entrevista enviada pelo Representante Beta EQ no Amazonas, Ricardo Oliveira)


“Pensar verde” hoje em dia é um diferencial para qualquer profissional. Para o Engenheiro Químico, esta característica torna-se indispensável já que as indústrias tendem a um processo cada vez mais limpo. Conversamos com a Dra. Elaine Ferreira e tentamos compartilhar por que devemos nos preocupar tanto com o meio ambiente. Engenheira Química, ela é professora da Universidade Federal do Amazonas, possui mestrado e doutorado em Desenvolvimento Sustentável e trabalha há 30 anos com tratamento de efluentes industriais e resíduos sólidos, sistemas de gestão ambiental, responsabilidade social e novas tecnologias de tratamento.


1) Por que se preocupar com o meio ambiente?
Porque a humanidade necessita da natureza para sobreviver. É dela que retiramos todas as matérias-primas (minérios, petróleo, vegetais, animais) necessárias para os nossos processos produtivos, que disponibilizarão os produtos necessários para a nossa alimentação, por exemplo. Da natureza necessitamos também da água e do ar, sem eles não vivemos, por isso temos que garantir que tenham qualidade. Só um 'meio ambiente' saudável garante uma vida de qualidade para a humanidade.  

2) O que o Engenheiro Químico pode fazer para ajudar a salvar o planeta?
O Engenheiro Químico, tendo em vista a sua formação, pode trabalhar nas indústrias buscando melhorias no processo produtivo que visem minimizar a geração de rejeitos (sólidos, líquidos e gasosos), como pro exemplo, a aplicação de técnicas de Produção mais Limpa. Pode também projetar a concepção de sistemas de tratamento de efluentes (rejeitos líquidos), operar e monitorar esses sistemas. Pode projetar, implantar, monitorar  e propor melhorias em Sistemas de Gestão Ambiental (SGA) de acordo com a NBR ISO 14001. Pode propor formas de gerenciar os resíduos sólidos gerados durante o processo produtivo, bem como projetar a concepção de sistemas de tratamento e as formas de disposição final dos resíduos. Pode trabalhar na operação e no monitoramento dessas unidades.  Pode trabalhar também em órgãos de controle ambiental (municipais, estaduais ou federais) como analista dos projetos de concepção de sistemas de tratamento dos rejeitos de novas empresas que visam se implantar (processos de licenciamento ambiental) e como fiscal desses órgãos públicos. 

3) Qual a importância da faculdade no incentivo à conscientização ambiental do estudante?
As IES em suas grades curriculares devem dar atenção à área ambiental e proporcionar aos alunos o conhecimento desse conteúdo que será exigido pelo mercado de trabalho. Hoje a legislação ambiental no país é bastante rígida. Uma parte da sociedade já está consciente da necessidade de cuidar do meio ambiente e exige esse comportamento das indústrias. Assim, os engenheiros responsáveis pelo processo produtivo serão solicitados a cumprir a legislação e as normas ambientais, bem como satisfazer os seus consumidores.

4) Que tipo de pós-graduação existe para quem quer se especializar nessa área?
Existem muitas organizações (IES públicas e privadas; Institutos educacionais) que oferecem especializações na área ambiental com diversos temas, como por exemplo, auditorias ambientais, mediação de conflitos ambientais, sobre a Politica Nacional de Resíduos Sólidos, implantação de Sistemas de Gestão Ambiental, Gestão de Resíduos Sólidos, etc. Há no país várias IES públicas e privadas que possuem Programas de Pós-Graduação Stricto Sensu (mestrados e doutorados) que possuem linhas de pesquisa relacionadas  com a área ambiental.

5) Deixe uma mensagem para os alunos de Engenharia Química do Brasil.

Desejo que os futuros engenheiros químicos do Brasil tenham consciência da importância do cuidado com o meio ambiente, pois dele dependerá a qualidade de vida da população brasileira e mundial. Vocês como gestores de processos produtivos são responsáveis pela qualidade desses processos. Trabalhem sempre pensando na prevenção da poluição, ou seja, buscando a minimização da geração de rejeitos industriais.

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