sexta-feira, 15 de agosto de 2014

REFERÊNCIAS DA ENGENHARIA QUÍMICA: LINUS PAULING

Linus e a esposa Ava, 1964,
em seu chalé na Califórnia. 
Depois de Graça Foster e Giulio Massarani, o Projeto Beta EQ homenageia um engenheiro químico internacional muito conhecido de todos. A série "Referências da Engenharia Química" orgulhosamente apresenta: Linus Pauling.

"Linus Carl Pauling era filho do farmacêutico Herman Henry William Pauling, de ascendência alemã, embora nascido nos EUA, e de Lucy Isabelle Darling, descendente de ingleses e escoceses. Linus frequentou escolas públicas de Portland e de Condon, cidadezinha do interior do estado de Oregon, para onde a família, em más condições financeiras, mudou-se quando Linus tinha quatro anos, para morar com sua avó materna. A situação financeira de sua família, em verdade, nunca foi boa, mas embora seus pais não o tenham legado bens materiais, talvez deles tenha herdado os traços característicos de sua mente brilhante e intuitiva. Seu pai assumiu a farmácia da pequena cidade no estilo "velho oeste" e o pequeno Linus começou a explorar o mundo a sua volta, coletando suas primeiras amostras de minerais perto de um riacho que passava ao sul.


De volta a Portland, Pauling estava em idade de frequentar o Ensino Médio. Embora tivesse que batalhar para ajudar a mãe a sustentar a família após a morte do pai, tentava não desistir dos estudos. Não obteve o diploma do Ensino Médio por não ter frequentado as aulas de educação cívica. Mesmo assim, em 1917, ingressou no curso de engenharia química da Oregon Agricultural College (atual Oregon State College) e logo após seu segundo ano foi contratado para uma vaga de instrutor de análise quantitativa na faculdade - em uma dessas aulas conheceu sua futura esposa, Ava Helen Miller.


Ao terminar seu curso de engenharia química em 1922 sua mãe aconselhou-o a parar de estudar e se tornar professor em alguma escola secundária. Mas Pauling já havia se inscrito em programas de pós-graduação de universidades como Harvard, Berkeley e o - ainda novo - Instituto de Tecnologia da Califórnia (Caltech). Foi esta última instituição a sua escolhida. Casou-se um ano depois.


Com a esposa, Ava Miller, em 1922.

Em 1925, sob orientação dos professores Roscoe Dickinson e Richard Tolman, obteve seu título de Ph.D. em química, summa cum laude (latim para "com todas as honras"). Interessava-se especialmente em estruturas moleculares e a natureza das ligações químicas, inspirado por artigos de Langmuir e pela teoria de Lewis. Dessa forma, seus estudos envolviam a investigação de estruturas cristalinas por cristalografia por raios X (especialidade de Dickinson), tendo contribuído para a determinação da estrutura cristalina de diversos minerais. O método de Pauling consistia primeiramente em imaginar como seria determinada estrutura e posteriormente comparar e ajustar os dados experimentais ao seu modelo, ou vice-versa. Mais tarde foi criticado pelo vasto uso da intuição.


Pauling, ao obter seu título de Ph.D., 1925.
Aparato de raios x na mesa de Pauling no Caltech, 1925.


Aos 25 anos, teve a oportunidade de estudar na Universidade de Munique com o físico teórico Arnold Sommerfeld (que propôs alterações ao modelo atômico de Bohr, postulando a existência de subníveis que formariam as camadas eletrônicas). Neta ocasião se deram seus primeiros trabalhos com mecânica quântica, tendo publicado A previsão teórica das propriedades físicas de elétrons, átomos e íons; refração molar, suscetibilidade diamagnética e extensão no espaço, em que relacionava a mecânica quântica às ligações químicas.



Anotações sobre estruturas moleculares. (Clique para ampliar)


Retornando aos EUA, aceitou uma vaga como professor assistente de química teórica e física matemática. Nessa época realizou alguns de seus trabalhos mais produtivos. Em 1928, publicou um artigo sobre hibridação nos orbitais e ressonância. Em 1931 publicou o artigo Sobre a natureza das ligações químicas (que também seria título do seu mais famoso livro, de 1939). Também era um professor excelente, responsável pelos calouros; alunos seus da época recordam que suas aulas eram empolgantes e que ele tinha grande habilidade em realizar demonstrações. Richard Noyes, professor emérito da Universidade de Oregon conta "enquanto ele estava explicando alguma coisa, de repente, sua mente dava um salto para algum assunto que os calouros não conseguiam mais compreender". Noyes lembra que uma vez, durante uma titulação, Pauling abriu a torneira da bureta, foi ao quadro para escrever a equação da reação, ainda que mantendo os olhos no aparato... e de repente correu à bureta, fechou a torneira e agitou o líquido no frasco... a cor era perfeita... um ponto de viragem perfeito!


Pauling em seu laboratório no Caltech, anos 1930.

Em 1931 recebeu o prêmio Langmuir pelo "mais notório trabalho em ciência pura realizado por um homem com menos de 30 anos". No mesmo ano foi convidado a ser professor no MIT, onde permaneceu, entretanto, por apenas um ano. Em 1932 foi indicado como membro da Academia Nacional de Ciências. Foi em 1935 que começou a nutrir grande interesse por biologia molecular, estudando primeiramente a ligação do oxigênio a moléculas de hemoglobina (descobrindo que em artérias, a hemoglobina é repelida por ímãs, enquanto nas veias, é atraída).



As pesquisas com hemoglobina levaram-no ao estudo das ligações de hidrogênio entre cadeias de polipeptídeos em proteínas e da desnaturação proteica. Acabou por desenvolver uma teoria quanto à estrutura das proteínas: já sabia-se que eram compostas de cadeias de polipeptídeos que, por sua vez, eram formadas por longas cordas de aminoácidos ligados uns aos outros. Pauling estabeleceu as estruturas de vários pequenos peptídeos e que a ligação entre eles para formar aminoácidos é planar. Em 1939, ajudou a formular um pequeno conjunto de condições para o modelo de qualquer cadeia peptídica. Em 1948, enquanto estava em Oxford, ao fazer alguns rascunhos e desenhar átomos em determinados ângulos no papel, descobriu a estrutura de alfa-hélice de um polipeptídeo. Foi por seu trabalho com estrutura molecular, especialmente de proteínas, que ganhou seu primeiro prêmio Nobel, em química, em 1954.



O segundo prêmio Nobel, da paz, viria por suas ações e posicionamento contrários à guerra e a armas nucleares. Recusou-se a trabalhar no projeto Manhattan. Ele e a esposa militaram contra a prisão de americanos de ascendência nipônica, como seu jardineiro.  Envolveu-se com o movimento de cientistas preocupados com os riscos apresentados pela energia nuclear e foi um grande opositor dos testes nucleares e do uso da bomba atômica, tendo participado de passeatas e protestos. Durante essa época, especialmente marcada pelas fortes ideias anticomunistas nos EUA (doutrina McCarthy), foi acusado de envolvimento com o partido comunista. Teve o pedido de passaporte negado quando quis ir à Inglaterra para apresentar suas ideias quanto à estrutura de proteínas, recebendo a resposta de que "não seria do interesse dos Estados Unidos que ele deixasse o país". A situação se repetiria muitas vezes pelos próximos anos. Einstein chegou a escrever ao Departamento de Defesa americano defendendo o direito de Pauling a viajar.

Em 1953, Pauling publicou seu livro No more War. Em abril de 1954, enquanto dava uma aula na Universidade Cornell, foi chamado ao telefone para descobrir que tinha ganhado o prêmio Nobel em química. Só conseguiu um passaporte duas semanas após a cerimônia de entrega do prêmio na Suécia. Em 1948, também trabalhava em uma descrição da estrutura do DNA. Se não tivesse sido impedido de sair do país para assistir a uma conferência em Londres, teria visto as imagens feitas por Rosalind Franklin e provavelmente chegado à estrutura correta antes de Watson e Crick.





Pauling e outros 11202 cientistas assinaram uma petição às Nações Unidas para que fossem banidos definitivamente os testes nucleares. Quando o presidente Kennedy decidiu dar continuidade ao programa nuclear, Pauling enviou-lhe um telegrama: "Você dará mesmo ordens que o colocarão na história como um dos homens mais imorais e um dos maiores inimigos da humanidade?". Ainda assim, foi convidado a um jantar na Casa Branca em homenagem aos laureados com o prêmio Nobel e até mesmo dançou com a primeira dama.



Em 1962 foi anunciado que Pauling receberia o prêmio Nobel da Paz por seu ativismo e luta pela proibição de testes nucleares. Isto colocou-o ao lado de Marie Curie, como as duas únicas pessoas a receberem dois prêmios Nobel em áreas diferentes, embora Marie Curie tenha dividido o prêmio de física com seu marido Pierre e Becquerel.



Linus Pauling também ficou conhecido por fazer uso de grandes doses de vitamina C, alegando que esta poderia prevenir resfriados e gripe (o uso de 1g diariamente diminuiria as chances de contrair resfriado em até 45%) e até mesmo o câncer (a vitamina poderia aumentar a expectativa de vida do paciente em até 20 anos). Pauling acreditava que megadoses da vitamina pudessem melhorar a saúde em geral. Suas alegações quanto aos efeitos da vitamina C não eram fundamentadas em quaisquer pesquisas e Pauling morreu de câncer em agosto de 1994.

Mais imagens
(parece haver grande abundância de fotos de Linus Pauling... é difícil não ser cativado por seu semblante sorridente...)"










Com sua coleção de minerais. 

Links relacionados:

http://www.woodrow.org/teachers/ci/1992/Pauling.html
http://www.nobelprize.org/nobel_prizes/chemistry/laureates/1954/pauling-bio.html
http://paulingblog.wordpress.com/


Fonte: http://www.aspiracoesquimicas.net/2013/02/qdm-fevereiro-2013-linus-pauling.html

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